Publicação
Ondas de calor, vulnerabilidade e risco da população envelhecida em Portugal Continental (2000-2020)
| Resumo: | A ocorrência de ondas de calor, tem sido alvo de discussão, cada vez mais recorrente em Portugal e no mundo, no contexto das alterações climáticas. A exposição a temperaturas extremas tem fortes impactes na saúde e origina aumentos na mortalidade da população, dependendo da duração, intensidade e frequência das ondas de calor, bem como da vulnerabilidade de certos grupos demográficos e socioeconómicos, de que se destacam os idosos (65 ou mais anos). A principal causa de morte diretamente atribuível ao calor é o golpe de calor, no entanto a ocorrência de uma onda de calor pode provocar um aumento da mortalidade por todas as causas, particularmente por doenças circulatórias, respiratórias, cerebrovasculares, digestivas e diabetes. O objetivo principal deste trabalho foi o de estabelecer a relação espacial entre a ocorrência de ondas de calor nos meses de verão, a vulnerabilidade socioeconómica da população envelhecida e idosa (65 anos ou mais), e o excesso de óbitos neste grupo etário durante esses meses, nos últimos vinte anos (de 2003 a 2020), ao nível das NUTS III, com base num Sistema de Informação Geográfica (SIG). As regiões do Interior Norte e Centro destacaram-se claramente das restantes do território continental pela maior frequência e duração das ondas de calor no verão, entre 2003 e 2020. Estas mesmas regiões viram aumentar o peso dos idosos no conjunto da população residente, entre 2001 e 2018, estando atualmente entre aquelas em que se observa maior vulnerabilidade social (isolamento) e económica (poder de compra mais baixos) no âmbito deste grupo etário. O excesso de óbitos por doenças do aparelho circulatório e do aparelho respiratório, em especial nas mulheres idosas, relaciona-se significativamente com os episódios de ondas de calor ocorridos nos anos de análise de 2010 a 2018. As Áreas Metropolitanas de Lisboa e Porto surgem como mais problemáticas ou críticas no território nacional, uma vez que registaram simultaneamente um forte envelhecimento da população e um excesso de óbitos significativo relacionado com as ondas de calor nos períodos em análise. |
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| Autores principais: | Ildefonso, Inês Alexandra Teixeira |
| Assunto: | Ondas de calor Mortalidade Vulnerabilidade População envelhecida NUTS III Heat waves Mortality Vulnerability Aging population Ciências Sociais::Geografia Económica e Social |
| Ano: | 2022 |
| País: | Portugal |
| Tipo de documento: | dissertação de mestrado |
| Tipo de acesso: | acesso aberto |
| Instituição associada: | Universidade do Minho |
| Idioma: | português |
| Origem: | RepositóriUM - Universidade do Minho |
| Resumo: | A ocorrência de ondas de calor, tem sido alvo de discussão, cada vez mais recorrente em Portugal e no mundo, no contexto das alterações climáticas. A exposição a temperaturas extremas tem fortes impactes na saúde e origina aumentos na mortalidade da população, dependendo da duração, intensidade e frequência das ondas de calor, bem como da vulnerabilidade de certos grupos demográficos e socioeconómicos, de que se destacam os idosos (65 ou mais anos). A principal causa de morte diretamente atribuível ao calor é o golpe de calor, no entanto a ocorrência de uma onda de calor pode provocar um aumento da mortalidade por todas as causas, particularmente por doenças circulatórias, respiratórias, cerebrovasculares, digestivas e diabetes. O objetivo principal deste trabalho foi o de estabelecer a relação espacial entre a ocorrência de ondas de calor nos meses de verão, a vulnerabilidade socioeconómica da população envelhecida e idosa (65 anos ou mais), e o excesso de óbitos neste grupo etário durante esses meses, nos últimos vinte anos (de 2003 a 2020), ao nível das NUTS III, com base num Sistema de Informação Geográfica (SIG). As regiões do Interior Norte e Centro destacaram-se claramente das restantes do território continental pela maior frequência e duração das ondas de calor no verão, entre 2003 e 2020. Estas mesmas regiões viram aumentar o peso dos idosos no conjunto da população residente, entre 2001 e 2018, estando atualmente entre aquelas em que se observa maior vulnerabilidade social (isolamento) e económica (poder de compra mais baixos) no âmbito deste grupo etário. O excesso de óbitos por doenças do aparelho circulatório e do aparelho respiratório, em especial nas mulheres idosas, relaciona-se significativamente com os episódios de ondas de calor ocorridos nos anos de análise de 2010 a 2018. As Áreas Metropolitanas de Lisboa e Porto surgem como mais problemáticas ou críticas no território nacional, uma vez que registaram simultaneamente um forte envelhecimento da população e um excesso de óbitos significativo relacionado com as ondas de calor nos períodos em análise. |
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