Publicação
Fungicidas nos ecossistemas aquáticos: evidências do projeto FunG-Eye
| Resumo: | O uso de pesticidas está longe de ser sustentável, apesar dos esforços legislativos e das políticas ambiciosas da União Europeia (UE). De entre as várias classes de pesticidas, os fungicidas são a mais usada na Europa, e a sua deteção em águas superficiais é frequente. No entanto, a informação sobre os efeitos ecológicos de fungicidas nos ecossistemas aquáticos é ainda insuficiente, fruto de um certo grau de enviesamento na literatura científica. Este artigo pretende reforçar a consciencialização para a problemática dos impactos dos fungicidas nas teias alimentares aquáticas e demonstrar – com recurso a estatísticas oficiais e dados gerados pelo projeto FunG-Eye – que ainda estamos longe de um uso sustentável. Os dados de vendas e utilização de pesticidas (ou produtos fitofarmacêuticos) revelaram que os fungicidas são fundamentais na produção agrícola no espaço europeu, e que esta dependência é mais pronunciada (relativamente a herbicidas e inseticidas) do que noutras regiões do mundo. Foram observadas assimetrias entre países europeus, sendo de destacar a região sob influência Mediterrânica (incluindo Portugal), que apresenta uma dependência marcada desta classe de pesticidas, recorrendo sobretudo a formulações à base de cobre e enxofre em detrimento de compostos orgânicos de síntese. Os fungos e oomicetos aquáticos são potenciais alvos dos fungicidas que atingem os ecossistemas aquáticos, e os resultados do projeto FunG-Eye demonstraram que algumas substâncias ativas (nomeadamente os azóis) podem ser perigosas para os processos e interações tróficas onde estes microrganismos intervêm. Atendendo às evidências científicas de que os agroquímicos têm contribuído para o declínio da biodiversidade aquática, este é um momento decisivo para o fomento de modos de produção agrícola mais sustentáveis e alinhados com a agenda europeia e das Nações Unidas (ONU) para 2030. O projeto FunG-Eye ambiciona contribuir para os alicerces científicos dessa mudança. |
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| Autores principais: | Castro, Bruno B. |
| Outros Autores: | Machado, Cláudia Marisa Silva; Pimentão, Ana Rita; Cuco, Ana Patrícia Domingues |
| Assunto: | Poluição aquática Pesticidas Interações tróficas Ecossistemas dulçaquícolas Podelos experimentais |
| Ano: | 2021 |
| País: | Portugal |
| Tipo de documento: | artigo |
| Tipo de acesso: | acesso aberto |
| Instituição associada: | Universidade do Minho |
| Idioma: | português |
| Origem: | RepositóriUM - Universidade do Minho |
| Resumo: | O uso de pesticidas está longe de ser sustentável, apesar dos esforços legislativos e das políticas ambiciosas da União Europeia (UE). De entre as várias classes de pesticidas, os fungicidas são a mais usada na Europa, e a sua deteção em águas superficiais é frequente. No entanto, a informação sobre os efeitos ecológicos de fungicidas nos ecossistemas aquáticos é ainda insuficiente, fruto de um certo grau de enviesamento na literatura científica. Este artigo pretende reforçar a consciencialização para a problemática dos impactos dos fungicidas nas teias alimentares aquáticas e demonstrar – com recurso a estatísticas oficiais e dados gerados pelo projeto FunG-Eye – que ainda estamos longe de um uso sustentável. Os dados de vendas e utilização de pesticidas (ou produtos fitofarmacêuticos) revelaram que os fungicidas são fundamentais na produção agrícola no espaço europeu, e que esta dependência é mais pronunciada (relativamente a herbicidas e inseticidas) do que noutras regiões do mundo. Foram observadas assimetrias entre países europeus, sendo de destacar a região sob influência Mediterrânica (incluindo Portugal), que apresenta uma dependência marcada desta classe de pesticidas, recorrendo sobretudo a formulações à base de cobre e enxofre em detrimento de compostos orgânicos de síntese. Os fungos e oomicetos aquáticos são potenciais alvos dos fungicidas que atingem os ecossistemas aquáticos, e os resultados do projeto FunG-Eye demonstraram que algumas substâncias ativas (nomeadamente os azóis) podem ser perigosas para os processos e interações tróficas onde estes microrganismos intervêm. Atendendo às evidências científicas de que os agroquímicos têm contribuído para o declínio da biodiversidade aquática, este é um momento decisivo para o fomento de modos de produção agrícola mais sustentáveis e alinhados com a agenda europeia e das Nações Unidas (ONU) para 2030. O projeto FunG-Eye ambiciona contribuir para os alicerces científicos dessa mudança. |
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