Publicação

Fatores que condicionam a comunidade fúngica da azeitona: uma perspetiva para o controlo da gafa da oliveira

Ver documento

Detalhes bibliográficos
Resumo:A oliveira (Olea europaea L.) desempenha um relevante papel socioeconómico a nível mundial. Contudo, a obtenção da azeitona e do seu derivado – o azeite – é limitada pela doença da gafa. Esta doença incide em cerca de 30-50% dos olivais portugueses e leva à queda prematura e/ou mumificação dos frutos, com consequente redução de produção e/ou depreciação da qualidade do azeite. A estratégia predominante no combate à gafa é baseada na luta química, com a aplicação de fúngicidas cúpricos. No entanto, a atual consciencialização do impacto destes produtos, na saúde e no meio ambiente, tem evidenciado a necessidade da criação de alternativas mais ecológicas, como sejam as abordagens de biocontrolo. Sabe-se que o microbioma da oliveira desempenha um papel crucial na proteção do hospedeiro contra doenças. Posto isto, este trabalho teve como principal objetivo, avaliar as potencialidades do microbioma nativo da oliveira na luta biológica contra a doença da gafa. Assim, a capacidade inibitória de fungos Penicillium spp. previamente isolados de folhas e ramos de oliveiras, foi avaliada contra fungos Colletotrichum spp. Os ensaios de antagonismo foram realizados em co-cultura in vitro. Os resultados indicaram que as espécies de Penicillium inibem o crescimento de Colletotrichum spp. devido a mecanismos de antibiose, induzindo alterações morfológicas nas hifas dos fungos patogénicos, como sejam a sua ramificação ou agregação de hifas. A comunidade microbiana endofitica e epifitica da azeitona foi também avaliada por metabarcoding, recorrendo ao barcode ITS e à plataforma Illumina MiSeq. As comunidades fúngicas foram avaliadas em azeitonas em dois estados de maturação (verdes e semi-maduras), provenientes de diferentes cultivares de oliveira (Cobrançosa e Madural), com diferentes regimes de produção (agricultura biológica e produção integrada). A riqueza relativa das ordens Hypocreales e Xylariales relacionou-se positivamente com a tolerância das azeitonas à doença da gafa, assim como a abundância de Aureobasidium spp.. Por outro lado, a riqueza relativa da ordem Dothideales relacionou-se positivameente com a maior suscetibilidade das azeitonas à doença. Com este trabalho, foi possível identificar potenciais géneros e espécies bioprotetoras da oliveira para além de Penicillium spp.. Na generalidade, este trabalho contribuiu para realçar as variações que ocorrem na comunidade fúngica epifítica e endofítica em azeitonas, as quais poderão contribuir para potenciar ou reduzir o desenvolvimento da doença da gafa.
Autores principais:Castro, Joana de Sousa e
Assunto:Olea europaea (L.) Azeitona Comunidades epifiticas e endofiticas Colletotrichum spp. Biocontrolo Antagonismo Olive Epiphytic and endophytic communities Biocontrol Antagonis Ciências Agrárias::Biotecnologia Agrária e Alimentar
Ano:2021
País:Portugal
Tipo de documento:dissertação de mestrado
Tipo de acesso:acesso aberto
Instituição associada:Universidade do Minho
Idioma:português
Origem:RepositóriUM - Universidade do Minho
Descrição
Resumo:A oliveira (Olea europaea L.) desempenha um relevante papel socioeconómico a nível mundial. Contudo, a obtenção da azeitona e do seu derivado – o azeite – é limitada pela doença da gafa. Esta doença incide em cerca de 30-50% dos olivais portugueses e leva à queda prematura e/ou mumificação dos frutos, com consequente redução de produção e/ou depreciação da qualidade do azeite. A estratégia predominante no combate à gafa é baseada na luta química, com a aplicação de fúngicidas cúpricos. No entanto, a atual consciencialização do impacto destes produtos, na saúde e no meio ambiente, tem evidenciado a necessidade da criação de alternativas mais ecológicas, como sejam as abordagens de biocontrolo. Sabe-se que o microbioma da oliveira desempenha um papel crucial na proteção do hospedeiro contra doenças. Posto isto, este trabalho teve como principal objetivo, avaliar as potencialidades do microbioma nativo da oliveira na luta biológica contra a doença da gafa. Assim, a capacidade inibitória de fungos Penicillium spp. previamente isolados de folhas e ramos de oliveiras, foi avaliada contra fungos Colletotrichum spp. Os ensaios de antagonismo foram realizados em co-cultura in vitro. Os resultados indicaram que as espécies de Penicillium inibem o crescimento de Colletotrichum spp. devido a mecanismos de antibiose, induzindo alterações morfológicas nas hifas dos fungos patogénicos, como sejam a sua ramificação ou agregação de hifas. A comunidade microbiana endofitica e epifitica da azeitona foi também avaliada por metabarcoding, recorrendo ao barcode ITS e à plataforma Illumina MiSeq. As comunidades fúngicas foram avaliadas em azeitonas em dois estados de maturação (verdes e semi-maduras), provenientes de diferentes cultivares de oliveira (Cobrançosa e Madural), com diferentes regimes de produção (agricultura biológica e produção integrada). A riqueza relativa das ordens Hypocreales e Xylariales relacionou-se positivamente com a tolerância das azeitonas à doença da gafa, assim como a abundância de Aureobasidium spp.. Por outro lado, a riqueza relativa da ordem Dothideales relacionou-se positivameente com a maior suscetibilidade das azeitonas à doença. Com este trabalho, foi possível identificar potenciais géneros e espécies bioprotetoras da oliveira para além de Penicillium spp.. Na generalidade, este trabalho contribuiu para realçar as variações que ocorrem na comunidade fúngica epifítica e endofítica em azeitonas, as quais poderão contribuir para potenciar ou reduzir o desenvolvimento da doença da gafa.