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Desenvolvimento de um procedimento minimamente invasivo para correção da atrésia esofágica

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Resumo:A atrésia esofágica é uma anomalia congénita grave caracterizada pela descontinuidade do esófago, sendo considerada a anomalia mais comum do desenvolvimento deste órgão. Associa-se frequentemente a uma fístula traqueoesofágica, que consiste numa conexão anormal entre o esófago e a traqueia. Os procedimentos de correção atuais são invasivos e propensos a complicações graves, a curto e longo prazo, como o leakage anastomótico e a estenose esofágica, respetivamente. O objetivo deste trabalho consiste no desenvolvimento de um procedimento minimamente invasivo como alternativa para a correção da atrésia esofágica long-gap, onde a distância entre os topos esofágicos é significativa, tornando o tratamento cirúrgico particularmente desafiante. A abordagem proposta integra a aplicação de materiais biocompatíveis com propriedade de memória de forma, nomeadamente a liga de nitinol, para a aproximação gradual dos segmentos esofágicos e a utilização de elementos magnéticos para a realização da anastomose esofágica. Foram realizados testes ex-vivo e em modelos animais para avaliar o desempenho de um dispositivo composto por uma mola de nitinol. Nos ensaios, a mola de nitinol demonstrou capacidade de exercer força de contração suficiente, com uma redução significativa de comprimento de 5 cm para valores inferiores a 2 cm. Adicionalmente, a propriedade de força residual do nitinol foi comprovada, visto que o dispositivo manteve a contração após o arrefecimento da mola de nitinol, o que é fundamental para uma aproximação contínua e gradual dos segmentos esofágicos, sem dependência de aquecimento contínuo. Embora os resultados sugiram que o dispositivo proposto apresenta um potencial significativo para a correção da anomalia, foram identificadas várias limitações. Destaca-se a necessidade de otimização do design do dispositivo, melhorias no controlo térmico e a realização de testes adicionais antes que a aplicação clínica em recém-nascidos possa ser implementada de forma segura e eficaz.
Autores principais:Teles, Lara Filipa Cerqueira
Assunto:Atrésia esofágica long-gap Anastomose por compressão magnética Memória de forma Nitinol Esophageal atresia Magnetic compression anastomosis Shape memory Nitinol
Ano:2024
País:Portugal
Tipo de documento:dissertação de mestrado
Tipo de acesso:acesso aberto
Instituição associada:Universidade do Minho
Idioma:português
Origem:RepositóriUM - Universidade do Minho
Descrição
Resumo:A atrésia esofágica é uma anomalia congénita grave caracterizada pela descontinuidade do esófago, sendo considerada a anomalia mais comum do desenvolvimento deste órgão. Associa-se frequentemente a uma fístula traqueoesofágica, que consiste numa conexão anormal entre o esófago e a traqueia. Os procedimentos de correção atuais são invasivos e propensos a complicações graves, a curto e longo prazo, como o leakage anastomótico e a estenose esofágica, respetivamente. O objetivo deste trabalho consiste no desenvolvimento de um procedimento minimamente invasivo como alternativa para a correção da atrésia esofágica long-gap, onde a distância entre os topos esofágicos é significativa, tornando o tratamento cirúrgico particularmente desafiante. A abordagem proposta integra a aplicação de materiais biocompatíveis com propriedade de memória de forma, nomeadamente a liga de nitinol, para a aproximação gradual dos segmentos esofágicos e a utilização de elementos magnéticos para a realização da anastomose esofágica. Foram realizados testes ex-vivo e em modelos animais para avaliar o desempenho de um dispositivo composto por uma mola de nitinol. Nos ensaios, a mola de nitinol demonstrou capacidade de exercer força de contração suficiente, com uma redução significativa de comprimento de 5 cm para valores inferiores a 2 cm. Adicionalmente, a propriedade de força residual do nitinol foi comprovada, visto que o dispositivo manteve a contração após o arrefecimento da mola de nitinol, o que é fundamental para uma aproximação contínua e gradual dos segmentos esofágicos, sem dependência de aquecimento contínuo. Embora os resultados sugiram que o dispositivo proposto apresenta um potencial significativo para a correção da anomalia, foram identificadas várias limitações. Destaca-se a necessidade de otimização do design do dispositivo, melhorias no controlo térmico e a realização de testes adicionais antes que a aplicação clínica em recém-nascidos possa ser implementada de forma segura e eficaz.