Publicação
Velhas e novas drogas: impactos da toxicodependência: estudo de caso na cidade de Braga
| Resumo: | O consumo de drogas, enquanto dependência socialmente relevante, é um fenómeno social total, na medida em que a ‘droga’ abrange várias dimensões da realidade, é decorrente de um negócio lucrativo com negativas consequências para os toxicodependentes e possui uma grande variedade de significados, nomeadamente para quem as consome. O termo ‘droga’ remete para um elevado número de substâncias com distintos efeitos sobre as perceções, pensamentos ou emoções e com diferente capacidade para produzir dependência. A toxicodependência é vista como um problema social e um desvio comportamental que afecta há algumas décadas a sociedade portuguesa, em que sobressaem em particular adolescentes e jovens consumidores, os quais constituem o objeto central desta dissertação. Nesta tese, após uma introdução ao problema e suas diversas dimensões, é feita no capítulo 2 uma revisão do estado da arte no campo das ciências sociais e, em particular, um enquadramento teórico na sociologia. Para tal são expostos e confrontados os diversos olhares, interpretações e explicações do fenómeno da toxicodependência: a visão estruturo-funcionalista, as abordagens (neo)weberiana e interaccionista simbólica, a perspectiva (neo)marxista e, por fim, a busca de uma explicação de ordem pluricausal. Seguidamente no capítulo 3 é feita uma reflexão sobre modernidade e globalização, tendo todavia presente que o conhecimento das drogas, bem como a sua história, evoluiu em paralelo com a história da humanidade, já que desde sempre fizeram parte das relações sociais, de diversas culturas e até religiões. Neste capítulo focaliza-se contudo um breve olhar histórico à evolução da droga a nível mundial, europeu e nacional. No capítulo 4 é feita uma exposição sucinta das políticas públicas sobre o consumo da droga a nível mundial e a nível nacional – as quais se pautaram entre a repressão e criminalização à regulamentação, descriminalização ou mesmo legalização, sendo analisado mais em detalhe o caso português. Com a presente dissertação pretende-se contribuir para a compreensão da alteração dos padrões de consumo de drogas que se registam na atualidade. Esta investigação versa sobre o início e trajectos dos consumos de drogas e representações sociais dos toxicodependentes, nomeadamente jovens, sobre as drogas. Considerando este objecto de pesquisa empírica, foi estabelecida e desenhada no início do capítulo 5 uma estratégia de pesquisa, em que se apontaram os objectivos e delinearam os diversos métodos e técnicas utilizadas de ordem quantitativa (vg. inquérito) e qualitativa (vg. a entrevista semiestruturada, a história de vida). Foram realizados 50 inquéritos a toxicodependentes, quer em contexto institucional da Cruz Vermelha e do Centro de Atendimento a Toxicodependentes (CAT), quer na rua, entre os quais alguns sem abrigo. Com este projecto de investigação foi possível obter um conhecimento mais apurado sobre o consumo de drogas em Braga, tendo sido possível descortinar as motivações que movem os consumidores e os significados atribuídos ao consumo das drogas. Foi feita no capítulo 6 uma caracterização socio-demográfica da população inquirida: predominam pessoas do sexo masculino sobre o feminino (80% vs 20%), 73 são solteiros e 78% vivem em união de facto, pertencem maioritariamente a escalões etários entre 18 e 34 anos, com habilitações literárias entre 4º ano e 12º ano, são provenientes de sectores da restauração, construção e mecânica mas 2/3 desempregados, reformados e com baixa médica. No capítulo 7 são evidenciados os processos de iniciação, percursos e dependências no uso das drogas por idade, sexo, qualificações e sector profissional; as formas de administração das drogas, predominando a fumada, as substâncias psicoactivas mais consumidas, destacando-se o haxixe, a cocaína e a heroína, os diversos locais de consumo, mas sendo minoritárias as partilhas de material; e, por fim, no capítulo 8 são analisados os casos de toxicodependentes doentes, as estratégias para a abstinência e formas de tratamento. Pelos resultados obtidos pode concluir-se que a toxicodependência afeta pessoas de diversas classes sociais e idades, embora com predomínio de jovens masculinos e sem abrigo. A intervenção social com utilizadores problemáticos de drogas em contextos de reinserção, enquanto fenómeno contemporâneo complexo e multidimensional, requer uma rutura com o paradigma tradicional e exige novas abordagens articuladas. Com este estudo pretende-se dar um contributo para o conhecimento e a compreensão deste fenómeno por forma a contribuir para uma mudança de paradigma de intervenção com esta população. |
|---|---|
| Autores principais: | Miranda, Liliana Pinto |
| Assunto: | Drogas Toxicodependências Teorias sociológicas História políticas públicas Drugs Drug addiction Sociological theories History and social policies |
