Publicação
Precarização, flexibilização e intensificação do trabalho docente na expansão dos institutos federais: a exploração através de novos e velhos afazeres
| Resumo: | O presente estudo trata sobre a precarização, intensificação e flexibilização do trabalho docente nos Institutos Federais de Educação, Ciência e Tecnologia. A abordagem é feita tomando como referência a reestruturação produtiva e os mecanismos que implementaram o gerencialismo nas instituições de ensino promovendo ou intensificando a mercantilização da educação. Os Institutos Federais-IFs fazem parte da Rede Federal de Educação Profissional e Tecnológica, criados a partir da Lei 11.892 de 29 de dezembro de 2008. Passando por vários momentos históricos enquanto Escolas Técnicas, Escolas Agrotécnicas e CEFET, os IFs continuam a atuar para os desvalidos da sorte, não para ocupá-los, mas para formar mão de obra para o mercado de trabalho. Atendendo a ordenamentos do capital os IFs foram criados para oferecer (ou continuar a oferecer) educação profissional e tecnológica que seja de interesse mercadológico com baixo custo e de forma aligeirada. Com a criação dos IFs houve impacto real e severo sobre o trabalho docente. Teoricamente, este estudo referenciou-se na literatura sobre reestruturação produtiva, mercantilismo e gerencialismo da educação, expansão dos IFs e trabalho docente e teve o amparo de autores como: Chesnais, Ricardo Antunes, Nóvoa, Ball, Afonso, Lima, Oliveira, Hypolito, Silva Junior, Sguissard, Peroni, Fátima Antunes, Souza, Ciavatta, Ramos, Frigotto, Floro, Mancebo, Souza, Piozevan, entre outros. Pode-se perceber que os efeitos da reestruturação produtiva transformaram, e ainda transformam, a escola em uma espécie de celeiro produtivo do novo trabalhador, através da mercantilização da educação, ancorada nos princípios da “avaliocracia” que ranqueia as instituições de ensino e precariza o trabalho docente ao torná-lo principal, responsável pelos resultados das avaliações padronizadas. No caso dos IFs, campo de investigação deste estudo, os efeitos do mercantilismo e do gerencialismo parecem ser agravados por processos de verticalização e polivalência no ensino, bem como por processos de expansão acelerados e (des)regulares. Desta forma o objetivo deste estudo foi explorar e compreender as condições de trabalho dos docentes que exercem suas atividades em três IFs da região do nordeste brasileiro, considerando os processos de reestruturação produtiva e a política de expansão dos IFs. Amparado nos princípios da pesquisa básica, não pragmática, de dimensões qualitativa e quantitativa, viabilizou-se uma conexão intima entre a objetividade e subjetividade proporcionando o diálogo entre o referencial teórico, os dados recolhidos nos questionários e a análise de conteúdo das entrevistas. O percurso metodológico constou de observação direta com aplicação, in loco, de questionário aos docentes e de entrevista a membros de equipes pedagógicas e a chefes de recursos. Entre os achados podemos destacar que, as imposições da Lei 11.892/08 e o gerencialismo adotado pelos gestores implementam e/ou intensificam processos de precarização e flexibilização do trabalho docente, seja pela verticalidade na oferta de cursos em todos os níveis ou pela polivalência obrigatória aos docentes na medida em que estão sujeitos a ministrar aulas dos cursos de Formação Inicial e Continuada a cursos de pós-graduação em níveis de especialização, mestrado e doutorado. No entanto, parece haver uma indícios de uma (con)formação entre os docentes quando estes, embora se sentindo sobrecarregados, desenvolvem as atividades que lhes são exigidas pois “no IF é assim”. |
|---|---|
| Autores principais: | Feitosa, Teresinha de Sousa |
| Assunto: | Flexibilização Institutos federais Intensificação Precarização Trabalho docente Federal institutes Flexibilization Intensification Precariousness Teaching work |
| Ano: | 2023 |
| País: | Portugal |
| Tipo de documento: | tese de doutoramento |
| Tipo de acesso: | acesso aberto |
| Instituição associada: | Universidade do Minho |
| Idioma: | português |
| Origem: | RepositóriUM - Universidade do Minho |
| Resumo: | O presente estudo trata sobre a precarização, intensificação e flexibilização do trabalho docente nos Institutos Federais de Educação, Ciência e Tecnologia. A abordagem é feita tomando como referência a reestruturação produtiva e os mecanismos que implementaram o gerencialismo nas instituições de ensino promovendo ou intensificando a mercantilização da educação. Os Institutos Federais-IFs fazem parte da Rede Federal de Educação Profissional e Tecnológica, criados a partir da Lei 11.892 de 29 de dezembro de 2008. Passando por vários momentos históricos enquanto Escolas Técnicas, Escolas Agrotécnicas e CEFET, os IFs continuam a atuar para os desvalidos da sorte, não para ocupá-los, mas para formar mão de obra para o mercado de trabalho. Atendendo a ordenamentos do capital os IFs foram criados para oferecer (ou continuar a oferecer) educação profissional e tecnológica que seja de interesse mercadológico com baixo custo e de forma aligeirada. Com a criação dos IFs houve impacto real e severo sobre o trabalho docente. Teoricamente, este estudo referenciou-se na literatura sobre reestruturação produtiva, mercantilismo e gerencialismo da educação, expansão dos IFs e trabalho docente e teve o amparo de autores como: Chesnais, Ricardo Antunes, Nóvoa, Ball, Afonso, Lima, Oliveira, Hypolito, Silva Junior, Sguissard, Peroni, Fátima Antunes, Souza, Ciavatta, Ramos, Frigotto, Floro, Mancebo, Souza, Piozevan, entre outros. Pode-se perceber que os efeitos da reestruturação produtiva transformaram, e ainda transformam, a escola em uma espécie de celeiro produtivo do novo trabalhador, através da mercantilização da educação, ancorada nos princípios da “avaliocracia” que ranqueia as instituições de ensino e precariza o trabalho docente ao torná-lo principal, responsável pelos resultados das avaliações padronizadas. No caso dos IFs, campo de investigação deste estudo, os efeitos do mercantilismo e do gerencialismo parecem ser agravados por processos de verticalização e polivalência no ensino, bem como por processos de expansão acelerados e (des)regulares. Desta forma o objetivo deste estudo foi explorar e compreender as condições de trabalho dos docentes que exercem suas atividades em três IFs da região do nordeste brasileiro, considerando os processos de reestruturação produtiva e a política de expansão dos IFs. Amparado nos princípios da pesquisa básica, não pragmática, de dimensões qualitativa e quantitativa, viabilizou-se uma conexão intima entre a objetividade e subjetividade proporcionando o diálogo entre o referencial teórico, os dados recolhidos nos questionários e a análise de conteúdo das entrevistas. O percurso metodológico constou de observação direta com aplicação, in loco, de questionário aos docentes e de entrevista a membros de equipes pedagógicas e a chefes de recursos. Entre os achados podemos destacar que, as imposições da Lei 11.892/08 e o gerencialismo adotado pelos gestores implementam e/ou intensificam processos de precarização e flexibilização do trabalho docente, seja pela verticalidade na oferta de cursos em todos os níveis ou pela polivalência obrigatória aos docentes na medida em que estão sujeitos a ministrar aulas dos cursos de Formação Inicial e Continuada a cursos de pós-graduação em níveis de especialização, mestrado e doutorado. No entanto, parece haver uma indícios de uma (con)formação entre os docentes quando estes, embora se sentindo sobrecarregados, desenvolvem as atividades que lhes são exigidas pois “no IF é assim”. |
|---|