Publicação
Potencial do própolis português para biocontrolo de doenças pós-colheita em diversos frutos da fileira agro-alimentar
| Resumo: | O própolis, produzido pelas abelhas a partir de exsudados vegetais, possui propriedades biológicas relevantes, em particular a antimicrobiana, tornando-se uma alternativa promissora no controlo de doenças fúngicas em culturas como a maçã. Embora eficazes, os pesticidas sintéticos, fungicidas e herbicidas, usados atualmente comportam riscos ambientais, problemas de saúde e exercem pressão seletiva para o aparecimento de resistências nos patógenos. Por ser natural e seguro, o própolis pode reduzir a dependência de agrotóxicos, promovendo uma agricultura mais sustentável, produtos e agrossistemas mais saudáveis, diminuindo perdas e apoiando uma bioeconomia circular. Neste contexto, estudou-se o potencial biopesticida deste produto natural utilizando quatro extratos – três hidroalcoólicos obtidos de própolis (mP.EE70, Cr18.EE70, G23.EE70) e um aquoso obtido de resíduos resultantes de extração hidroalcoólica de própolis (RE23.WE). Todos apresentaram atividade antibacteriana contra Bacillus subtilis (50 < MIC < 1500 μg/mL), mas menor eficácia contra Bacillus megaterium e Escherichia coli (MIC > 2000 μg/mL). Contra o oomicete fitopatogénico Phytophthora cinnamomi, mP.EE70 e Cr18.EE70 induziram 90 % de inibição nas concentrações de 1000-2000 μg/mL, bem como o RE23.WE a 2000 μg/mL, apresentando G23.EE70 inibições inferiores. RE23.WE foi o mais eficaz contra o fungo Botrytis cinerea, com 66 % de inibição a 2000 μg/mL, superior a qualquer extrato hidroalcoólico testado. Relativamente à fitotoxicidade in vitro dos extratos em espécies cultivadas modelo foi observado que, na mostarda (Sinapis alba), em que raiz foi o órgão mais sensível, enquanto com G23.EE70 se recuperaram os efeitos inibitórios do solvente em todas as concentrações, com RE23.WE as reduções de crescimento foram muito acentuadas, para cerca de 72 % e 92 % do controlo a 500 e 1000 μg/mL, respetivamente. Em espécies infestantes como a língua-de-ovelha (Plantago lanceolata), a germinação foi completamente inibida na presença de 1000 μg/mL de mP.EE70 e de Cr18.EE70 e não houve desenvolvimento da parte aérea nas concentrações de 500 e 1000 μg/mL. No ensaio ex situ com maçãs pré-tratadas por imersão em RE23.WE, inoculadas com o fungo Penicillium expansum e mantidas a 16 °C, foi a menor concentração testada, 2000 μg/mL, a apresentar a maior redução do tamanho da lesão (RTL) - cerca de 24 % - após 14 dias. Conclui-se que extratos hidroalcoólicos de própolis e aquosos de resíduos resultantes de extração hidroalcoólica de própolis (que seriam descartáveis) demonstram boa eficácia como biopesticidas, tanto em ensaios in vitro quanto in vivo/ex situ, podendo proporcionar uma alternativa mais segura aos fungicidas e herbicidas convencionais. Essa abordagem pode ajudar a reduzir o desperdício alimentar, aumentar a rentabilidade das explorações agrícolas e valorizar o setor apícola em Portugal, promovendo uma agricultura mais sustentável e alimentos mais saudáveis. |
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| Autores principais: | Mendes, Nuno Rafael Gonçalves |
| Assunto: | Bioatividades Economia circular Maçãs Resíduos de própolis Apples Bioactivities Circular economy Propolis residues |
| Ano: | 2024 |
| País: | Portugal |
| Tipo de documento: | dissertação de mestrado |
| Tipo de acesso: | acesso embargado |
| Instituição associada: | Universidade do Minho |
| Idioma: | português |
| Origem: | RepositóriUM - Universidade do Minho |
| Resumo: | O própolis, produzido pelas abelhas a partir de exsudados vegetais, possui propriedades biológicas relevantes, em particular a antimicrobiana, tornando-se uma alternativa promissora no controlo de doenças fúngicas em culturas como a maçã. Embora eficazes, os pesticidas sintéticos, fungicidas e herbicidas, usados atualmente comportam riscos ambientais, problemas de saúde e exercem pressão seletiva para o aparecimento de resistências nos patógenos. Por ser natural e seguro, o própolis pode reduzir a dependência de agrotóxicos, promovendo uma agricultura mais sustentável, produtos e agrossistemas mais saudáveis, diminuindo perdas e apoiando uma bioeconomia circular. Neste contexto, estudou-se o potencial biopesticida deste produto natural utilizando quatro extratos – três hidroalcoólicos obtidos de própolis (mP.EE70, Cr18.EE70, G23.EE70) e um aquoso obtido de resíduos resultantes de extração hidroalcoólica de própolis (RE23.WE). Todos apresentaram atividade antibacteriana contra Bacillus subtilis (50 < MIC < 1500 μg/mL), mas menor eficácia contra Bacillus megaterium e Escherichia coli (MIC > 2000 μg/mL). Contra o oomicete fitopatogénico Phytophthora cinnamomi, mP.EE70 e Cr18.EE70 induziram 90 % de inibição nas concentrações de 1000-2000 μg/mL, bem como o RE23.WE a 2000 μg/mL, apresentando G23.EE70 inibições inferiores. RE23.WE foi o mais eficaz contra o fungo Botrytis cinerea, com 66 % de inibição a 2000 μg/mL, superior a qualquer extrato hidroalcoólico testado. Relativamente à fitotoxicidade in vitro dos extratos em espécies cultivadas modelo foi observado que, na mostarda (Sinapis alba), em que raiz foi o órgão mais sensível, enquanto com G23.EE70 se recuperaram os efeitos inibitórios do solvente em todas as concentrações, com RE23.WE as reduções de crescimento foram muito acentuadas, para cerca de 72 % e 92 % do controlo a 500 e 1000 μg/mL, respetivamente. Em espécies infestantes como a língua-de-ovelha (Plantago lanceolata), a germinação foi completamente inibida na presença de 1000 μg/mL de mP.EE70 e de Cr18.EE70 e não houve desenvolvimento da parte aérea nas concentrações de 500 e 1000 μg/mL. No ensaio ex situ com maçãs pré-tratadas por imersão em RE23.WE, inoculadas com o fungo Penicillium expansum e mantidas a 16 °C, foi a menor concentração testada, 2000 μg/mL, a apresentar a maior redução do tamanho da lesão (RTL) - cerca de 24 % - após 14 dias. Conclui-se que extratos hidroalcoólicos de própolis e aquosos de resíduos resultantes de extração hidroalcoólica de própolis (que seriam descartáveis) demonstram boa eficácia como biopesticidas, tanto em ensaios in vitro quanto in vivo/ex situ, podendo proporcionar uma alternativa mais segura aos fungicidas e herbicidas convencionais. Essa abordagem pode ajudar a reduzir o desperdício alimentar, aumentar a rentabilidade das explorações agrícolas e valorizar o setor apícola em Portugal, promovendo uma agricultura mais sustentável e alimentos mais saudáveis. |
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