Publicação
A influência do plasma humano na formação de biofilme e virulência de Staphylococcus epidermidis
| Resumo: | Staphylococcus epidermidis é um colonizador comensal da pele e mucosas humanas, que devido à sua capacidade para formar biofilmes em superfícies abióticas, é considerado um dos principais agentes causadores de infeções associadas ao uso de dispositivos médicos invasivos. Nos últimos anos, a virulência desta espécie tem sido extensamente estudada. Porém, a maioria destes estudos foram realizados in vitro, utilizando meios ricos e na ausência de fatores do hospedeiro, e, por isso, em condições muito diferentes do ambiente in vivo. Assim, o principal objetivo desta dissertação foi o estudo da influência do plasma humano no crescimento de S. epidermidis, de forma a melhor simular as condições in vivo. Dessa forma, foi avaliado o efeito de diferentes percentagens de plasma no crescimento planctónico, capacidade de formação de biofilme, estrutura do biofilme, cultivabilidade e viabilidade das células dos biofilmes, suscetibilidade aos antibióticos e alteração da expressão dos genes de virulência. Neste estudo não foram usadas concentrações de plasma acima dos 20% devido ao efeito inibitório que o nosso plasma comercial mono-dador apresentou. Apesar disso, é de salientar que 20% de plasma foi o suficiente para alterar significativamente o efeito da tolerância a certos antibióticos, reduzindo o efeito da vancomicina e tetraciclina e potenciando o efeito da rifampicina. Aparentemente, o plasma ligou-se às moléculas de tetraciclina, diminuindo a sua disponibilidade e, consequentemente, interferindo com a sua eficácia. Curiosamente, diferentes resultados foram obtidos utilizando meios de cultura de diferentes marcas, bem como diferentes concentrações iniciais de células. As imagens obtidas por CLSM conjugadas com uma avaliação macroscópica dos biofilmes, permitiram inferir que o plasma interferiu com a interação entre as células, diminuindo a coesão dos biofilmes formados na sua presença. Por fim, verificou-se uma tendência de redução da expressão dos genes icaA, dltA e sepA, associados à proteção da bactéria contra fatores imunitários, assim como do gene srdG, envolvido na adesão a proteínas humanas, na presença de plasma. Concluindo, os nossos resultados destacam a importância da inclusão de fatores do hospedeiro nos ensaios in vitro, a fim de mimetizar as condições in vivo, e, por conseguinte, aumentar o significado clínico dos resultados obtidos. |
|---|---|
| Autores principais: | Oliveira, Sofia Carvalho |
| Assunto: | Ciências Agrárias Ciências Médicas Engenharia e Tecnologia |
| Ano: | 2017 |
| País: | Portugal |
| Tipo de documento: | dissertação de mestrado |
| Tipo de acesso: | acesso aberto |
| Instituição associada: | Universidade do Minho |
| Idioma: | português |
| Origem: | RepositóriUM - Universidade do Minho |
| Resumo: | Staphylococcus epidermidis é um colonizador comensal da pele e mucosas humanas, que devido à sua capacidade para formar biofilmes em superfícies abióticas, é considerado um dos principais agentes causadores de infeções associadas ao uso de dispositivos médicos invasivos. Nos últimos anos, a virulência desta espécie tem sido extensamente estudada. Porém, a maioria destes estudos foram realizados in vitro, utilizando meios ricos e na ausência de fatores do hospedeiro, e, por isso, em condições muito diferentes do ambiente in vivo. Assim, o principal objetivo desta dissertação foi o estudo da influência do plasma humano no crescimento de S. epidermidis, de forma a melhor simular as condições in vivo. Dessa forma, foi avaliado o efeito de diferentes percentagens de plasma no crescimento planctónico, capacidade de formação de biofilme, estrutura do biofilme, cultivabilidade e viabilidade das células dos biofilmes, suscetibilidade aos antibióticos e alteração da expressão dos genes de virulência. Neste estudo não foram usadas concentrações de plasma acima dos 20% devido ao efeito inibitório que o nosso plasma comercial mono-dador apresentou. Apesar disso, é de salientar que 20% de plasma foi o suficiente para alterar significativamente o efeito da tolerância a certos antibióticos, reduzindo o efeito da vancomicina e tetraciclina e potenciando o efeito da rifampicina. Aparentemente, o plasma ligou-se às moléculas de tetraciclina, diminuindo a sua disponibilidade e, consequentemente, interferindo com a sua eficácia. Curiosamente, diferentes resultados foram obtidos utilizando meios de cultura de diferentes marcas, bem como diferentes concentrações iniciais de células. As imagens obtidas por CLSM conjugadas com uma avaliação macroscópica dos biofilmes, permitiram inferir que o plasma interferiu com a interação entre as células, diminuindo a coesão dos biofilmes formados na sua presença. Por fim, verificou-se uma tendência de redução da expressão dos genes icaA, dltA e sepA, associados à proteção da bactéria contra fatores imunitários, assim como do gene srdG, envolvido na adesão a proteínas humanas, na presença de plasma. Concluindo, os nossos resultados destacam a importância da inclusão de fatores do hospedeiro nos ensaios in vitro, a fim de mimetizar as condições in vivo, e, por conseguinte, aumentar o significado clínico dos resultados obtidos. |
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