Publicação

Para os jornais a mulher importa, desde que morta: a violência contra as mulheres na mídia

Ver documento

Detalhes bibliográficos
Resumo:Esta tese doutoral em ciências da comunicação versa sobre a representação midiática da violência doméstica contra mulheres no Brasil. Tem como objetivo principal o estudo da cobertura midiática realizada por parte de um jornal diário generalista – Tribuna do Norte. Descreve como veicula as situações de violência doméstica contra as mulheres em períodos de avanços legislativos – Lei Maria da Penha (Lei nº 11.340) e Lei do Feminicídio (Lei nº 13.104). Providenciando uma análise sobre a cobertura jornalística do fenômeno, almeja-se, também, instigar o debate público sobre o quadro alarmante desse tipo de violência no Rio Grande do Norte e a necessidade de aprofundar as políticas públicas e práticas legislativas e judiciais, envolvendo a mídia como agente mobilizador do debate público. O estudo envolve a pesquisa documental e a análise de conteúdo aplicada a 122 peças jornalísticas sobre violência doméstica publicadas nos jornais de 2005, 2006, 2007 e 2015. Inclui, ainda, informação obtida através de análise temática por via de entrevistas exploratórias realizadas no decorrer da investigação a atores-chave, cuja experiência profissional se tornou relevante para o aprofundamento das dimensões de análise. A violência tem sido um assunto de destaque midiático constante. A violência doméstica contra as mulheres, por outro lado, tem sido invisibilizada e banalizada, sendo levada à pauta midiática em situações extremas e incomuns, que possam gerar comoção e audiência. As conclusões situam-se na esteira de estudos existentes que assinalam a tendência da mídia em criar narrativas espetaculares dos fenômenos sociais, designadamente o crime, assim como dos estudos que revelam ser a violência doméstica um tema que se demarca pela ausência ou reduzida cultura científica, por parte da mídia. Verifica-se o predomínio de um enquadramento noticioso episódico, focado na narrativa de casos dramáticos e fatais. A violência doméstica cotidiana contra as mulheres foi pouco debatida. Estas conclusões permitem inferir a existência de desarticulação entre os poderes executivo, judiciário e legislativo e da imprensa, quanto às políticas públicas de combate à violência contra as mulheres. Não obstante, a pesquisa também confirma algum progresso quanto ao tipo de enquadramento noticioso, constatando-se a influência dos avanços legislativos em direção a uma cobertura menos episódica.
Autores principais:Fernandes, Brenda Camilli Alves
Assunto:Imprensa potiguar Leis Violência doméstica contra as mulheres Press “potiguar” Laws Domestic violence Against women
Ano:2022
País:Portugal
Tipo de documento:tese de doutoramento
Tipo de acesso:acesso aberto
Instituição associada:Universidade do Minho
Idioma:português
Origem:RepositóriUM - Universidade do Minho
Descrição
Resumo:Esta tese doutoral em ciências da comunicação versa sobre a representação midiática da violência doméstica contra mulheres no Brasil. Tem como objetivo principal o estudo da cobertura midiática realizada por parte de um jornal diário generalista – Tribuna do Norte. Descreve como veicula as situações de violência doméstica contra as mulheres em períodos de avanços legislativos – Lei Maria da Penha (Lei nº 11.340) e Lei do Feminicídio (Lei nº 13.104). Providenciando uma análise sobre a cobertura jornalística do fenômeno, almeja-se, também, instigar o debate público sobre o quadro alarmante desse tipo de violência no Rio Grande do Norte e a necessidade de aprofundar as políticas públicas e práticas legislativas e judiciais, envolvendo a mídia como agente mobilizador do debate público. O estudo envolve a pesquisa documental e a análise de conteúdo aplicada a 122 peças jornalísticas sobre violência doméstica publicadas nos jornais de 2005, 2006, 2007 e 2015. Inclui, ainda, informação obtida através de análise temática por via de entrevistas exploratórias realizadas no decorrer da investigação a atores-chave, cuja experiência profissional se tornou relevante para o aprofundamento das dimensões de análise. A violência tem sido um assunto de destaque midiático constante. A violência doméstica contra as mulheres, por outro lado, tem sido invisibilizada e banalizada, sendo levada à pauta midiática em situações extremas e incomuns, que possam gerar comoção e audiência. As conclusões situam-se na esteira de estudos existentes que assinalam a tendência da mídia em criar narrativas espetaculares dos fenômenos sociais, designadamente o crime, assim como dos estudos que revelam ser a violência doméstica um tema que se demarca pela ausência ou reduzida cultura científica, por parte da mídia. Verifica-se o predomínio de um enquadramento noticioso episódico, focado na narrativa de casos dramáticos e fatais. A violência doméstica cotidiana contra as mulheres foi pouco debatida. Estas conclusões permitem inferir a existência de desarticulação entre os poderes executivo, judiciário e legislativo e da imprensa, quanto às políticas públicas de combate à violência contra as mulheres. Não obstante, a pesquisa também confirma algum progresso quanto ao tipo de enquadramento noticioso, constatando-se a influência dos avanços legislativos em direção a uma cobertura menos episódica.