Publicação
Nota de apresentação [Comunicação e política: tempos, contextos e desafios]
| Resumo: | [Excerto] Hope (2016) considera o capitalismo e a globalização características principais do tempo presente. Ambas se constituem enquanto estruturas temporais que ajudam a perceber a política e a sociedade. A temporalidade fragmentária, incerta e conflitual domina-as. As faces mais visíveis destas estruturas seriam a hegemonia, o conflito, a crise e a rutura persistente e contínua. Mas, entende o autor, este cenário está a mudar, em virtude das movimentações no espaço público e da afirmação de alguns debates políticos, cuja dinâmica participativa põe em causa aquelas assunções. Hope sugere que a comunicação, que se torna mais sincrónica e atuante em tempo real perante a política, contribui para o questionamento da temporalidade linear e potencialmente manipulativa das elites, em particular das governantes. O argumento do autor alicerça-se na ideia de que os média se constituem como atores escrutinadores da ação política por se disporem a intervir em tempo contínuo. São hábeis na antecipação e confronto da ação política e dos políticos (e das suas promessas). Acima de tudo, estes ficam contínua e persistentemente expostos ao poder do julgamento mediático. A política em Portugal está repleta de exemplos que plasmam esta potencialidade de os média atuarem “no” tempo ou “antes” do tempo político, construindo cenários de debate que influenciam a tomada de decisão política. A implementação do pagamento dos subsídios, as leis aplicáveis às reformas e às rendas, a regulação dos feriados, a taxa social única, as questões de nacionalização/privatização da banca, são disso exemplos. Evidenciam a grande probabilidade de as tomadas de decisão política, normalmente vertidas em propostas de legislação, serem divulgadas, sujeitas a debate e a comentário. E, principalmente alteradas (quase) em direto pelos próprios políticos confrontados com argumentos e críticas no momento em que anunciam as medidas ou a (mera) eventualidade destas. [...] |
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| Autores principais: | Araújo, Emília Rodrigues |
| Outros Autores: | Sousa, Helena; Moreira, Ana |
| Assunto: | Comunicação Política |
| Ano: | 2017 |
| País: | Portugal |
| Tipo de documento: | capítulo de livro |
| Tipo de acesso: | acesso aberto |
| Instituição associada: | Universidade do Minho |
| Idioma: | português |
| Origem: | RepositóriUM - Universidade do Minho |
| Resumo: | [Excerto] Hope (2016) considera o capitalismo e a globalização características principais do tempo presente. Ambas se constituem enquanto estruturas temporais que ajudam a perceber a política e a sociedade. A temporalidade fragmentária, incerta e conflitual domina-as. As faces mais visíveis destas estruturas seriam a hegemonia, o conflito, a crise e a rutura persistente e contínua. Mas, entende o autor, este cenário está a mudar, em virtude das movimentações no espaço público e da afirmação de alguns debates políticos, cuja dinâmica participativa põe em causa aquelas assunções. Hope sugere que a comunicação, que se torna mais sincrónica e atuante em tempo real perante a política, contribui para o questionamento da temporalidade linear e potencialmente manipulativa das elites, em particular das governantes. O argumento do autor alicerça-se na ideia de que os média se constituem como atores escrutinadores da ação política por se disporem a intervir em tempo contínuo. São hábeis na antecipação e confronto da ação política e dos políticos (e das suas promessas). Acima de tudo, estes ficam contínua e persistentemente expostos ao poder do julgamento mediático. A política em Portugal está repleta de exemplos que plasmam esta potencialidade de os média atuarem “no” tempo ou “antes” do tempo político, construindo cenários de debate que influenciam a tomada de decisão política. A implementação do pagamento dos subsídios, as leis aplicáveis às reformas e às rendas, a regulação dos feriados, a taxa social única, as questões de nacionalização/privatização da banca, são disso exemplos. Evidenciam a grande probabilidade de as tomadas de decisão política, normalmente vertidas em propostas de legislação, serem divulgadas, sujeitas a debate e a comentário. E, principalmente alteradas (quase) em direto pelos próprios políticos confrontados com argumentos e críticas no momento em que anunciam as medidas ou a (mera) eventualidade destas. [...] |
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