Publicação
Vinculação, psicopatologia e alterações volumétricas neuroestruturais num grupo de adolescentes em acolhimento residencial
| Resumo: | Inúmeras são as situações de perigo que conduzem crianças e adolescentes para o acolhimento institucional em todo o mundo. Estudos conduzidos para examinar os efeitos da institucionalização na trajetória desenvolvimental têm demonstrado elevado risco de desadaptação e sequelas em vários domínios, sendo, portanto, considerada uma "experiência de privação multinível". Nosso estudo pretendeu verificar de que modo a exposição a adversidades vividas precocemente no contexto familiar e institucional pode influenciar qualidade da vinculação, psicopatologia e alterações volumétricas em estruturas neurais envolvidas no processamento de recompensas e regulação emocional. Para isto recrutou um grupo de 10 adolescentes em acolhimento residencial, e um grupo de 8 adolescentes que sempre viveu com suas famílias biológicas. A amostra de conveniência foi composta por adolescentes de ambos os sexos, dos 12--18 anos de idade. Os grupos foram submetidos a testes psicológicos e recolha de imagens de ressonância magnética do cérebro. Como referido na literatura, os resultados apontaram diferenças entre os grupos evidenciando maior nível de externalização e sintomatologia geral no grupo de adolescentes em acolhimento residencial. Verificou-se também associação entre exposição a abuso e maus-tratos no contexto familiar pré-acolhimento e maior nível de externalização e sintomatologia geral. Não foram identificadas diferenças na qualidade das vinculações, nem diferenças volumétricas neuroestruturais entre os grupos. A despeito dos inúmeros estudos acerca dos impactos da institucionalização nas questões da vinculação, psicopatologia e alterações em estruturas neurais, há lacunas na literatura que avalia de forma integrada e simultânea estas variáveis, no período da adolescência, enquanto a situação de acolhimento está a decorrer. Neste sentido, os resultados obtidos podem contribuir para ampliar a compreensão do problema do abuso e maus-tratos no adolescente em situação de acolhimento. |
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| Autores principais: | Almeida, Márcia Denise de Souza Ponte e |
| Assunto: | Adolescência Alteração neuroestrutural Acolhimento residencial Psicopatologia Vinculação Adolescence Attachment Neurostructural volume Residential care Psychopathology Ciências Sociais::Psicologia |
| Ano: | 2020 |
| País: | Portugal |
| Tipo de documento: | dissertação de mestrado |
| Tipo de acesso: | acesso aberto |
| Instituição associada: | Universidade do Minho |
| Idioma: | português |
| Origem: | RepositóriUM - Universidade do Minho |
| Resumo: | Inúmeras são as situações de perigo que conduzem crianças e adolescentes para o acolhimento institucional em todo o mundo. Estudos conduzidos para examinar os efeitos da institucionalização na trajetória desenvolvimental têm demonstrado elevado risco de desadaptação e sequelas em vários domínios, sendo, portanto, considerada uma "experiência de privação multinível". Nosso estudo pretendeu verificar de que modo a exposição a adversidades vividas precocemente no contexto familiar e institucional pode influenciar qualidade da vinculação, psicopatologia e alterações volumétricas em estruturas neurais envolvidas no processamento de recompensas e regulação emocional. Para isto recrutou um grupo de 10 adolescentes em acolhimento residencial, e um grupo de 8 adolescentes que sempre viveu com suas famílias biológicas. A amostra de conveniência foi composta por adolescentes de ambos os sexos, dos 12--18 anos de idade. Os grupos foram submetidos a testes psicológicos e recolha de imagens de ressonância magnética do cérebro. Como referido na literatura, os resultados apontaram diferenças entre os grupos evidenciando maior nível de externalização e sintomatologia geral no grupo de adolescentes em acolhimento residencial. Verificou-se também associação entre exposição a abuso e maus-tratos no contexto familiar pré-acolhimento e maior nível de externalização e sintomatologia geral. Não foram identificadas diferenças na qualidade das vinculações, nem diferenças volumétricas neuroestruturais entre os grupos. A despeito dos inúmeros estudos acerca dos impactos da institucionalização nas questões da vinculação, psicopatologia e alterações em estruturas neurais, há lacunas na literatura que avalia de forma integrada e simultânea estas variáveis, no período da adolescência, enquanto a situação de acolhimento está a decorrer. Neste sentido, os resultados obtidos podem contribuir para ampliar a compreensão do problema do abuso e maus-tratos no adolescente em situação de acolhimento. |
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