Publicação
Um negócio piedoso: o resgate de cativos em Portugal na época moderna
| Resumo: | O aprisionamento de indivíduos para futuro resgate surge, na história de Portugal, como um factor inerente aos conflitos entre cristãos e muçulmanos. Ao longo dos sucessivos reinados, o processo de resgate dos cativos, vai sendo estruturado e organizado, com legislação específica, no sentido de melhor actuar na sua libertação, de acordo com as novas fronteiras terrestres e marítimas, consequência da expansão portuguesa. O perigo de ataques de corsários e piratas, eminente no mar, tanto nas grandes embarcações que navegavam no Mediterrâneo e no Atlântico como nos pequenos barcos de pescadores, era também sentido nas povoações costeiras, que se viam alvo de assaltos, como atestam tantas histórias locais e tradições religiosas. A Ordem da Santíssima Trindade, instituída por São João da Mata com o fim específico de resgatar cristãos em terras muçulmanas, fixa-se em Portugal logo no início do século XIII. Apenas com o interregno de oitenta anos, durante os quais os resgates dependeram do Tribunal da Redenção dos Cativos, criado por D. Afonso V para esse efeito, serão sempre os frades trinitários a terem a seu cargo a organização e a negociação dos resgates em terras do norte de África. Em fronteiras e mares comuns, cristãos e muçulmanos legitimavam religiosamente a apreensão de infiéis, como moeda de troca ou como fonte de rendimento. Neste último caso, Salé e Argel serão exemplos de cidades que prosperaram com base no corso e venda de cativos cristãos. No apoio religioso durante cativeiro e na negociação dos resgates, os frades trinitários estiveram presentes como ordem religiosa instituída para o efeito e mandatária dos monarcas para a realização dos resgates. Nesta dissertação pretende-se estudar a estruturação e os procedimentos inerentes à realização dos catorze resgates gerais ocorridos entre o reinado de D. João IV e o final do século XVIII, com base, fundamentalmente, na documentação da Provedoria dos Cativos da Mesa da Consciência e Ordens, e do cartório dos conventos da Ordem da Santíssima Trindade. Desde a nomeação dos padres redentores e oficiais da Mesa da Consciência e Ordens, pedidos de salvo-condutos e passaportes aos governantes muçulmanos, recolha das doações e presentes diplomáticos, frete de navios, até ao negócio propriamente dito de resgate dos cativos portugueses em terras de Marrocos ou Argel, os dados fornecidos pela documentação são fundamentais para analisar esta problemática da história de Portugal moderno. Nestes catorze resgates gerais serão libertados cerca de dois mil e quinhentos |
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| Autores principais: | Alberto, Edite Maria da Conceição Martins |
| Assunto: | Cristianismo Islamismo Resgate de cativos Ordem da Santíssima Trindade Mesa da Consciência e Ordens Corso Pirataria Marrocos Argélia Christianism Islamism captive ransoming Holy Trinity Order Mesa de Consciência e Ordens (Table of Conscience and Orders) Privateering Piracy Morocco Algiers |
| Ano: | 2011 |
| País: | Portugal |
| Tipo de documento: | tese de doutoramento |
| Tipo de acesso: | acesso aberto |
| Instituição associada: | Universidade do Minho |
| Idioma: | português |
| Origem: | RepositóriUM - Universidade do Minho |
| Resumo: | O aprisionamento de indivíduos para futuro resgate surge, na história de Portugal, como um factor inerente aos conflitos entre cristãos e muçulmanos. Ao longo dos sucessivos reinados, o processo de resgate dos cativos, vai sendo estruturado e organizado, com legislação específica, no sentido de melhor actuar na sua libertação, de acordo com as novas fronteiras terrestres e marítimas, consequência da expansão portuguesa. O perigo de ataques de corsários e piratas, eminente no mar, tanto nas grandes embarcações que navegavam no Mediterrâneo e no Atlântico como nos pequenos barcos de pescadores, era também sentido nas povoações costeiras, que se viam alvo de assaltos, como atestam tantas histórias locais e tradições religiosas. A Ordem da Santíssima Trindade, instituída por São João da Mata com o fim específico de resgatar cristãos em terras muçulmanas, fixa-se em Portugal logo no início do século XIII. Apenas com o interregno de oitenta anos, durante os quais os resgates dependeram do Tribunal da Redenção dos Cativos, criado por D. Afonso V para esse efeito, serão sempre os frades trinitários a terem a seu cargo a organização e a negociação dos resgates em terras do norte de África. Em fronteiras e mares comuns, cristãos e muçulmanos legitimavam religiosamente a apreensão de infiéis, como moeda de troca ou como fonte de rendimento. Neste último caso, Salé e Argel serão exemplos de cidades que prosperaram com base no corso e venda de cativos cristãos. No apoio religioso durante cativeiro e na negociação dos resgates, os frades trinitários estiveram presentes como ordem religiosa instituída para o efeito e mandatária dos monarcas para a realização dos resgates. Nesta dissertação pretende-se estudar a estruturação e os procedimentos inerentes à realização dos catorze resgates gerais ocorridos entre o reinado de D. João IV e o final do século XVIII, com base, fundamentalmente, na documentação da Provedoria dos Cativos da Mesa da Consciência e Ordens, e do cartório dos conventos da Ordem da Santíssima Trindade. Desde a nomeação dos padres redentores e oficiais da Mesa da Consciência e Ordens, pedidos de salvo-condutos e passaportes aos governantes muçulmanos, recolha das doações e presentes diplomáticos, frete de navios, até ao negócio propriamente dito de resgate dos cativos portugueses em terras de Marrocos ou Argel, os dados fornecidos pela documentação são fundamentais para analisar esta problemática da história de Portugal moderno. Nestes catorze resgates gerais serão libertados cerca de dois mil e quinhentos |
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