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Voluntariado como expressão de dádiva: uma abordagem institucionalista do voluntariado da Delegação de Guimarães da Cruz Vermelha Portuguesa

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Resumo:O presente estudo discute o voluntariado na sua perspectiva formal e institucionalista. O objectivo é demonstrar que a prática do voluntariado é hoje tida como um fenómeno social em ascensão, promovida em diferentes quadrantes da sociedade e conotada como prática de cidadania activa, responsável e propiciadora de uma cultura de solidariedade social que se preocupa com os mais desfavorecidos. Simultaneamente, recorre-se à perspectiva Maussiana sobre a dádiva, exultando a emergência de um novo ciclo de relações pessoais e sociais assentes na obrigação dicotómica do Dar, Receber e Retribuir. Ou seja, tida como uma prática simbólica e minimamente materialista, a dádiva promove uma nova forma de estar nas relações interpessoais, convocando um sentimento de obrigação social colectiva em detrimento dos interesses individuais e da materialidade das trocas sociais. Assim, apresenta-se a base teórica para problematizar a crise e as incapacidades do Estado e do Mercado com a ascensão do Terceiro Sector, sustentada na força económica do voluntariado como expressão da dádiva. Isto é, procura-se perceber como a dádiva, enquanto essência da acção voluntária, preconiza uma rede de relações socioeconómicas, tidas como Economia da Dádiva, e lançam o Terceiro Sector para a ribalta dos poderes sociais, políticos e económicos. Para uma melhor compreensão da força do voluntariado, como expressão da dádiva, do seu peso e do seu papel neste novo paradigma de solidariedade social, de emergência do sector social, apresenta-se um estudo de caso com a Delegação de Guimarães da Cruz Vermelha Portuguesa, com uma amostra de 431 voluntários, onde conseguimos aferir o seu perfil sociodemográfico, percepcionar os determinantes, as motivações da sua acção voluntária e, sobretudo, analisar a importância e relevância do trabalho dinamizado por estes voluntários, na orgânica, na implementação dos projectos e nas respostas sociais desenvolvidas pela instituição. Um dos resultados obtidos corresponde ao perfil do voluntário da instituição que se caracteriza como sendo na sua maioria mulher, entre os 22 e os 50 anos de idade, solteira, sem filhos, com habilitações literárias entre o ensino secundário e superior, residente no tecido urbano do concelho de Guimarães e com uma actividade ocupacional nas áreas da saúde, edução e social. Avaliou-se, ainda, que entre 2009 e 2010 a DG CVP desenvolveu 30 projectos, envolveu directamente 196 voluntários e beneficiou 1622 pessoas na comunidade, espelhando o papel do voluntariando na economia social.
Autores principais:Fernandes, Armando Jorge Teixeira
Assunto:Voluntariado Dádiva Terceiro sector Institucionalismo Volunteering Gift Third sector Institucionalism
Ano:2011
País:Portugal
Tipo de documento:dissertação de mestrado
Tipo de acesso:acesso aberto
Instituição associada:Universidade do Minho
Idioma:português
Origem:RepositóriUM - Universidade do Minho
Descrição
Resumo:O presente estudo discute o voluntariado na sua perspectiva formal e institucionalista. O objectivo é demonstrar que a prática do voluntariado é hoje tida como um fenómeno social em ascensão, promovida em diferentes quadrantes da sociedade e conotada como prática de cidadania activa, responsável e propiciadora de uma cultura de solidariedade social que se preocupa com os mais desfavorecidos. Simultaneamente, recorre-se à perspectiva Maussiana sobre a dádiva, exultando a emergência de um novo ciclo de relações pessoais e sociais assentes na obrigação dicotómica do Dar, Receber e Retribuir. Ou seja, tida como uma prática simbólica e minimamente materialista, a dádiva promove uma nova forma de estar nas relações interpessoais, convocando um sentimento de obrigação social colectiva em detrimento dos interesses individuais e da materialidade das trocas sociais. Assim, apresenta-se a base teórica para problematizar a crise e as incapacidades do Estado e do Mercado com a ascensão do Terceiro Sector, sustentada na força económica do voluntariado como expressão da dádiva. Isto é, procura-se perceber como a dádiva, enquanto essência da acção voluntária, preconiza uma rede de relações socioeconómicas, tidas como Economia da Dádiva, e lançam o Terceiro Sector para a ribalta dos poderes sociais, políticos e económicos. Para uma melhor compreensão da força do voluntariado, como expressão da dádiva, do seu peso e do seu papel neste novo paradigma de solidariedade social, de emergência do sector social, apresenta-se um estudo de caso com a Delegação de Guimarães da Cruz Vermelha Portuguesa, com uma amostra de 431 voluntários, onde conseguimos aferir o seu perfil sociodemográfico, percepcionar os determinantes, as motivações da sua acção voluntária e, sobretudo, analisar a importância e relevância do trabalho dinamizado por estes voluntários, na orgânica, na implementação dos projectos e nas respostas sociais desenvolvidas pela instituição. Um dos resultados obtidos corresponde ao perfil do voluntário da instituição que se caracteriza como sendo na sua maioria mulher, entre os 22 e os 50 anos de idade, solteira, sem filhos, com habilitações literárias entre o ensino secundário e superior, residente no tecido urbano do concelho de Guimarães e com uma actividade ocupacional nas áreas da saúde, edução e social. Avaliou-se, ainda, que entre 2009 e 2010 a DG CVP desenvolveu 30 projectos, envolveu directamente 196 voluntários e beneficiou 1622 pessoas na comunidade, espelhando o papel do voluntariando na economia social.