Publicação

Metodologias para a qualificação de águas minerais naturais e águas de nascente

Ver documento

Detalhes bibliográficos
Resumo:O presente trabalho tem como base um amplo programa de prospeção e pesquisa de águas minerais naturais destinada à indústria do engarrafamento numa área situada nos concelhos de Caminha e Vila Nova de Cerveira. O objetivo geral do presente estudo é a elaboração de uma proposta de qualificação das águas como águas minerais naturais ou águas de nascente, através da análise da evolução hidrogeoquímica, identificando e caracterizando os mecanismos associados à mineralização das águas subterrâneas. A área em estudo localiza-se entre o maciço granítico do Monte de Góis, formações metassedimentares e diversas massas aplito-pegmatíticas, sendo constituída maioritariamente por granitos de duas micas, ou só com biotite e xistos andaluzíticos. Os principais alinhamentos estruturais encontram-se orientados segundo a direção N-S a NNW-SSE. O estudo climatológico conduziu à determinação dos valores médios anuais de precipitação (1882.7mm) e de temperatura (15.2°C) para a região. Além disso, permitiu a avaliação da evapotranspiração real, que foi estimada em 661mm. A recarga aquífera foi determinada por meio de balanços hídricos sequenciais diários e mensais, ao nível do solo. A taxa de infiltração profunda deverá estar compreendida entre valores da ordem dos 30% (em anos secos), e dos 50% (em anos húmidos), do total da precipitação anual. No âmbito do programa de prospeção e pesquisa foram executados 5 furos de pesquisa de água dos quais três foram transformados em captações tendo sido atribuídas as designações MDJ1, MDJ2 e MDJ3. As águas foram submetidas mensalmente, durante um ano, a análises físico-químicas das componentes maioritárias e a uma análise completa (incluindo elementos vestigiais e parâmetros radiológicos). Os resultados obtidos levam-nos a admitir a existência de processos comuns responsáveis por parte da mineralização da água, tais como a alteração de plagióclase sódica, feldspatos potássicos, moscovites e biotites, minerais comuns nos granitos da região e a dissolução dos iões daí resultantes, com maior significado em MDJ3, e menor em MDJ1. Em termos de evolução hidrogeoquímica pode considerar-se que da água MDJ1→MDJ2→MDJ3 há uma maior evolução, o que se traduz numa maior mineralização (em particular no teor em bicarbonato e em sílica), maior pH, menor potencial redox e maior estabilidade físico-química ao longo do ano. Estes resultados apoiam a hipótese de que a água captada em MDJ3 tem maior tempo de residência e circuitos de circulação mais profundos, enquanto que a água captada em MDJ1 é a que estará mais influenciada pelos processos superficiais (ambiente oxidante) e por isso com maior variabilidade ao longo do ano. A água captada em MDJ2 está num estado evolutivo intermédio e apresenta menor influência dos processos superficiais. Por fim, no âmbito da qualificação das águas para engarrafamento verificou-se que do ponto de vista químico apenas a água da captação MDJ1 está apta para engarrafamento como água de nascente, uma vez que todos os elementos analisados apresentam uma concentração dentro dos valores paramétricos estabelecidos por lei e uma relativa variação anual. A água da captação MDJ2 apresenta valores de Fe acima dos valores paramétricos e a água da captação MDJ3 apresenta valores de Fe e de As muito acima dos valores paramétricos. Do ponto de vista radiológico, e relativamente aos parâmetros analisados (α-total e β-total) as águas estão todas aptas. Quanto à componente microbiológica verificou-se que nas 3 captações ocorreram, ao longo do ano, algumas análises com número de colónias superior aos valores paramétricos, pelo que, deste ponto de vista, nenhuma das captações se encontra apta para engarrafamento.
Autores principais:Marques, Joana Patrícia Pereira
Ano:2015
País:Portugal
Tipo de documento:dissertação de mestrado
Tipo de acesso:acesso restrito
Instituição associada:Universidade do Minho
Idioma:português
Origem:RepositóriUM - Universidade do Minho
Descrição
Resumo:O presente trabalho tem como base um amplo programa de prospeção e pesquisa de águas minerais naturais destinada à indústria do engarrafamento numa área situada nos concelhos de Caminha e Vila Nova de Cerveira. O objetivo geral do presente estudo é a elaboração de uma proposta de qualificação das águas como águas minerais naturais ou águas de nascente, através da análise da evolução hidrogeoquímica, identificando e caracterizando os mecanismos associados à mineralização das águas subterrâneas. A área em estudo localiza-se entre o maciço granítico do Monte de Góis, formações metassedimentares e diversas massas aplito-pegmatíticas, sendo constituída maioritariamente por granitos de duas micas, ou só com biotite e xistos andaluzíticos. Os principais alinhamentos estruturais encontram-se orientados segundo a direção N-S a NNW-SSE. O estudo climatológico conduziu à determinação dos valores médios anuais de precipitação (1882.7mm) e de temperatura (15.2°C) para a região. Além disso, permitiu a avaliação da evapotranspiração real, que foi estimada em 661mm. A recarga aquífera foi determinada por meio de balanços hídricos sequenciais diários e mensais, ao nível do solo. A taxa de infiltração profunda deverá estar compreendida entre valores da ordem dos 30% (em anos secos), e dos 50% (em anos húmidos), do total da precipitação anual. No âmbito do programa de prospeção e pesquisa foram executados 5 furos de pesquisa de água dos quais três foram transformados em captações tendo sido atribuídas as designações MDJ1, MDJ2 e MDJ3. As águas foram submetidas mensalmente, durante um ano, a análises físico-químicas das componentes maioritárias e a uma análise completa (incluindo elementos vestigiais e parâmetros radiológicos). Os resultados obtidos levam-nos a admitir a existência de processos comuns responsáveis por parte da mineralização da água, tais como a alteração de plagióclase sódica, feldspatos potássicos, moscovites e biotites, minerais comuns nos granitos da região e a dissolução dos iões daí resultantes, com maior significado em MDJ3, e menor em MDJ1. Em termos de evolução hidrogeoquímica pode considerar-se que da água MDJ1→MDJ2→MDJ3 há uma maior evolução, o que se traduz numa maior mineralização (em particular no teor em bicarbonato e em sílica), maior pH, menor potencial redox e maior estabilidade físico-química ao longo do ano. Estes resultados apoiam a hipótese de que a água captada em MDJ3 tem maior tempo de residência e circuitos de circulação mais profundos, enquanto que a água captada em MDJ1 é a que estará mais influenciada pelos processos superficiais (ambiente oxidante) e por isso com maior variabilidade ao longo do ano. A água captada em MDJ2 está num estado evolutivo intermédio e apresenta menor influência dos processos superficiais. Por fim, no âmbito da qualificação das águas para engarrafamento verificou-se que do ponto de vista químico apenas a água da captação MDJ1 está apta para engarrafamento como água de nascente, uma vez que todos os elementos analisados apresentam uma concentração dentro dos valores paramétricos estabelecidos por lei e uma relativa variação anual. A água da captação MDJ2 apresenta valores de Fe acima dos valores paramétricos e a água da captação MDJ3 apresenta valores de Fe e de As muito acima dos valores paramétricos. Do ponto de vista radiológico, e relativamente aos parâmetros analisados (α-total e β-total) as águas estão todas aptas. Quanto à componente microbiológica verificou-se que nas 3 captações ocorreram, ao longo do ano, algumas análises com número de colónias superior aos valores paramétricos, pelo que, deste ponto de vista, nenhuma das captações se encontra apta para engarrafamento.