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Educação e desenvolvimento: racionalidades das políticas educativas no âmbito da cooperação portuguesa com Cabo Verde

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Summary:A tese aborda a relação entre educação e desenvolvimento no campo da cooperação internacional e tem como principal objetivo analisar as racionalidades presentes nas políticas educativas no contexto da cooperação portuguesa com Cabo Verde, com particular incidência na Educação Básica. O propósito é produzir um conhecimento mais aprofundado sobre a problemática da cooperação, de modo a que os resultados tenham relevância científica, mas também social e política, pensando na melhoria da educação em Cabo Verde. Em torno desta problemática enfatiza se a reconfiguração das políticas educativas no quadro da globalização e da interdependência local-global e as implicações nas lógicas da cooperação e do desenvolvimento. Com contributos das epistemologias do Sul e das teorias pós-coloniais e decoloniais, analisam-se as racionalidades dos atores políticos na conceção e implementação de programas e ações, assim como o modo como os atores sociais, estatais e não estatais, portugueses e cabo-verdianos, veem e participam nos mesmos, em termos políticos, organizacionais e técnicos. O estudo inclui uma perspetiva diacrónica que abrange um período de 50 anos, incluindo o contexto revolucionário de 1974 e o que se seguiu à independência. Com a descolonização, fechou-se o ciclo do império e abriu-se um novo ciclo, não só para Cabo Verde no contexto africano, como também para Portugal no contexto europeu. As relações entre os dois países tiveram continuidade, embora em novos moldes, à luz do princípio da reciprocidade inerente à cooperação internacional. Estaria deste modo encontrado o enquadramento para manter a presença de investimentos portugueses em Cabo Verde, assegurando simultaneamente a manutenção da língua portuguesa. Na sua origem, essa cooperação assentou essencialmente numa conceção assistencialista da solidariedade, tendo progressivamente acompanhado, no entanto, a evolução das políticas de cooperação internacional, e beneficiado do conhecimento teórico e empírico produzido neste campo. A própria filosofia da cooperação e os modelos e práticas de atuação foram sendo repensados, embora as racionalidades da cooperação entre os dois países tenham mantido ao longo do tempo um pendor unilateral e centralizado, baseando-se mais em normativos de Portugal do que numa lógica bilateral, descentralizada, contextualizada e emancipatória.
Main Authors:Gomes, Heiton Quintino Pires
Subject:Cabo Verde Desenvolvimento Cooperação Políticas educativas Racionalidades Descolonização Teorias pós-coloniais Cape Verde Development Cooperation Educational policies Rationalities Decolonisation Post-colonial theories
Year:2023
Country:Portugal
Document type:doctoral thesis
Access type:open access
Associated institution:Universidade do Minho
Language:Portuguese
Origin:RepositóriUM - Universidade do Minho
Description
Summary:A tese aborda a relação entre educação e desenvolvimento no campo da cooperação internacional e tem como principal objetivo analisar as racionalidades presentes nas políticas educativas no contexto da cooperação portuguesa com Cabo Verde, com particular incidência na Educação Básica. O propósito é produzir um conhecimento mais aprofundado sobre a problemática da cooperação, de modo a que os resultados tenham relevância científica, mas também social e política, pensando na melhoria da educação em Cabo Verde. Em torno desta problemática enfatiza se a reconfiguração das políticas educativas no quadro da globalização e da interdependência local-global e as implicações nas lógicas da cooperação e do desenvolvimento. Com contributos das epistemologias do Sul e das teorias pós-coloniais e decoloniais, analisam-se as racionalidades dos atores políticos na conceção e implementação de programas e ações, assim como o modo como os atores sociais, estatais e não estatais, portugueses e cabo-verdianos, veem e participam nos mesmos, em termos políticos, organizacionais e técnicos. O estudo inclui uma perspetiva diacrónica que abrange um período de 50 anos, incluindo o contexto revolucionário de 1974 e o que se seguiu à independência. Com a descolonização, fechou-se o ciclo do império e abriu-se um novo ciclo, não só para Cabo Verde no contexto africano, como também para Portugal no contexto europeu. As relações entre os dois países tiveram continuidade, embora em novos moldes, à luz do princípio da reciprocidade inerente à cooperação internacional. Estaria deste modo encontrado o enquadramento para manter a presença de investimentos portugueses em Cabo Verde, assegurando simultaneamente a manutenção da língua portuguesa. Na sua origem, essa cooperação assentou essencialmente numa conceção assistencialista da solidariedade, tendo progressivamente acompanhado, no entanto, a evolução das políticas de cooperação internacional, e beneficiado do conhecimento teórico e empírico produzido neste campo. A própria filosofia da cooperação e os modelos e práticas de atuação foram sendo repensados, embora as racionalidades da cooperação entre os dois países tenham mantido ao longo do tempo um pendor unilateral e centralizado, baseando-se mais em normativos de Portugal do que numa lógica bilateral, descentralizada, contextualizada e emancipatória.