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Ilhas desconhecidas: memória, sensação e crónica em Maria Ondina Braga

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Detalhes bibliográficos
Resumo:Escritora viajante, Maria Ondina Braga viveu ou esteve em várias ilhas (Grã-Bretanha, Coloane (Macau), Sri Lanka, Singapura, Cabo Verde, Madeira e Porto Santo, entre outras. O imaginário insular atravessa a escrita ondiniana, originalmente associado ao papel das sensações e da memória involuntária da infância na emergência de um “eu autobiográfico” (António Damásio) em busca de um paraíso de solidão e de liberdade. Enquanto lugar de isolamento, a representação da ilha surgirá igualmente à escritora adulta como espaço de construção autoral e metáfora da condição de escrita.“Preciso de um lugar longe, que nada tenha a ver com a minha fragilidade e os meus fantasmas. Uma ilha verdadeira”, afirma uma das suas personagens, também ela autora de um diário. Este artigo dá a conhecer um conjunto de crónicas inéditas, datiloscritas, sobre a visita de Maria Ondina ao arquipélago dos Açores e o encontro com a beleza exuberante das ilhas, procurando destacar a importância desta visita na construção da sua “identidade narrativa” (Paul Ricoueur). A partir dos conceitos de “brouillon de soi” e “autobiocópia”, de Philippe Lejeune, pretende-se analisar a importância das crónicas enquanto material de escrita a que a autora tencionaria voltar mais tarde, chamando a atenção para o papel fundamental da intertextualidade, da memória literária e artística na representação das “ilhas desconhecidas”. Ao mesmo tempo, procura-se sublinhar a importância do encontro com o “outro”, com os ilhéus e suas histórias de exílio e de emigração, na construção da identidade narrativa de um “eu” para quem a vida se apresenta, não como uma narrativa unificada, mas como um conjunto de fragmentos vividos, dispersos no tempo (e no espaço) como ilhas.
Autores principais:Mateus, Isabel Cristina
Assunto:Maria Ondina Braga Memória Literatura Insular (Açores) Ilhas desconhecidas Escrita do "eu" Crónica Memory Insular literature (Azores) Travel literature Autobiography and autofiction Narrative identity Humanidades::Línguas e Literaturas Igualdade de género
Ano:2025
País:Portugal
Tipo de documento:comunicação em conferência
Tipo de acesso:acesso aberto
Instituição associada:Universidade do Minho
Idioma:português
Origem:RepositóriUM - Universidade do Minho
Descrição
Resumo:Escritora viajante, Maria Ondina Braga viveu ou esteve em várias ilhas (Grã-Bretanha, Coloane (Macau), Sri Lanka, Singapura, Cabo Verde, Madeira e Porto Santo, entre outras. O imaginário insular atravessa a escrita ondiniana, originalmente associado ao papel das sensações e da memória involuntária da infância na emergência de um “eu autobiográfico” (António Damásio) em busca de um paraíso de solidão e de liberdade. Enquanto lugar de isolamento, a representação da ilha surgirá igualmente à escritora adulta como espaço de construção autoral e metáfora da condição de escrita.“Preciso de um lugar longe, que nada tenha a ver com a minha fragilidade e os meus fantasmas. Uma ilha verdadeira”, afirma uma das suas personagens, também ela autora de um diário. Este artigo dá a conhecer um conjunto de crónicas inéditas, datiloscritas, sobre a visita de Maria Ondina ao arquipélago dos Açores e o encontro com a beleza exuberante das ilhas, procurando destacar a importância desta visita na construção da sua “identidade narrativa” (Paul Ricoueur). A partir dos conceitos de “brouillon de soi” e “autobiocópia”, de Philippe Lejeune, pretende-se analisar a importância das crónicas enquanto material de escrita a que a autora tencionaria voltar mais tarde, chamando a atenção para o papel fundamental da intertextualidade, da memória literária e artística na representação das “ilhas desconhecidas”. Ao mesmo tempo, procura-se sublinhar a importância do encontro com o “outro”, com os ilhéus e suas histórias de exílio e de emigração, na construção da identidade narrativa de um “eu” para quem a vida se apresenta, não como uma narrativa unificada, mas como um conjunto de fragmentos vividos, dispersos no tempo (e no espaço) como ilhas.

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