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Avaliação do efeito de extratos de própolis português contra agentes fitopatogénicos

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Detalhes bibliográficos
Resumo:O própolis é um produto natural resinoso elaborado por abelhas, maioritariamente da espécie Apis mellifera L., a partir de exsudados vegetais. Com uma composição química muito diversa, que inclui numerosos compostos fenólicos bioativos, poderá constituir uma alternativa promissora aos pesticidas sintéticos que acarretam sérios riscos para o meio ambiente e a saúde humana. A nível nacional, apesar da crescente procura por diversas indústrias, o própolis é um produto apícola ainda frequentemente subvalorizado pelos apicultores. O própolis português que tem sido estudado pelo nosso grupo de investigação exibe propriedades antimicrobianas, antioxidantes e fitotóxicas. Contudo, o estudo de amostras provenientes do sul do país e o potencial de própolis contra agentes fitopatogénicos são abordagens ainda muito recentes, sendo ambas objeto deste trabalho. Prepararam-se extratos etanólicos de sete amostras de própolis recolhidas em 2016 no Baixo Alentejo, a escalas distintas: a micro-extração (miEEs: A16.miEE, GZ16.miEE, MA16.miEE, VCs16.miEE, VCm16.miEE, VF16.miEE e VP16.miEE) para rastreio da atividade antimicrobiana dos miEEs contra um painel de bactérias e leveduras fitopatogénicas; e a macro-extração da amostra com maior potencial antimicrobiano (A16.EE) para determinação da sua composição química, atividade antiradicalar, fitotóxica e antifúngica contra fungos filamentosos fitopatogénicos, com vista à aplicação de própolis português, nomeadamente do Alentejo, em formulações de pesticidas biológicos. A micro-extração etanólica, assistida por ultrassons, demonstrou ser uma alternativa à macro-extração, principalmente útil em fases de rastreio de amostras. Em termos de atividade antimicrobiana, os miEEs, no geral, foram mais ativos contra as bactérias Bacillus subtilis e Pseudomonas savastanoi pv. savastanoi (100 ≤ MIC ≤ 500 μg/mL) do que contra as leveduras testadas (estirpes de Cryptococcus neoformans, C. gattii e Saccharomyces cerevisiae; MIC ≥ 500 μg/mL). O teor em compostos fenólicos totais (89,58 ± 3,49 mg EAG/g extrato) e atividade antiradicalar (EC50 = 33,5 ± 0,83 μg/mL) determinada pelo método DPPH, estão em linha com os valores reportados para própolis português do tipo incomum, no qual A16 possivelmente se enquadra. A16.EE (500 a 2000 μg/mL) inibiu o crescimento micelial das cinco espécies de fungos filamentosos, sendo Phytophthora cinnamomi e Biscogniauxia mediterranea as mais suscetíveis e Colletotrichum acutatum a menos sensível. O modelo matemático de Gompertz revelou-se adequado para descrever o perfil de crescimento micelial de fungos filamentosos e os seus parâmetros permitem um elevado poder discriminante em ensaios de atividade antimicrobiana. Relativamente à atividade fitotóxica, A16.EE (250 a 2000 μg/mL) inibiu expressivamente o crescimento dos três órgãos primários das plântulas de linho, um resultado que sugere a possibilidade da sua inclusão em formulações de bioherbicidas. Globalmente, estes resultados revelam que a produção de própolis é uma mais-valia, permitindo aos apicultores rentabilizar e diversificar as suas explorações apícolas.
Autores principais:Passão, Catarina Isabel Azevedo Pereira
Assunto:Atividade antimicrobiana Atividade antioxidante Atividade fitotóxica Biopesticidas Própolis Antimicrobial activity Antioxidant activity Biological pesticides Phytotoxic activity
Ano:2021
País:Portugal
Tipo de documento:dissertação de mestrado
Tipo de acesso:acesso aberto
Instituição associada:Universidade do Minho
Idioma:português
Origem:RepositóriUM - Universidade do Minho
Descrição
Resumo:O própolis é um produto natural resinoso elaborado por abelhas, maioritariamente da espécie Apis mellifera L., a partir de exsudados vegetais. Com uma composição química muito diversa, que inclui numerosos compostos fenólicos bioativos, poderá constituir uma alternativa promissora aos pesticidas sintéticos que acarretam sérios riscos para o meio ambiente e a saúde humana. A nível nacional, apesar da crescente procura por diversas indústrias, o própolis é um produto apícola ainda frequentemente subvalorizado pelos apicultores. O própolis português que tem sido estudado pelo nosso grupo de investigação exibe propriedades antimicrobianas, antioxidantes e fitotóxicas. Contudo, o estudo de amostras provenientes do sul do país e o potencial de própolis contra agentes fitopatogénicos são abordagens ainda muito recentes, sendo ambas objeto deste trabalho. Prepararam-se extratos etanólicos de sete amostras de própolis recolhidas em 2016 no Baixo Alentejo, a escalas distintas: a micro-extração (miEEs: A16.miEE, GZ16.miEE, MA16.miEE, VCs16.miEE, VCm16.miEE, VF16.miEE e VP16.miEE) para rastreio da atividade antimicrobiana dos miEEs contra um painel de bactérias e leveduras fitopatogénicas; e a macro-extração da amostra com maior potencial antimicrobiano (A16.EE) para determinação da sua composição química, atividade antiradicalar, fitotóxica e antifúngica contra fungos filamentosos fitopatogénicos, com vista à aplicação de própolis português, nomeadamente do Alentejo, em formulações de pesticidas biológicos. A micro-extração etanólica, assistida por ultrassons, demonstrou ser uma alternativa à macro-extração, principalmente útil em fases de rastreio de amostras. Em termos de atividade antimicrobiana, os miEEs, no geral, foram mais ativos contra as bactérias Bacillus subtilis e Pseudomonas savastanoi pv. savastanoi (100 ≤ MIC ≤ 500 μg/mL) do que contra as leveduras testadas (estirpes de Cryptococcus neoformans, C. gattii e Saccharomyces cerevisiae; MIC ≥ 500 μg/mL). O teor em compostos fenólicos totais (89,58 ± 3,49 mg EAG/g extrato) e atividade antiradicalar (EC50 = 33,5 ± 0,83 μg/mL) determinada pelo método DPPH, estão em linha com os valores reportados para própolis português do tipo incomum, no qual A16 possivelmente se enquadra. A16.EE (500 a 2000 μg/mL) inibiu o crescimento micelial das cinco espécies de fungos filamentosos, sendo Phytophthora cinnamomi e Biscogniauxia mediterranea as mais suscetíveis e Colletotrichum acutatum a menos sensível. O modelo matemático de Gompertz revelou-se adequado para descrever o perfil de crescimento micelial de fungos filamentosos e os seus parâmetros permitem um elevado poder discriminante em ensaios de atividade antimicrobiana. Relativamente à atividade fitotóxica, A16.EE (250 a 2000 μg/mL) inibiu expressivamente o crescimento dos três órgãos primários das plântulas de linho, um resultado que sugere a possibilidade da sua inclusão em formulações de bioherbicidas. Globalmente, estes resultados revelam que a produção de própolis é uma mais-valia, permitindo aos apicultores rentabilizar e diversificar as suas explorações apícolas.