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Protagonismo infantil: por entre os (des)caminhos da corporificação na escola

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Detalhes bibliográficos
Resumo:Na (suposta) autonomia do objeto, enuncio a convergência de influxos das áreas de conhecimento da sociologia da infância e da educação física (EdF) com a sociologia da educação – em cenários da atividade física e desportiva “curricularizada” – numa instituição pública pública portuguesa. Com o objetivo principal de analisar o protagonismo infantil por entre os (des)caminhos da corporificação na escola, adentrei na produção do conhecimento priorizado pela formação humana sobre a capacitação técnica implicada nas especificidades das práticas corporais. Enfocada pelo método da objetivação participante sobre as condições sociais do objeto, esta investigação foi também dialogada por um interpretativismo crítico da ação escolar às limitações da carga horária semanal para o quarto ano do ciclo básico. Entre domínios normativos e consentimentos (in)formais dos responsáveis, estes aprovaram a frequência das crianças nas aulas, mas nem todos firmaram autorizações à pesquisa. Diante desta configuração tácita, todas elas “se delimitaram a estar” ativamente juntas. Nos acordos com o seu Prof.EdF, assumi parte das aulas como mediador primário, ao que de marquei unidades de sentido enquanto elementos de análise sobre as respectivas unidades de contexto processadas pelo programa informático NVivo. Diante das circunstâncias do isolamento pandêmico (Covid-19), duas matrizes foram agrupadas e codificadas: uma do período presencial e outra dos “Encontros virtuais” com as crianças autorizadas. Da análise dos discursos na análise de conteúdo estratificada pelas matrizes, constatei coocorrências de manifestações singulares, cujas diferentes linguagens despontaram sobre o arbitrário (inter)cultural de interlocução-ação mediado. Na estratégica problematização do “como fazer” (des)organizado no interior das práticas corporais (que são sociais), os vestígios de preconceitos sinalizados entre relações de gênero, performance motora e demais códigos excludentes acabavam contornando debates sobre “por que fazer” de outras formas. A ativação destes estados pró-fóruns pôde ser refinada entre limites e possibilidades mapeadas pelas categorias habitus e participação. A primeira, em princípio considerada como instância da socialização, foi descodificada pelo viés tokenista da participação nas sociodinâmicas diretivas dos diversos jogos enformados pelo arbitrário cultural de imposição e inculcação. Sem descartar a importância regrada dos mesmos, algumas propostas puderam ser transmutadas à segunda categoria. Com olhar aos patamares superiores, a participação foi instigada por práticas pedagógicas cuja fruição das vozes das crianças pudera ser percebida pela dialética de poder (motivada/comprometida) nas suas próprias análises dos vídeos sobre atorias e autorias nas aulas. Contudo, a escola evidenciou deliberar-se mais pela corporificação nos recreios à revelia do que pela relação com a área de conhecimento e competência da EdF. Da hibridização de conteúdos (im)previsíveis, o apreender das especificidades do objeto construído pôde “suspirar” nestes lugares redimensionados pelo exercício da cidadania engajada à coexistência das diferentes manifestações. Ao que apontam para a urgente necessidade de (re)formular o currículo, no sentido de dessedimentar essa dicotomia na infância ainda pensada como “mente” matriculada em separado do corpo (pseudo)protagonista dentro do legítimo espaço de direitos da criança.
Autores principais:Ferreira, Jairo Roberto Paim
Assunto:Arbitrário cultural Cultura corporal Experiência social Produção curricular Protagonismo infantil Cultural arbitrary Body culture Social experience Curriculum production Child protagonism
Ano:2022
País:Portugal
Tipo de documento:tese de doutoramento
Tipo de acesso:acesso aberto
Instituição associada:Universidade do Minho
Idioma:português
Origem:RepositóriUM - Universidade do Minho
Descrição
Resumo:Na (suposta) autonomia do objeto, enuncio a convergência de influxos das áreas de conhecimento da sociologia da infância e da educação física (EdF) com a sociologia da educação – em cenários da atividade física e desportiva “curricularizada” – numa instituição pública pública portuguesa. Com o objetivo principal de analisar o protagonismo infantil por entre os (des)caminhos da corporificação na escola, adentrei na produção do conhecimento priorizado pela formação humana sobre a capacitação técnica implicada nas especificidades das práticas corporais. Enfocada pelo método da objetivação participante sobre as condições sociais do objeto, esta investigação foi também dialogada por um interpretativismo crítico da ação escolar às limitações da carga horária semanal para o quarto ano do ciclo básico. Entre domínios normativos e consentimentos (in)formais dos responsáveis, estes aprovaram a frequência das crianças nas aulas, mas nem todos firmaram autorizações à pesquisa. Diante desta configuração tácita, todas elas “se delimitaram a estar” ativamente juntas. Nos acordos com o seu Prof.EdF, assumi parte das aulas como mediador primário, ao que de marquei unidades de sentido enquanto elementos de análise sobre as respectivas unidades de contexto processadas pelo programa informático NVivo. Diante das circunstâncias do isolamento pandêmico (Covid-19), duas matrizes foram agrupadas e codificadas: uma do período presencial e outra dos “Encontros virtuais” com as crianças autorizadas. Da análise dos discursos na análise de conteúdo estratificada pelas matrizes, constatei coocorrências de manifestações singulares, cujas diferentes linguagens despontaram sobre o arbitrário (inter)cultural de interlocução-ação mediado. Na estratégica problematização do “como fazer” (des)organizado no interior das práticas corporais (que são sociais), os vestígios de preconceitos sinalizados entre relações de gênero, performance motora e demais códigos excludentes acabavam contornando debates sobre “por que fazer” de outras formas. A ativação destes estados pró-fóruns pôde ser refinada entre limites e possibilidades mapeadas pelas categorias habitus e participação. A primeira, em princípio considerada como instância da socialização, foi descodificada pelo viés tokenista da participação nas sociodinâmicas diretivas dos diversos jogos enformados pelo arbitrário cultural de imposição e inculcação. Sem descartar a importância regrada dos mesmos, algumas propostas puderam ser transmutadas à segunda categoria. Com olhar aos patamares superiores, a participação foi instigada por práticas pedagógicas cuja fruição das vozes das crianças pudera ser percebida pela dialética de poder (motivada/comprometida) nas suas próprias análises dos vídeos sobre atorias e autorias nas aulas. Contudo, a escola evidenciou deliberar-se mais pela corporificação nos recreios à revelia do que pela relação com a área de conhecimento e competência da EdF. Da hibridização de conteúdos (im)previsíveis, o apreender das especificidades do objeto construído pôde “suspirar” nestes lugares redimensionados pelo exercício da cidadania engajada à coexistência das diferentes manifestações. Ao que apontam para a urgente necessidade de (re)formular o currículo, no sentido de dessedimentar essa dicotomia na infância ainda pensada como “mente” matriculada em separado do corpo (pseudo)protagonista dentro do legítimo espaço de direitos da criança.