Publicação

Fact-checking: uma prática recente em Portugal? Análise da perceção da audiência

Ver documento

Detalhes bibliográficos
Resumo:O fact-checking é uma prática jornalística muito recente em Portugal. Nenhum estudo até agora procurou entender a atitude do público em relação a este novo fenómeno. Metodologia: este estudo exploratório, com base em um questionário online (N = 618), teve como objetivo investigar a atitude e a perceção dos portugueses em relação ao fact-checking, analisando o efeito das práticas de consumo de informação, os aspetos sociodemográficos e a orientação política dos indivíduos. Os nossos resultados mostram que a maioria é favorável ao fact-checking e está familiarizada com a prática. No entanto, os níveis de familiaridade são reduzidos e estão abaixo do esperado, uma vez que 40 % dos entrevistados não conhecem este género jornalístico. Além disso, encontramos um ceticismo significativo, por parte dos participantes, em relação à ética dos fact-checkers. Corroborando com outros estudos, os jovens e os mais instruídos são mais favoráveis e mais familiarizados com o fact-checking. Ao contrário de outros estudos, os nossos resultados não mostram qualquer efeito da orientação política e ideológica sobre os níveis de aceitação e familiaridade. Este estudo levanta vários desafios relevantes, demonstrando que as pessoas podem não estar tão familiarizadas com o fact-checking como seria de esperar e que existe uma grande descon-fiança no rigor e imparcialidade dos fact-checkers, o que pode ser um obstáculo à correção da desinformação.
Autores principais:Baptista, João Pedro
Outros Autores:Gradim, Anabela; Loureiro, Marlene; Ribeiro, Fábio
Assunto:Desinformação Fact-checking Notícias falsas Jornalismo Disinformation Fake news Journalism Desinformación Periodismo
Ano:2023
País:Portugal
Tipo de documento:artigo
Tipo de acesso:acesso aberto
Instituição associada:Universidade do Minho
Idioma:português
Origem:RepositóriUM - Universidade do Minho
Descrição
Resumo:O fact-checking é uma prática jornalística muito recente em Portugal. Nenhum estudo até agora procurou entender a atitude do público em relação a este novo fenómeno. Metodologia: este estudo exploratório, com base em um questionário online (N = 618), teve como objetivo investigar a atitude e a perceção dos portugueses em relação ao fact-checking, analisando o efeito das práticas de consumo de informação, os aspetos sociodemográficos e a orientação política dos indivíduos. Os nossos resultados mostram que a maioria é favorável ao fact-checking e está familiarizada com a prática. No entanto, os níveis de familiaridade são reduzidos e estão abaixo do esperado, uma vez que 40 % dos entrevistados não conhecem este género jornalístico. Além disso, encontramos um ceticismo significativo, por parte dos participantes, em relação à ética dos fact-checkers. Corroborando com outros estudos, os jovens e os mais instruídos são mais favoráveis e mais familiarizados com o fact-checking. Ao contrário de outros estudos, os nossos resultados não mostram qualquer efeito da orientação política e ideológica sobre os níveis de aceitação e familiaridade. Este estudo levanta vários desafios relevantes, demonstrando que as pessoas podem não estar tão familiarizadas com o fact-checking como seria de esperar e que existe uma grande descon-fiança no rigor e imparcialidade dos fact-checkers, o que pode ser um obstáculo à correção da desinformação.