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(Inter)ditos: as dinâmicas afetivas e sexuais do casal heterossexual

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Resumo:Se entendermos a sexualidade como uma dimensão fundamental da relação conjugal, é possível tomar as suas manifestações como aspetos fundamentais da satisfação individual e conjugal, muito para além da sua função procriativa. A sexualidade conjugal exige, por um lado, que se desvende os códigos e gestos de conduta sexual e, por outro, requer comunicação e coordenação das expectativas e desejos de cada parceiro. É nesta simbiose entre sexualidade e comunicação que entroncamos os objetivos desta investigação com a finalidade de mostrar que tanto o silenciamento, como a verbalização traduzem vivências conjugais e sexuais que não deixam de ser condicionadas por (inter)ditos. Enfatizando os aspetos construídos da sexualidade e movendo-nos entre dois mundos – o masculino e o feminino –, procuramos revelar os bastidores do universo íntimo e privado dos casais, ainda pouco explorado e envolto por um diáfano véu de mistério. Com incidência na dinâmica afetiva e sexual de casais heterossexuais em situação de conjugalidade estável, isto é, a coabitar há, pelo menos, dois anos, pretendemos saber em que medida os seus membros reproduzem representações dominantes do género e da sexualidade com efeitos nas suas vivências sexuais, quais os impactos que a gestão e a negociação das práticas sexuais têm na continuidade/rutura das relações amorosas e qual o papel da comunicação acerca dos afetos e do amor, do prazer e da sexualidade na relação conjugal. A metodologia adotada possui um carácter eminentemente qualitativo, indutivo e exploratório, assente no estudo de casos. A partir da análise de vinte e oito entrevistas semidiretivas, damos conta dos modos como a comunicação é usada para naturalizar, encobrir e negociar relações de poder desiguais, com reflexos nas práticas, desejos e prazer sexuais do casal. Os resultados espelham a diversidade de situações. Os comportamentos e valores sexuais dos casais são permeados por continuidades e mudanças, por igualdades e desigualdades, pela conformidade à e pelo afastamento da heteronorma. Paralelamente, mostram uma visão maioritariamente hedonista da sexualidade, que privilegia valores de reciprocidade, envolvimento e prazer mútuo, enquadrados por ideais de género mais igualitários. No entanto, apesar de, nas últimas décadas, as formas de amar terem sofrido transformações, persistem efeitos desiguais de género, que operam em detrimento das mulheres, traduzindo-se num maior silenciamento dos seus desejos e expectativas sexuais e em papéis sexuais mais submissos e complacentes.
Autores principais:Fontaínhas, Iolanda Maciel
Assunto:Complacência sexual Comunicação Heterossexualidade Intimidade conjugal Sexualidade Communication Heterosexuality Marital intimacy Sexual compliance Sexuality
Ano:2023
País:Portugal
Tipo de documento:tese de doutoramento
Tipo de acesso:acesso aberto
Instituição associada:Universidade do Minho
Idioma:português
Origem:RepositóriUM - Universidade do Minho
Descrição
Resumo:Se entendermos a sexualidade como uma dimensão fundamental da relação conjugal, é possível tomar as suas manifestações como aspetos fundamentais da satisfação individual e conjugal, muito para além da sua função procriativa. A sexualidade conjugal exige, por um lado, que se desvende os códigos e gestos de conduta sexual e, por outro, requer comunicação e coordenação das expectativas e desejos de cada parceiro. É nesta simbiose entre sexualidade e comunicação que entroncamos os objetivos desta investigação com a finalidade de mostrar que tanto o silenciamento, como a verbalização traduzem vivências conjugais e sexuais que não deixam de ser condicionadas por (inter)ditos. Enfatizando os aspetos construídos da sexualidade e movendo-nos entre dois mundos – o masculino e o feminino –, procuramos revelar os bastidores do universo íntimo e privado dos casais, ainda pouco explorado e envolto por um diáfano véu de mistério. Com incidência na dinâmica afetiva e sexual de casais heterossexuais em situação de conjugalidade estável, isto é, a coabitar há, pelo menos, dois anos, pretendemos saber em que medida os seus membros reproduzem representações dominantes do género e da sexualidade com efeitos nas suas vivências sexuais, quais os impactos que a gestão e a negociação das práticas sexuais têm na continuidade/rutura das relações amorosas e qual o papel da comunicação acerca dos afetos e do amor, do prazer e da sexualidade na relação conjugal. A metodologia adotada possui um carácter eminentemente qualitativo, indutivo e exploratório, assente no estudo de casos. A partir da análise de vinte e oito entrevistas semidiretivas, damos conta dos modos como a comunicação é usada para naturalizar, encobrir e negociar relações de poder desiguais, com reflexos nas práticas, desejos e prazer sexuais do casal. Os resultados espelham a diversidade de situações. Os comportamentos e valores sexuais dos casais são permeados por continuidades e mudanças, por igualdades e desigualdades, pela conformidade à e pelo afastamento da heteronorma. Paralelamente, mostram uma visão maioritariamente hedonista da sexualidade, que privilegia valores de reciprocidade, envolvimento e prazer mútuo, enquadrados por ideais de género mais igualitários. No entanto, apesar de, nas últimas décadas, as formas de amar terem sofrido transformações, persistem efeitos desiguais de género, que operam em detrimento das mulheres, traduzindo-se num maior silenciamento dos seus desejos e expectativas sexuais e em papéis sexuais mais submissos e complacentes.