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Carnaval em diálogo: Quilombos contemporâneos e a interação cultural entre as escolas de samba do Rio de Janeiro e o Carnaval de Estarreja

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Resumo:Este trabalho propõe uma reflexão crítica sobre os deslocamentos e as reconfigurações simbólicas do modelo carioca de escolas de samba, quando transposto para o contexto português, especificamente para a cidade de Estarreja. Com base em uma etnografia de curta duração e autoetnografia, analisamos como se dão a tradução e a ressignificação do carnaval brasileiro em solo europeu, focalizando tanto os elementos estéticos e performáticos, quanto os contextos sociais e políticos que os moldam. Partimos da hipótese de que as escolas de samba do Rio de Janeiro podem ser compreendidas como quilombos contemporâneos — organizadas enquanto “sociedades alternativas” e criadoras de espaços de resistência simbólica, afetiva e política das populações marginalizadas —, e interrogamos se essa potência se mantém ou se transforma ao atravessar o Atlântico. A pesquisa revela que, embora o carnaval de Estarreja se aproxime esteticamente do modelo carioca, as experiências observadas carecem da densidade política e da presença étnico-racial que caracterizam os quilombos brasileiros. Como conclusão, propomos uma reflexão sobre os limites e possibilidades do “terceiro espaço” (Bhabha, 1994/1998), sob um prisma decolonial (Walsh, 2006), questionando as ambivalências que se apresentam a partir deste hibridismo cultural (Bhabha, 1994/1998; Canclini, 1990, 2007/2008) em contexto pós-colonial.
Autores principais:Lopes, Leonardo Morais
Outros Autores:Novais, Lucas
Assunto:escolas de samba quilombos contemporâneos hibridismo festas populares
Ano:2026
País:Portugal
Tipo de documento:capítulo de livro
Tipo de acesso:acesso aberto
Instituição associada:Universidade do Minho
Idioma:português
Origem:RepositóriUM - Universidade do Minho
Descrição
Resumo:Este trabalho propõe uma reflexão crítica sobre os deslocamentos e as reconfigurações simbólicas do modelo carioca de escolas de samba, quando transposto para o contexto português, especificamente para a cidade de Estarreja. Com base em uma etnografia de curta duração e autoetnografia, analisamos como se dão a tradução e a ressignificação do carnaval brasileiro em solo europeu, focalizando tanto os elementos estéticos e performáticos, quanto os contextos sociais e políticos que os moldam. Partimos da hipótese de que as escolas de samba do Rio de Janeiro podem ser compreendidas como quilombos contemporâneos — organizadas enquanto “sociedades alternativas” e criadoras de espaços de resistência simbólica, afetiva e política das populações marginalizadas —, e interrogamos se essa potência se mantém ou se transforma ao atravessar o Atlântico. A pesquisa revela que, embora o carnaval de Estarreja se aproxime esteticamente do modelo carioca, as experiências observadas carecem da densidade política e da presença étnico-racial que caracterizam os quilombos brasileiros. Como conclusão, propomos uma reflexão sobre os limites e possibilidades do “terceiro espaço” (Bhabha, 1994/1998), sob um prisma decolonial (Walsh, 2006), questionando as ambivalências que se apresentam a partir deste hibridismo cultural (Bhabha, 1994/1998; Canclini, 1990, 2007/2008) em contexto pós-colonial.

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