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A prestação simultânea de serviços de auditoria e de non-audit services e a independência dos auditores: perceção dos membros do órgão de fiscalização das empresas auditadas

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Resumo:Esta dissertação foi desenvolvida no contexto português, tendo por base a investigação realizada na Alemanha por Meuwissen e Quick (2019). O objetivo consiste em analisar a perceção dos membros do órgão de fiscalização das empresas portuguesas acerca do impacto da prestação simultânea de serviços de auditoria e de non-audit services na independência dos auditores. Os resultados revelam que a maioria dos entrevistados percecionam não existir um impacto negativo da prestação simultânea de serviços de auditoria e de non-audit services na independência dos auditores, tendo em conta a regulamentação existente e a pressão exercida sobre os auditores, bem como a própria consciencialização dos auditores para a importância da independência. Este resultado é contrário à evidência recolhida por Meuwissen e Quick (2019), mas corrobora a visão de alguns estudos prévios que concluem que a prestação simultânea desses serviços não compromete a independência dos auditores nem a qualidade da auditoria. Relativamente aos fatores que podem mediar/influenciar a relação da prestação simultânea de serviços de auditoria e de non-audit services e a independência do auditor, os entrevistados referem: 1) o knowledge spillover; 2) a dimensão da empresa de auditoria e da entidade auditada; 3) a familiaridade entre o auditor e a empresa cliente, e 4) a rotatividade do auditor. Estes fatores são também evidenciados pela literatura da área. A visão dos membros do órgão de fiscalização acerca do impacto na independência do auditor dos diferentes tipos de non-audit services prestados à entidade auditada é consensual apenas em relação aos serviços de contabilidade. Em relação aos serviços de consultoria fiscal, para alguns entrevistados, a prestação desses serviços em simultâneo com a auditoria é percebida como uma ameaça real à independência do auditor (visão consistente com Meuwissen e Quick (2019)), mas para outros, reflete um valor acrescido para a empresa cliente e não afeta a independência do auditor (visão consistente com os resultados de alguns estudos prévios). A prestação simultânea de serviços de auditoria e de consultoria de recursos humanos, foi apenas referida por um entrevistado, sendo vista como uma ameaça à independência do auditor, o que é consistente com Meuwissen e Quick (2019).
Autores principais:Alves, Liliana Alexandra Castro
Assunto:Independência Auditoria Non-audit services Órgão de fiscalização Independence Audit Supervisory body
Ano:2023
País:Portugal
Tipo de documento:dissertação de mestrado
Tipo de acesso:acesso aberto
Instituição associada:Universidade do Minho
Idioma:português
Origem:RepositóriUM - Universidade do Minho
Descrição
Resumo:Esta dissertação foi desenvolvida no contexto português, tendo por base a investigação realizada na Alemanha por Meuwissen e Quick (2019). O objetivo consiste em analisar a perceção dos membros do órgão de fiscalização das empresas portuguesas acerca do impacto da prestação simultânea de serviços de auditoria e de non-audit services na independência dos auditores. Os resultados revelam que a maioria dos entrevistados percecionam não existir um impacto negativo da prestação simultânea de serviços de auditoria e de non-audit services na independência dos auditores, tendo em conta a regulamentação existente e a pressão exercida sobre os auditores, bem como a própria consciencialização dos auditores para a importância da independência. Este resultado é contrário à evidência recolhida por Meuwissen e Quick (2019), mas corrobora a visão de alguns estudos prévios que concluem que a prestação simultânea desses serviços não compromete a independência dos auditores nem a qualidade da auditoria. Relativamente aos fatores que podem mediar/influenciar a relação da prestação simultânea de serviços de auditoria e de non-audit services e a independência do auditor, os entrevistados referem: 1) o knowledge spillover; 2) a dimensão da empresa de auditoria e da entidade auditada; 3) a familiaridade entre o auditor e a empresa cliente, e 4) a rotatividade do auditor. Estes fatores são também evidenciados pela literatura da área. A visão dos membros do órgão de fiscalização acerca do impacto na independência do auditor dos diferentes tipos de non-audit services prestados à entidade auditada é consensual apenas em relação aos serviços de contabilidade. Em relação aos serviços de consultoria fiscal, para alguns entrevistados, a prestação desses serviços em simultâneo com a auditoria é percebida como uma ameaça real à independência do auditor (visão consistente com Meuwissen e Quick (2019)), mas para outros, reflete um valor acrescido para a empresa cliente e não afeta a independência do auditor (visão consistente com os resultados de alguns estudos prévios). A prestação simultânea de serviços de auditoria e de consultoria de recursos humanos, foi apenas referida por um entrevistado, sendo vista como uma ameaça à independência do auditor, o que é consistente com Meuwissen e Quick (2019).