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A população de Priscos entre os Séculos XVI e XX: estudo demográfico

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Resumo:A dissertação de mestrado que agora apresentamos tem como objetivo a análise dos comportamentos demográficos e a evolução da população da freguesia de Priscos, atualmente integrada no município de Braga, numa perspetiva microanalítica de longa duração (séculos XVI a XX). Neste sentido, privilegiámos a metodologia de “reconstituição de paróquias” desenvolvida sobre a informação proporcionada pelos registos paroquiais de batismos, casamentos e óbitos que, por cruzamento nominativo, permitiu a construção de uma base de dados demográfica e genealógica, tendo como datas extremas os anos de 1580 e 1910. A partir desta base de dados desenvolvemos a análise das variáveis responsáveis pela dinâmica das populações: nupcialidade, fecundidade e mortalidade. Por outro lado, reconhecendo que a região do Minho se diferencia de outras regiões do país, pela especificidade dos comportamentos demográficos que aí têm vindo a ser detetados, procedemos sempre que possível ao estudo comparativo dos indicadores obtidos para cada uma das variáveis demográficas. Os resultados encontrados para a nupcialidade revelaram tendências próximas das que têm vindo a ser observadas na sub-região do Baixo Minho, contrastando de alguma forma com as que se verificaram na sub-região do Alto Minho. Assim, as idades médias ao primeiro casamento foram superiores no sexo masculino, enquanto as taxas de celibato definitivo nas mulheres ultrapassaram largamente as que foram registadas para os homens durante toda a observação. As taxas de fecundidade legítima assumiram valores que podemos considerar moderados, num quadro de procriação próxima do “natural” típico do Antigo Regime demográfico. Os níveis de ilegitimidade permaneceram elevados ao longo de todo o período observado, reproduzindo o padrão que caracteriza o Baixo Minho. Num contexto de economia de subsistência, essencialmente dependente da cultura de cereais e da criação de gado, a população esteve sempre sujeita a crises de mortalidade excecional, sobretudo decorrentes de maus anos agrícolas e de carência alimentar. Os momentos de sobremortalidade mais acentuada ocorreram em 1722, 1769, 1809 e 1893, resultando de surtos epidémicos agravados por maus anos agrícolas. Considerando os valores encontrados para a esperança média de vida dos indivíduos nascidos e falecidos na paróquia, detetou-se a tendência para uma maior longevidade no sexo feminino nos grupos etários até aos 35 anos, verificando-se nos grupos seguintes uma inversão de comportamentos que contraria o que tem sido observado em outras paróquias minhotas, com exceção para a área rural de Guimarães. Finalmente pode concluir-se que, à semelhança do que ocorreu na época em toda a região, a mobilidade geográfica da população ativa masculina teria interferido de forma determinante na evolução da população de Priscos e nos seus comportamentos demográficos.
Autores principais:Fernandes, Milene dos Anjos
Assunto:Priscos Registos paroquiais Metodologia de reconstituição de paróquias Evolução da população Nupcialidade Fecundidade Mortalidade Parochial registers Methodology of parish reconstitution Population evolution Nupciality Fecundity Mortality Ciências Sociais::Sociologia Humanidades::História e Arqueologia
Ano:2015
País:Portugal
Tipo de documento:dissertação de mestrado
Tipo de acesso:acesso aberto
Instituição associada:Universidade do Minho
Idioma:português
Origem:RepositóriUM - Universidade do Minho
Descrição
Resumo:A dissertação de mestrado que agora apresentamos tem como objetivo a análise dos comportamentos demográficos e a evolução da população da freguesia de Priscos, atualmente integrada no município de Braga, numa perspetiva microanalítica de longa duração (séculos XVI a XX). Neste sentido, privilegiámos a metodologia de “reconstituição de paróquias” desenvolvida sobre a informação proporcionada pelos registos paroquiais de batismos, casamentos e óbitos que, por cruzamento nominativo, permitiu a construção de uma base de dados demográfica e genealógica, tendo como datas extremas os anos de 1580 e 1910. A partir desta base de dados desenvolvemos a análise das variáveis responsáveis pela dinâmica das populações: nupcialidade, fecundidade e mortalidade. Por outro lado, reconhecendo que a região do Minho se diferencia de outras regiões do país, pela especificidade dos comportamentos demográficos que aí têm vindo a ser detetados, procedemos sempre que possível ao estudo comparativo dos indicadores obtidos para cada uma das variáveis demográficas. Os resultados encontrados para a nupcialidade revelaram tendências próximas das que têm vindo a ser observadas na sub-região do Baixo Minho, contrastando de alguma forma com as que se verificaram na sub-região do Alto Minho. Assim, as idades médias ao primeiro casamento foram superiores no sexo masculino, enquanto as taxas de celibato definitivo nas mulheres ultrapassaram largamente as que foram registadas para os homens durante toda a observação. As taxas de fecundidade legítima assumiram valores que podemos considerar moderados, num quadro de procriação próxima do “natural” típico do Antigo Regime demográfico. Os níveis de ilegitimidade permaneceram elevados ao longo de todo o período observado, reproduzindo o padrão que caracteriza o Baixo Minho. Num contexto de economia de subsistência, essencialmente dependente da cultura de cereais e da criação de gado, a população esteve sempre sujeita a crises de mortalidade excecional, sobretudo decorrentes de maus anos agrícolas e de carência alimentar. Os momentos de sobremortalidade mais acentuada ocorreram em 1722, 1769, 1809 e 1893, resultando de surtos epidémicos agravados por maus anos agrícolas. Considerando os valores encontrados para a esperança média de vida dos indivíduos nascidos e falecidos na paróquia, detetou-se a tendência para uma maior longevidade no sexo feminino nos grupos etários até aos 35 anos, verificando-se nos grupos seguintes uma inversão de comportamentos que contraria o que tem sido observado em outras paróquias minhotas, com exceção para a área rural de Guimarães. Finalmente pode concluir-se que, à semelhança do que ocorreu na época em toda a região, a mobilidade geográfica da população ativa masculina teria interferido de forma determinante na evolução da população de Priscos e nos seus comportamentos demográficos.