| Ano: | 2015 |
| País: | Portugal |
| Tipo de documento: | dissertação de mestrado |
| Tipo de acesso: | acesso aberto |
| Instituição associada: | Universidade do Minho |
| Idioma: | português |
| Origem: | RepositóriUM - Universidade do Minho |
| Resumo: | O consumo de drogas, enquanto dependência socialmente relevante, é um fenómeno social total, na medida em que a ‘droga’ abrange várias dimensões da realidade, é decorrente de um negócio lucrativo com negativas consequências para os toxicodependentes e possui uma grande variedade de significados, nomeadamente para quem as consome. O termo ‘droga’ remete para um elevado número de substâncias com distintos efeitos sobre as perceções, pensamentos ou emoções e com diferente capacidade para produzir dependência. A toxicodependência é vista como um problema social e um desvio comportamental que afecta há algumas décadas a sociedade portuguesa, em que sobressaem em particular adolescentes e jovens consumidores, os quais constituem o objeto central desta dissertação. Nesta tese, após uma introdução ao problema e suas diversas dimensões, é feita no capítulo 2 uma revisão do estado da arte no campo das ciências sociais e, em particular, um enquadramento teórico na sociologia. Para tal são expostos e confrontados os diversos olhares, interpretações e explicações do fenómeno da toxicodependência: a visão estruturo-funcionalista, as abordagens (neo)weberiana e interaccionista simbólica, a perspectiva (neo)marxista e, por fim, a busca de uma explicação de ordem pluricausal. Seguidamente no capítulo 3 é feita uma reflexão sobre modernidade e globalização, tendo todavia presente que o conhecimento das drogas, bem como a sua história, evoluiu em paralelo com a história da humanidade, já que desde sempre fizeram parte das relações sociais, de diversas culturas e até religiões. Neste capítulo focaliza-se contudo um breve olhar histórico à evolução da droga a nível mundial, europeu e nacional. No capítulo 4 é feita uma exposição sucinta das políticas públicas sobre o consumo da droga a nível mundial e a nível nacional – as quais se pautaram entre a repressão e criminalização à regulamentação, descriminalização ou mesmo legalização, sendo analisado mais em detalhe o caso português. Com a presente dissertação pretende-se contribuir para a compreensão da alteração dos padrões de consumo de drogas que se registam na atualidade. Esta investigação versa sobre o início e trajectos dos consumos de drogas e representações sociais dos toxicodependentes, nomeadamente jovens, sobre as drogas. Considerando este objecto de pesquisa empírica, foi estabelecida e desenhada no início do capítulo 5 uma estratégia de pesquisa, em que se apontaram os objectivos e delinearam os diversos métodos e técnicas utilizadas de ordem quantitativa (vg. inquérito) e qualitativa (vg. a entrevista semiestruturada, a história de vida). Foram realizados 50 inquéritos a toxicodependentes, quer em contexto institucional da Cruz Vermelha e do Centro de Atendimento a Toxicodependentes (CAT), quer na rua, entre os quais alguns sem abrigo. Com este projecto de investigação foi possível obter um conhecimento mais apurado sobre o consumo de drogas em Braga, tendo sido possível descortinar as motivações que movem os consumidores e os significados atribuídos ao consumo das drogas. Foi feita no capítulo 6 uma caracterização socio-demográfica da população inquirida: predominam pessoas do sexo masculino sobre o feminino (80% vs 20%), 73 são solteiros e 78% vivem em união de facto, pertencem maioritariamente a escalões etários entre 18 e 34 anos, com habilitações literárias entre 4º ano e 12º ano, são provenientes de sectores da restauração, construção e mecânica mas 2/3 desempregados, reformados e com baixa médica. No capítulo 7 são evidenciados os processos de iniciação, percursos e dependências no uso das drogas por idade, sexo, qualificações e sector profissional; as formas de administração das drogas, predominando a fumada, as substâncias psicoactivas mais consumidas, destacando-se o haxixe, a cocaína e a heroína, os diversos locais de consumo, mas sendo minoritárias as partilhas de material; e, por fim, no capítulo 8 são analisados os casos de toxicodependentes doentes, as estratégias para a abstinência e formas de tratamento. Pelos resultados obtidos pode concluir-se que a toxicodependência afeta pessoas de diversas classes sociais e idades, embora com predomínio de jovens masculinos e sem abrigo. A intervenção social com utilizadores problemáticos de drogas em contextos de reinserção, enquanto fenómeno contemporâneo complexo e multidimensional, requer uma rutura com o paradigma tradicional e exige novas abordagens articuladas. Com este estudo pretende-se dar um contributo para o conhecimento e a compreensão deste fenómeno por forma a contribuir para uma mudança de paradigma de intervenção com esta população. |
|---|