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Vivências de agressividade e de violência: o que dizem crianças de uma escola infantil?

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Detalhes bibliográficos
Resumo:Esta pesquisa foi desenvolvida no âmbito do Doutoramento em Estudos da Criança, especialidade Infância, Cultura e Sociedade da Universidade do Minho e teve como objetivo geral compreender as concepções de violência que as crianças constroem, por meio das relações que estabelecem na escola infantil com outras crianças e com o(s) professor(es). Pesquisar a criança e seus contextos de vida, a partir da sua voz, permite ao pesquisador conhecer um universo diferente do mundo adulto e reconhecer outros sentidos atribuídos a ações e momentos vividos nos quotidianos infantis. Para alcançar o objetivo traçado foi desenvolvida uma pesquisa de natureza qualitativa, cujo método foi o estudo de caso de natureza etnográfica, alicerçado na observação participante e em técnicas visuais. Justificamos o desenvolvimento do presente trabalho pela importância em discutir sociologicamente as vivências no ambiente escolar, concebendo as crianças como sujeitos ativos de direitos e promovendo mudanças no procedimento e desenvolvimento de pesquisas em que elas sejam ouvidas e compreendidas que permitam compreender a criança no seu contexto cultural, enquanto ser ativo e participante da sociedade em que se encontra inserida. Este estudo discute sobre a violência na escola infantil, partindo da ação das crianças e de elementos teóricos que refletiram a violência na contemporaneidade, os aspetos sociais da violência que influenciam a vida familiar e escolar das crianças e as ocorrências em uma escola brasileira e trouxe elementos para o aprofundamento das discussões sobre as brincadeiras ludoagressivas e as ações de bullying na escola. Alicerçados no desenvolvimento de nossa pesquisa com dados primários foi possível alcançarmos nossos objetivos, sendo que primeiramente, ao responder ao objetivo geral do estudo compreendemos que as concepções de violência construídas pelas crianças, têm relação com a experiência e convivência familiar, bem como, com as relações na escola. Os dados recolhidos, junto às crianças da Escola Municipal de Educação Básica Professora Dulcineia Cascão Barbosa, permitiram concluir que as crianças da pesquisa, utilizam a representatividade dos super-heróis para a demonstração de força e luta pelo poder, buscando o domínio do outro, com representação de heróis como Wolverine, Homem de Ferro e Hulk não como sujeitos bons que buscam cuidar das pessoas e salvar o mundo, mas, como seres superiores que evocam seus poderes para dominar, bater, machucar ou matar. Concluímos que em suas vivências cotidianas, as crianças criam situações de “lutinhas” em que os heróis demonstram força e empoderamento, o que origina brincadeiras ludoagressivas, com ações de bater, xingar, dominar, desprezar e maltratar seus pares, sendo que o ambiente da escola torna-se o reflexo de suas vivências no ambiente familiar e social. Inclusive nas atividades e nas narrativas das crianças foram trazidas as situações de mãe matando alguém na internet; pai batendo na criança ou até na mãe, além de outras ações violentas, que são representadas na escola a partir do brincar ludoagressivo e do desafeto e desamor, enquanto elementos dificultadores da harmonização das relações e da pacificação do ambiente escolar em nome de um aprender significativo e de um vivenciar afetivo e harmonioso.
Autores principais:Souza, Gislene Cabral de
Assunto:Brincadeiras ludoagressivas Concepções de violência das crianças Educação Infantil Etnografia com crianças Vivências de agressividade e de violência Ludoagressive games Conceptions of violence of children Early childhood education Ethnography with children Experiences of aggressiveness and violence
Ano:2023
País:Portugal
Tipo de documento:tese de doutoramento
Tipo de acesso:acesso aberto
Instituição associada:Universidade do Minho
Idioma:português
Origem:RepositóriUM - Universidade do Minho
Descrição
Resumo:Esta pesquisa foi desenvolvida no âmbito do Doutoramento em Estudos da Criança, especialidade Infância, Cultura e Sociedade da Universidade do Minho e teve como objetivo geral compreender as concepções de violência que as crianças constroem, por meio das relações que estabelecem na escola infantil com outras crianças e com o(s) professor(es). Pesquisar a criança e seus contextos de vida, a partir da sua voz, permite ao pesquisador conhecer um universo diferente do mundo adulto e reconhecer outros sentidos atribuídos a ações e momentos vividos nos quotidianos infantis. Para alcançar o objetivo traçado foi desenvolvida uma pesquisa de natureza qualitativa, cujo método foi o estudo de caso de natureza etnográfica, alicerçado na observação participante e em técnicas visuais. Justificamos o desenvolvimento do presente trabalho pela importância em discutir sociologicamente as vivências no ambiente escolar, concebendo as crianças como sujeitos ativos de direitos e promovendo mudanças no procedimento e desenvolvimento de pesquisas em que elas sejam ouvidas e compreendidas que permitam compreender a criança no seu contexto cultural, enquanto ser ativo e participante da sociedade em que se encontra inserida. Este estudo discute sobre a violência na escola infantil, partindo da ação das crianças e de elementos teóricos que refletiram a violência na contemporaneidade, os aspetos sociais da violência que influenciam a vida familiar e escolar das crianças e as ocorrências em uma escola brasileira e trouxe elementos para o aprofundamento das discussões sobre as brincadeiras ludoagressivas e as ações de bullying na escola. Alicerçados no desenvolvimento de nossa pesquisa com dados primários foi possível alcançarmos nossos objetivos, sendo que primeiramente, ao responder ao objetivo geral do estudo compreendemos que as concepções de violência construídas pelas crianças, têm relação com a experiência e convivência familiar, bem como, com as relações na escola. Os dados recolhidos, junto às crianças da Escola Municipal de Educação Básica Professora Dulcineia Cascão Barbosa, permitiram concluir que as crianças da pesquisa, utilizam a representatividade dos super-heróis para a demonstração de força e luta pelo poder, buscando o domínio do outro, com representação de heróis como Wolverine, Homem de Ferro e Hulk não como sujeitos bons que buscam cuidar das pessoas e salvar o mundo, mas, como seres superiores que evocam seus poderes para dominar, bater, machucar ou matar. Concluímos que em suas vivências cotidianas, as crianças criam situações de “lutinhas” em que os heróis demonstram força e empoderamento, o que origina brincadeiras ludoagressivas, com ações de bater, xingar, dominar, desprezar e maltratar seus pares, sendo que o ambiente da escola torna-se o reflexo de suas vivências no ambiente familiar e social. Inclusive nas atividades e nas narrativas das crianças foram trazidas as situações de mãe matando alguém na internet; pai batendo na criança ou até na mãe, além de outras ações violentas, que são representadas na escola a partir do brincar ludoagressivo e do desafeto e desamor, enquanto elementos dificultadores da harmonização das relações e da pacificação do ambiente escolar em nome de um aprender significativo e de um vivenciar afetivo e harmonioso.