Publicação
Vitórias e derrotas dos territórios do futebol em Portugal (1934-2024)
| Resumo: | O futebol está profundamente enraizado na sociedade, tanto a nível nacional como internacional. Este desporto, tal como o conhecemos nos dias de hoje, surgiu na Inglaterra em 1863, e desde então expandiu-se rapidamente para todos os continentes. Os efeitos do futebol fazem-se sentir a nível social, económico e cultural. Contudo, e na perspetiva inversa, também pode ser importante, aferir se o futebol pode ser afetado positiva ou negativamente pelas características socioeconómicas locais. Com esta questão em mente, surgiu a ideia de retomar o trabalho de Jorge Gaspar, Fernando Honório, Jorge Honório e José Manuel Simões publicado em 1982 na revista Finisterra, que estudou a distribuição de clubes na 1ª, 2ª e 3ª divisão em Portugal, e que concluiu que a presença de equipas acompanhava o desenvolvimento urbano-industrial do país. O objetivo principal da investigação é identificar os fatores que poderão explicar a distribuição geográfica, por município, das equipas portuguesas, que disputaram os campeonatos das 1ª e 2ª divisões, desde 1934 até 2024. Em concreto, partindo do levantamento e tratamento dos dados disponíveis no site zerozero.pt, pretende-se analisar evolução da distribuição espacial das equipas de futebol que disputaram os campeonatos da 1ª divisão (1934/35 - 2023/24) e da 2ª divisão (1950/51 -2023/24), assim como identificar os fatores que poderão explicar o facto de determinados municípios portugueses terem em permanência equipas de futebol na 1ª ou na 2ª divisão, enquanto outros nunca registaram nenhuma presença. Os indicadores considerados foram: população residente e respetiva taxa de variação; população jovem; população empregada no setor primário, secundário e terciário; e o poder de compra municipal. Os resultados obtidos colocam em evidência que a distribuição espacial das equipas tem acompanhado, de forma geral, o desenvolvimento socioeconómico do país, sobretudo até aos anos 90 do século XX, com presenças dispersas por todo o país nos anos 50 a 90, mas focando-se nos anos mais recentes no litoral do país, tal como o constatado por Gaspar et al (1982). A importância dos diferentes fatores socioeconómicos associados à presença das equipas nos campeonatos da 1ª e da 2ª divisão varia significativamente ao longo das décadas, atenuando-se a partir de 1990. A população residente por município sobressai como o fator com maior correlação (positiva) com a presença de equipas, enquanto a população jovem passa de uma relação negativa para positiva a partir dos anos 70. A população empregada no setor secundário e no setor terciário detém maior relevância nos anos 50, 60 e 70 do século XX. Em sentido oposto, a população empregada no setor primário apresenta uma clara relação negativa com a presença de equipas de futebol da 1ª e 2ª divisão. O poder de compra por município também se revelou um fator importante na explicação, contudo apenas se dispõe de informação a partir de 1993. Neste contexto, o futebol emerge como um espelho das dinâmicas socio espaciais de Portugal, revelando a estreita articulação entre geografia, território e desporto. |
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| Autores principais: | Correia, Rui Filipe Duarte |
| Assunto: | Geografia do Desporto Futebol Sistemas de Informação Geográfica (SIG) Estatística Espacial Geography of Sport Football Geographic Information Systems (GIS) Spatial Statistics Ciências Sociais::Geografia Económica e Social |
| Ano: | 2025 |
| País: | Portugal |
| Tipo de documento: | dissertação de mestrado |
| Tipo de acesso: | acesso aberto |
| Instituição associada: | Universidade do Minho |
| Idioma: | português |
| Origem: | RepositóriUM - Universidade do Minho |
| Resumo: | O futebol está profundamente enraizado na sociedade, tanto a nível nacional como internacional. Este desporto, tal como o conhecemos nos dias de hoje, surgiu na Inglaterra em 1863, e desde então expandiu-se rapidamente para todos os continentes. Os efeitos do futebol fazem-se sentir a nível social, económico e cultural. Contudo, e na perspetiva inversa, também pode ser importante, aferir se o futebol pode ser afetado positiva ou negativamente pelas características socioeconómicas locais. Com esta questão em mente, surgiu a ideia de retomar o trabalho de Jorge Gaspar, Fernando Honório, Jorge Honório e José Manuel Simões publicado em 1982 na revista Finisterra, que estudou a distribuição de clubes na 1ª, 2ª e 3ª divisão em Portugal, e que concluiu que a presença de equipas acompanhava o desenvolvimento urbano-industrial do país. O objetivo principal da investigação é identificar os fatores que poderão explicar a distribuição geográfica, por município, das equipas portuguesas, que disputaram os campeonatos das 1ª e 2ª divisões, desde 1934 até 2024. Em concreto, partindo do levantamento e tratamento dos dados disponíveis no site zerozero.pt, pretende-se analisar evolução da distribuição espacial das equipas de futebol que disputaram os campeonatos da 1ª divisão (1934/35 - 2023/24) e da 2ª divisão (1950/51 -2023/24), assim como identificar os fatores que poderão explicar o facto de determinados municípios portugueses terem em permanência equipas de futebol na 1ª ou na 2ª divisão, enquanto outros nunca registaram nenhuma presença. Os indicadores considerados foram: população residente e respetiva taxa de variação; população jovem; população empregada no setor primário, secundário e terciário; e o poder de compra municipal. Os resultados obtidos colocam em evidência que a distribuição espacial das equipas tem acompanhado, de forma geral, o desenvolvimento socioeconómico do país, sobretudo até aos anos 90 do século XX, com presenças dispersas por todo o país nos anos 50 a 90, mas focando-se nos anos mais recentes no litoral do país, tal como o constatado por Gaspar et al (1982). A importância dos diferentes fatores socioeconómicos associados à presença das equipas nos campeonatos da 1ª e da 2ª divisão varia significativamente ao longo das décadas, atenuando-se a partir de 1990. A população residente por município sobressai como o fator com maior correlação (positiva) com a presença de equipas, enquanto a população jovem passa de uma relação negativa para positiva a partir dos anos 70. A população empregada no setor secundário e no setor terciário detém maior relevância nos anos 50, 60 e 70 do século XX. Em sentido oposto, a população empregada no setor primário apresenta uma clara relação negativa com a presença de equipas de futebol da 1ª e 2ª divisão. O poder de compra por município também se revelou um fator importante na explicação, contudo apenas se dispõe de informação a partir de 1993. Neste contexto, o futebol emerge como um espelho das dinâmicas socio espaciais de Portugal, revelando a estreita articulação entre geografia, território e desporto. |
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