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Sexualidade depois dos 55 anos: estudo sobre as representações e práticas sexuais em Portugal

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Summary:O período revolucionário ocorrido em Portugal a 25 de abril de 1974 simboliza um ponto de viragem entre um passado repressivo e uma nova era de liberdade. A sociedade portuguesa apresenta um retrato distinto após esta data em todos os domínios, nomeadamente no campo da sexualidade. O tema esteve ausente das linhas de investigação durante décadas e a sua discussão pública surgiu sobretudo a partir de 1984, focando-se inicialmente na vertente clínica e nos estereótipos, evoluindo depois para outras abordagens. Neste contexto, importa perceber que alterações ocorreram nas representações e práticas sexuais dos indivíduos de 55 e mais anos, tomando por referência o período imediatamente anterior ao 25 de abril de 1974 e a atualidade. Recorrendo-se a uma amostragem em "bola de neve", realizaram-se entrevistas semiestruturadas a um grupo de 22 portugueses pertencentes ao referido grupo etário, ou seja, indivíduos que eram adolescentes ou jovens adultos aquando da revolução democrática de 1974 e que residem, atualmente, na região Norte e na Grande Lisboa. Os resultados evidenciam representações sobre a sexualidade e práticas sexuais distintas quando os entrevistados se referem ao período pré e pós revolucionário. Depreende--se todavia dos seus discursos que, não obstante o facto de a sexualidade ter saltado para a esfera da discussão pública, consideram a atitude da sociedade atual perante a prática sexual dos adultos com mais de 55 anos, muito castradora e quase condenatória, pelo que mantêm um comportamento de inibição da expressão da sua prática sexual, apesar de a entenderem como perfeitamente natural. Os resultados anteriores sugerem existir, em Portugal, um longo caminho a percorrer na aceitação da prática sexual dos indivíduos com mais de 55 anos, sendo necessário sensibilizar a sociedade, e o próprio Estado, para uma discussão aprofundada do tema e para a implementação de políticas socioeducativas que possibilitem uma natural aceitação desta prática por todos os indivíduos, independentemente do grupo etário a que pertençam.
Main Authors:Lopes, Rui Pedro Farinha
Subject:Ciências Sociais::Sociologia
Year:2017
Country:Portugal
Document type:master thesis
Access type:open access
Associated institution:Universidade do Minho
Language:Portuguese
Origin:RepositóriUM - Universidade do Minho
Description
Summary:O período revolucionário ocorrido em Portugal a 25 de abril de 1974 simboliza um ponto de viragem entre um passado repressivo e uma nova era de liberdade. A sociedade portuguesa apresenta um retrato distinto após esta data em todos os domínios, nomeadamente no campo da sexualidade. O tema esteve ausente das linhas de investigação durante décadas e a sua discussão pública surgiu sobretudo a partir de 1984, focando-se inicialmente na vertente clínica e nos estereótipos, evoluindo depois para outras abordagens. Neste contexto, importa perceber que alterações ocorreram nas representações e práticas sexuais dos indivíduos de 55 e mais anos, tomando por referência o período imediatamente anterior ao 25 de abril de 1974 e a atualidade. Recorrendo-se a uma amostragem em "bola de neve", realizaram-se entrevistas semiestruturadas a um grupo de 22 portugueses pertencentes ao referido grupo etário, ou seja, indivíduos que eram adolescentes ou jovens adultos aquando da revolução democrática de 1974 e que residem, atualmente, na região Norte e na Grande Lisboa. Os resultados evidenciam representações sobre a sexualidade e práticas sexuais distintas quando os entrevistados se referem ao período pré e pós revolucionário. Depreende--se todavia dos seus discursos que, não obstante o facto de a sexualidade ter saltado para a esfera da discussão pública, consideram a atitude da sociedade atual perante a prática sexual dos adultos com mais de 55 anos, muito castradora e quase condenatória, pelo que mantêm um comportamento de inibição da expressão da sua prática sexual, apesar de a entenderem como perfeitamente natural. Os resultados anteriores sugerem existir, em Portugal, um longo caminho a percorrer na aceitação da prática sexual dos indivíduos com mais de 55 anos, sendo necessário sensibilizar a sociedade, e o próprio Estado, para uma discussão aprofundada do tema e para a implementação de políticas socioeducativas que possibilitem uma natural aceitação desta prática por todos os indivíduos, independentemente do grupo etário a que pertençam.