Publicação
O “suspeito genético”: desafios bioéticos da partilha transnacional de informação genética forense
| Resumo: | A aplicação da genética forense na identificação criminal, tornada expressiva pela expansão de bases de dados estatais contendo milhares de perfis genéticos, tem suscitado ampla discussão bioética. O debate bioético tradicional tem focado a necessidade de equilíbrio entre o reforço dos poderes do Estado, em nome da segurança pública, e o contraponto da compressão ou limitações de direitos, liberdades e garantias dos cidadãos, mormente no direito à presunção de inocência, proteção da privacidade, autodeterminação informacional, consentimento informado e integridade física e moral. O presente texto tem como objetivo ampliar o debate bioético em torno da utilização de bases de dados genéticos forenses, focando a noção de “suspeito genético” e sua complexificação em cenários de partilha transnacional de informação genética na União Europeia. A ideia de “suspeito genético” surge no contexto de culturas tecnocientíficas que produzem e sustentam a expansão de bases de dados genéticos forenses enquanto “arma” na luta global contra o terrorismo e o crime organizado. A invocação deste tipo de ameaça e risco, conjugada com a elevação simbólica da genética ao estatuto de identificador irrefutável e “totalmente” objetivo, tende a obliterar a dimensão política, cultural e legal da ciência em sociedades democráticas modernas. |
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| Autores principais: | Machado, Helena |
| Outros Autores: | Martins, Marta; Santos, Filipe |
| Assunto: | Genética forense Bases de dados Partilha transnacional Suspeição genética Criminalização de grupos sociais |
| Ano: | 2018 |
| País: | Portugal |
| Tipo de documento: | capítulo de livro |
| Tipo de acesso: | acesso aberto |
| Instituição associada: | Universidade do Minho |
| Idioma: | português |
| Origem: | RepositóriUM - Universidade do Minho |
| Resumo: | A aplicação da genética forense na identificação criminal, tornada expressiva pela expansão de bases de dados estatais contendo milhares de perfis genéticos, tem suscitado ampla discussão bioética. O debate bioético tradicional tem focado a necessidade de equilíbrio entre o reforço dos poderes do Estado, em nome da segurança pública, e o contraponto da compressão ou limitações de direitos, liberdades e garantias dos cidadãos, mormente no direito à presunção de inocência, proteção da privacidade, autodeterminação informacional, consentimento informado e integridade física e moral. O presente texto tem como objetivo ampliar o debate bioético em torno da utilização de bases de dados genéticos forenses, focando a noção de “suspeito genético” e sua complexificação em cenários de partilha transnacional de informação genética na União Europeia. A ideia de “suspeito genético” surge no contexto de culturas tecnocientíficas que produzem e sustentam a expansão de bases de dados genéticos forenses enquanto “arma” na luta global contra o terrorismo e o crime organizado. A invocação deste tipo de ameaça e risco, conjugada com a elevação simbólica da genética ao estatuto de identificador irrefutável e “totalmente” objetivo, tende a obliterar a dimensão política, cultural e legal da ciência em sociedades democráticas modernas. |
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