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Estudo paleoetnobotânico do povoado da Idade do Ferro do Crastoeiro (Noroeste de Portugal)

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Detalhes bibliográficos
Resumo:O povoado da Idade do Ferro do Crastoeiro localiza-se em Mondim de Basto, distrito de Vila Real. Está assente num esporão na base da vertente oeste do Monte Farinha. Nas campanhas arqueológicas de 2006 e 2007 foram aí descobertas várias fossas abertas no substrato rochoso, próximas de um conjunto de gravuras rupestres de arte atlântica, no interior das quais se detetaram inúmeros macrorrestos vegetais. O objetivo geral deste trabalho visou compreender e enquadrar as práticas agrícolas da Idade do Ferro, no noroeste de Portugal. Para além disto, os estudos carpológicos permitem obter informações importantes sobre hábitos alimentares, o ambiente ruderal e práticas de armazenagem. Foram estudadas no total dezanove amostras, provenientes de quatro fossas (XVIII, XVIII.1, XVIII.2, XVIII.5), localizadas numa área central do povoado e destinada à armazenagem dos diversos cultivos. O conteúdo destas fossas revelou que o trigo espelta (Triticum spelta) era o principal cultivo, sendo grande a diferença em relação aos outros cereais. Para além dos grãos foram recolhidas as espiguetas, o que significava que este cereal, não se encontrava plenamente processado e que sugere um armazenamento a longo termo. Para além do trigo espelta registamos a presença de outros cereais. Destacamos o milho-miúdo (Panicum milliaceum), a cevada de grão vestido (Hordeum vulgare), o centeio (Secale cereale) e o milho-painço (Setaria italica). De realçar a presença do milho-miúdo, um cultivo de primavera que nos leva a propor a existência de duas colheitas por ano. O registo do centeio foi surpreendente. Através da datação por radiocarbono efetuada, obtivemos o contexto mais antigo de centeio para o noroeste Ibérico. No Crastoeiro, durante a ocupação da Idade do Ferro foi praticada uma agricultura diversificada. Terá sido, exercida uma forte pressão sobre os recursos vegetais, o que deverá ter tido impactos ambientais, por exemplo ao nível do coberto vegetal e erosão de solos. A partir do séc. V a. C., as condições climáticas terão piorado, com temperaturas mais baixas e ambientes mais húmidos. Esta situação obrigou a uma adaptação, por parte das comunidades que selecionaram cereais pouco exigentes em relação à condição dos solos e versáteis em comparação com o clima.
Autores principais:Seabra, Luís Carlos Neto
Assunto:Crastoeiro Estratégias de armazenagem Idade do ferro Práticas agrícolas Storage structures Iron age Agricultural pratices Humanidades::História e Arqueologia
Ano:2015
País:Portugal
Tipo de documento:dissertação de mestrado
Tipo de acesso:acesso aberto
Instituição associada:Universidade do Minho
Idioma:português
Origem:RepositóriUM - Universidade do Minho
Descrição
Resumo:O povoado da Idade do Ferro do Crastoeiro localiza-se em Mondim de Basto, distrito de Vila Real. Está assente num esporão na base da vertente oeste do Monte Farinha. Nas campanhas arqueológicas de 2006 e 2007 foram aí descobertas várias fossas abertas no substrato rochoso, próximas de um conjunto de gravuras rupestres de arte atlântica, no interior das quais se detetaram inúmeros macrorrestos vegetais. O objetivo geral deste trabalho visou compreender e enquadrar as práticas agrícolas da Idade do Ferro, no noroeste de Portugal. Para além disto, os estudos carpológicos permitem obter informações importantes sobre hábitos alimentares, o ambiente ruderal e práticas de armazenagem. Foram estudadas no total dezanove amostras, provenientes de quatro fossas (XVIII, XVIII.1, XVIII.2, XVIII.5), localizadas numa área central do povoado e destinada à armazenagem dos diversos cultivos. O conteúdo destas fossas revelou que o trigo espelta (Triticum spelta) era o principal cultivo, sendo grande a diferença em relação aos outros cereais. Para além dos grãos foram recolhidas as espiguetas, o que significava que este cereal, não se encontrava plenamente processado e que sugere um armazenamento a longo termo. Para além do trigo espelta registamos a presença de outros cereais. Destacamos o milho-miúdo (Panicum milliaceum), a cevada de grão vestido (Hordeum vulgare), o centeio (Secale cereale) e o milho-painço (Setaria italica). De realçar a presença do milho-miúdo, um cultivo de primavera que nos leva a propor a existência de duas colheitas por ano. O registo do centeio foi surpreendente. Através da datação por radiocarbono efetuada, obtivemos o contexto mais antigo de centeio para o noroeste Ibérico. No Crastoeiro, durante a ocupação da Idade do Ferro foi praticada uma agricultura diversificada. Terá sido, exercida uma forte pressão sobre os recursos vegetais, o que deverá ter tido impactos ambientais, por exemplo ao nível do coberto vegetal e erosão de solos. A partir do séc. V a. C., as condições climáticas terão piorado, com temperaturas mais baixas e ambientes mais húmidos. Esta situação obrigou a uma adaptação, por parte das comunidades que selecionaram cereais pouco exigentes em relação à condição dos solos e versáteis em comparação com o clima.