Publicação
Ser mulher num bairro social: aspectos dos trajetos e cotidiano feminino nas Andorinhas (Braga)
| Resumo: | Esta tese versa sobre questões de gênero em articulação com algumas dimensões da discussão em torno da habitação social, tendo como contexto de análise o bairro social das Andorinhas, localizado no concelho de Braga, norte de Portugal. Concluído em 1983, este empreendimento surge num contexto marcado pelo desenvolvimento de políticas de habitação por parte do Estado, com destaque para a construção de fogos de cariz social, ante o acentuado crescimento populacional urbano iniciado a partir da década de 70 e novas dinâmicas sociais decorrentes do processo de democratização do país. Tratou-se, pois, de garantir moradia àqueles que não apresentavam condições econômicas para a sua aquisição ou arrendamento no mercado habitacional convencional. Assume-se como questão norteadora deste trabalho a situação social das mulheres que habitam aquele mesmo bairro, em especial no que se relaciona com as desigualdades de gênero vivenciadas no cotidiano. Tendo isto em mente, podemos perceber como as desigualdades sociais são sentidas mais intensamente pelas mulheres, sobretudo pela dupla subalternização – pública e privada – a que culturalmente foram conduzidas. Assim, evidenciam-se alguns processos de enfrentamento criados pelas mesmas, que podemos definir enquanto expressões de oposição e mesmo de resistência, com destaque para aspectos políticos, sociais, familiares, laborais, entre outros. Para além do recurso a fontes primárias e bibliográficas, foram explorados dados obtidos por via de entrevistas e de inquéritos por questionário e com recurso a diários de campo e fotografias. Emerge destes dados a análise das categorias: experiência no sistema educacional, trajetos profissionais, participação política e estereótipos de gênero. Assumiu-se como central a reflexão sobre a interseção entre desigualdades de gênero e outras desigualdades sociais. Se nos deparamos com as questões de desigualdade e exclusão social, onde o direito à habitação vem como um dos pilares fundamentais para a redução da vulnerabilidade, evidencia-se, contudo, a necessidade de inclusão de outros direitos básicos. Os resultados permitem-nos observar os reflexos dos avanços em termos legislativos, sócio históricos e culturais em Portugal, ressaltando, porém, a permanência de relações sociais ainda permeadas pela dominação masculina, sendo evidente a subalternização das mulheres, traduzidas nas suas percepções e práticas cotidianas. |
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| Autores principais: | Silva, Joana Teixeira Ferraz |
| Assunto: | Braga Desigualdades sociais Mulheres Políticas sociais Social inequalities Women Social policies |
| Ano: | 2019 |
| País: | Portugal |
| Tipo de documento: | dissertação de mestrado |
| Tipo de acesso: | acesso aberto |
| Instituição associada: | Universidade do Minho |
| Idioma: | português |
| Origem: | RepositóriUM - Universidade do Minho |
| Resumo: | Esta tese versa sobre questões de gênero em articulação com algumas dimensões da discussão em torno da habitação social, tendo como contexto de análise o bairro social das Andorinhas, localizado no concelho de Braga, norte de Portugal. Concluído em 1983, este empreendimento surge num contexto marcado pelo desenvolvimento de políticas de habitação por parte do Estado, com destaque para a construção de fogos de cariz social, ante o acentuado crescimento populacional urbano iniciado a partir da década de 70 e novas dinâmicas sociais decorrentes do processo de democratização do país. Tratou-se, pois, de garantir moradia àqueles que não apresentavam condições econômicas para a sua aquisição ou arrendamento no mercado habitacional convencional. Assume-se como questão norteadora deste trabalho a situação social das mulheres que habitam aquele mesmo bairro, em especial no que se relaciona com as desigualdades de gênero vivenciadas no cotidiano. Tendo isto em mente, podemos perceber como as desigualdades sociais são sentidas mais intensamente pelas mulheres, sobretudo pela dupla subalternização – pública e privada – a que culturalmente foram conduzidas. Assim, evidenciam-se alguns processos de enfrentamento criados pelas mesmas, que podemos definir enquanto expressões de oposição e mesmo de resistência, com destaque para aspectos políticos, sociais, familiares, laborais, entre outros. Para além do recurso a fontes primárias e bibliográficas, foram explorados dados obtidos por via de entrevistas e de inquéritos por questionário e com recurso a diários de campo e fotografias. Emerge destes dados a análise das categorias: experiência no sistema educacional, trajetos profissionais, participação política e estereótipos de gênero. Assumiu-se como central a reflexão sobre a interseção entre desigualdades de gênero e outras desigualdades sociais. Se nos deparamos com as questões de desigualdade e exclusão social, onde o direito à habitação vem como um dos pilares fundamentais para a redução da vulnerabilidade, evidencia-se, contudo, a necessidade de inclusão de outros direitos básicos. Os resultados permitem-nos observar os reflexos dos avanços em termos legislativos, sócio históricos e culturais em Portugal, ressaltando, porém, a permanência de relações sociais ainda permeadas pela dominação masculina, sendo evidente a subalternização das mulheres, traduzidas nas suas percepções e práticas cotidianas. |
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