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Emotional voice perception and its relationship with hallucination predisposition: an ERP investigation

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Resumo:Enquadramento: Alterações do processamento sensorial e cognitivo de emoções vocais têm sido associadas a alucinações verbais auditivas (AVA) nas perturbações psicóticas. No entanto, permanece por esclarecer se uma relação semelhante ocorre em indivíduos com elevada propensão para alucinações (PA). Um processamento emocional vocal alterado em indivíduos com elevada PA suportaria a hipótese do continuum da psicose. Objetivo: Esta Dissertação tem como objetivo principal investigar os correlatos eletrofisiológicos do processamento emocional vocal em indivíduos com elevada PA, e especificar as contribuições da valência e de pistas acústicas dos estímulos. Para garantir rigor no processo de avaliação do processamento emocional vocal com potenciais evocados (PE), dois estudos adicionais precederam os estudos de PE. Assim, foram realizados um total de quatro estudos nesta Dissertação. O Estudo 1 procurou adaptar e validar a LSHS (16-itens), um instrumento de despiste para a presença de alucinações em indivíduos não-clínicos, para a população portuguesa, e descrever as características fenomenológicas das experiências alucinatórias numa amostra não-clínica portuguesa. O Estudo 2 teve como objetivo identificar a quantidade mínima de informação acústica necessária para o reconhecimento de emoções em vocalizações não-verbais, e validar um conjunto de vocalizações emocionais não-verbais com duração variada. Nos estudos 3 e 4 foram analisadas as características e a dinâmica de componentes dos PE para, respetivamente: 1) examinar o impacto da PA na perceção emocional vocal, e especificar se o curso temporal do processamento da voz é afetado por manipulações de intensidade e duração do som; 2) clarificar de que forma a emoção e atenção interagem durante o processamento da voz em função da propensão para AVA, e examinar as contribuições da valência e intensidade do estímulo. Resultados: No Estudo 1, a adaptação Portuguesa da LSHS (16-itens) revelou uma estrutura de três fatores. Pensamentos intrusivos ou vívidos e alucinações relacionadas com o sono foram o tipo mais comum de alucinações. Contudo, fundamentalmente percebidas como experiências positivas, todos os tipos de alucinações foram descritos como incontroláveis e dominantes. No Estudo 2, a quantidade de informação acústica necessária para o reconhecimento de vocalizações não-verbais variou de acordo com o tipo de emoção: alegria (266 ms), nojo (296 ms) e tristeza (305 ms) foram corretamente identificados a partir de estímulos mais curtos do que raiva (342 ms) e medo (367 ms). No Estudo 3, elevada PA esteve associada a uma diminuição da amplitude de N1 e a um aumento da amplitude de P2 em resposta a vocalizações neutras mais longas e de intensidade sonora mais elevada (vs. positivas), e também a um aumento da amplitude de LPP para vocalizações negativas mais intensas e longas (vs. neutras). Estes resultados sugerem que a representação de saliência acústica em emoções vocais poderá estar alterada em função da PA. No Estudo 4, a amplitude da P3b foi geralmente maior para alvos vocais em participantes especificamente com AVA, independentemente da valência e intensidade das vocalizações, o que sugere dificuldades em distinguir informações vocais salientes (emocionais; intensas) de não salientes (neutras; suaves). Conclusão: Os estudos de potenciais evocados suportam a hipótese de saliência aberrante da psicose e a hipótese do continuum da psicose.
Autores principais:Castiajo, Paula Maria Santos
Assunto:Alucinações verbais auditivas Emoção Potenciais evocados Propensão para alucinações Voz Auditory verbal hallucinations Emotion Event-related potentials Hallucination proneness Voice
Ano:2021
País:Portugal
Tipo de documento:tese de doutoramento
Tipo de acesso:acesso aberto
Instituição associada:Universidade do Minho
Idioma:inglês
Origem:RepositóriUM - Universidade do Minho
Descrição
Resumo:Enquadramento: Alterações do processamento sensorial e cognitivo de emoções vocais têm sido associadas a alucinações verbais auditivas (AVA) nas perturbações psicóticas. No entanto, permanece por esclarecer se uma relação semelhante ocorre em indivíduos com elevada propensão para alucinações (PA). Um processamento emocional vocal alterado em indivíduos com elevada PA suportaria a hipótese do continuum da psicose. Objetivo: Esta Dissertação tem como objetivo principal investigar os correlatos eletrofisiológicos do processamento emocional vocal em indivíduos com elevada PA, e especificar as contribuições da valência e de pistas acústicas dos estímulos. Para garantir rigor no processo de avaliação do processamento emocional vocal com potenciais evocados (PE), dois estudos adicionais precederam os estudos de PE. Assim, foram realizados um total de quatro estudos nesta Dissertação. O Estudo 1 procurou adaptar e validar a LSHS (16-itens), um instrumento de despiste para a presença de alucinações em indivíduos não-clínicos, para a população portuguesa, e descrever as características fenomenológicas das experiências alucinatórias numa amostra não-clínica portuguesa. O Estudo 2 teve como objetivo identificar a quantidade mínima de informação acústica necessária para o reconhecimento de emoções em vocalizações não-verbais, e validar um conjunto de vocalizações emocionais não-verbais com duração variada. Nos estudos 3 e 4 foram analisadas as características e a dinâmica de componentes dos PE para, respetivamente: 1) examinar o impacto da PA na perceção emocional vocal, e especificar se o curso temporal do processamento da voz é afetado por manipulações de intensidade e duração do som; 2) clarificar de que forma a emoção e atenção interagem durante o processamento da voz em função da propensão para AVA, e examinar as contribuições da valência e intensidade do estímulo. Resultados: No Estudo 1, a adaptação Portuguesa da LSHS (16-itens) revelou uma estrutura de três fatores. Pensamentos intrusivos ou vívidos e alucinações relacionadas com o sono foram o tipo mais comum de alucinações. Contudo, fundamentalmente percebidas como experiências positivas, todos os tipos de alucinações foram descritos como incontroláveis e dominantes. No Estudo 2, a quantidade de informação acústica necessária para o reconhecimento de vocalizações não-verbais variou de acordo com o tipo de emoção: alegria (266 ms), nojo (296 ms) e tristeza (305 ms) foram corretamente identificados a partir de estímulos mais curtos do que raiva (342 ms) e medo (367 ms). No Estudo 3, elevada PA esteve associada a uma diminuição da amplitude de N1 e a um aumento da amplitude de P2 em resposta a vocalizações neutras mais longas e de intensidade sonora mais elevada (vs. positivas), e também a um aumento da amplitude de LPP para vocalizações negativas mais intensas e longas (vs. neutras). Estes resultados sugerem que a representação de saliência acústica em emoções vocais poderá estar alterada em função da PA. No Estudo 4, a amplitude da P3b foi geralmente maior para alvos vocais em participantes especificamente com AVA, independentemente da valência e intensidade das vocalizações, o que sugere dificuldades em distinguir informações vocais salientes (emocionais; intensas) de não salientes (neutras; suaves). Conclusão: Os estudos de potenciais evocados suportam a hipótese de saliência aberrante da psicose e a hipótese do continuum da psicose.