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Relação entre experiências adversas na infância e saúde mental em homens presos por diferentes tipos de crime

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Detalhes bibliográficos
Resumo:A adversidade ao longo da vida e as suas implicações têm sido amplamente estudadas no campo da Psicologia, devido ao seu impacto significativo no desenvolvimento e comportamento dos indivíduos. As experiências adversas, especialmente durante a infância, constituem fatores de risco para o desenvolvimento de problemas de saúde mental, para a vitimação contínua e desenvolvimento de trajetórias criminais. Este estudo tem como objetivo analisar a relação entre adversidade na infância e sintomatologia traumática em homens presos por crimes de diversas tipologias (e.g., violência doméstica, violência sexual). A amostra consiste em 101 ofensores a cumprir pena em estabelecimentos prisionais, predominantemente de nacionalidade portuguesa (97%), com uma idade média de 45 anos (M = 45.04, DP = 11.45). Os dados foram recolhidos presencialmente nos estabelecimentos prisionais, com recurso a questionários de autorrelato. Os resultados mostram que, em média, os homens reclusos reportaram 5.21 (DP = 2.78) experiências adversas na infância, com 74.3% a reportar quatro ou mais. A violência comunitária (73.0%), a exposição à violência doméstica (60.0%) e o abuso físico (60.0%) foram as mais reportadas. Quanto aos problemas de saúde mental, 33.7% dos homens preenchia critérios para perturbação de stress pós-traumático e 15.8% de perturbação de stress pós-traumático complexo. Foi encontrada uma comorbilidade elevada entre estas e outras perturbações (dissociação, depressão, ansiedade, perturbações de sono. Um número maior de Experiências Adversas na Infância está positivamente relacionado com sintomatologia mais elevada e mais diversa. Estes resultados sugerem que a adversidade na infância desempenha um papel crucial no desenvolvimento de sintomatologia traumática e comportamentos criminosos em homens presos, sublinhando a importância de intervenções precoces e programas de reabilitação focados no trauma.
Autores principais:Vital, Paula Catarina Melim
Assunto:Experiências adversas na infância Percursos criminais Reclusos Sintomatologia traumática Adverse childhood experiences Inmates Criminal trajectories Traumatic symptoms
Ano:2024
País:Portugal
Tipo de documento:dissertação de mestrado
Tipo de acesso:acesso aberto
Instituição associada:Universidade do Minho
Idioma:português
Origem:RepositóriUM - Universidade do Minho
Descrição
Resumo:A adversidade ao longo da vida e as suas implicações têm sido amplamente estudadas no campo da Psicologia, devido ao seu impacto significativo no desenvolvimento e comportamento dos indivíduos. As experiências adversas, especialmente durante a infância, constituem fatores de risco para o desenvolvimento de problemas de saúde mental, para a vitimação contínua e desenvolvimento de trajetórias criminais. Este estudo tem como objetivo analisar a relação entre adversidade na infância e sintomatologia traumática em homens presos por crimes de diversas tipologias (e.g., violência doméstica, violência sexual). A amostra consiste em 101 ofensores a cumprir pena em estabelecimentos prisionais, predominantemente de nacionalidade portuguesa (97%), com uma idade média de 45 anos (M = 45.04, DP = 11.45). Os dados foram recolhidos presencialmente nos estabelecimentos prisionais, com recurso a questionários de autorrelato. Os resultados mostram que, em média, os homens reclusos reportaram 5.21 (DP = 2.78) experiências adversas na infância, com 74.3% a reportar quatro ou mais. A violência comunitária (73.0%), a exposição à violência doméstica (60.0%) e o abuso físico (60.0%) foram as mais reportadas. Quanto aos problemas de saúde mental, 33.7% dos homens preenchia critérios para perturbação de stress pós-traumático e 15.8% de perturbação de stress pós-traumático complexo. Foi encontrada uma comorbilidade elevada entre estas e outras perturbações (dissociação, depressão, ansiedade, perturbações de sono. Um número maior de Experiências Adversas na Infância está positivamente relacionado com sintomatologia mais elevada e mais diversa. Estes resultados sugerem que a adversidade na infância desempenha um papel crucial no desenvolvimento de sintomatologia traumática e comportamentos criminosos em homens presos, sublinhando a importância de intervenções precoces e programas de reabilitação focados no trauma.