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A influência africana nas tradições construtivas da Região Sertão do nordeste do Brasil

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Detalhes bibliográficos
Resumo:O predomínio da investigação sobre as Fazendas do Gado celebra a uníssona herança portuguesa, tanto na territorialidade do espaço sertanejo bem como nas tradições construtivas. Assim, a literatura de referência subtrai a existência do contributo africano e dos povos originários na construção do Território do Sertão do nordeste do Brasil. Esta subtração apaga a evidência da cultura imanente, efeito da miscigenação da população originária com os povos africanos, os quais mesmo no contexto escravista consolidaram um patrimônio comum, enraizado na terra. Estas constatações baseiam-se na investigação de doutoramento em curso, a qual através da revisão bibliográfica transdisciplinar, verifica lacunas sérias a respeito das contribuições africanas na formação do espaço sertanejo. No Estado da Arte a respeito da formação do território sertanejo as tradições construtivas vindas de África aparecem irrisórias e pouco referenciadas, mesmo diante do lastro evidente desta contribuição cultural para a formação das técnicas construtivas, no que respeita os materiais e os métodos construtivos. Os povos originários da região em pauta utilizavam-se essencialmente dos materiais vegetais para a construção de suas habitações. Atendendo aos desígnios da coroa e seus prepostos, os métodos construtivos dos povos portugueses predominaram na zona litorânea e nos interiores com centros económicos de maior vulto. A urbanização do colonizador reproduzia a fisionomia portuguesa, tanto nos partidos arquitetônicos como nos materiais e métodos construtivos. Em contraposição, os Quilombos e os agrupamentos das populações evadidas do ambiente escravista, imposta pelo invasor, remontam a meados do século XVI, ocupando de modo efetivo e vasto desde então o território sertanejo. O uso da terra enquanto principal material construtivo aferido nas taipas e no abobe, os arquétipos construtivos símiles às tradições dos povos Bantu e a abrangência dos territórios das populações tradicionais deflagram a inquestionável presença dos artefatos arquitetônicos da cultura negra no espaço sertanejo. Ao incorporar outras referências equivalentes no estudo do território em análise como, por exemplo - Clóvis Moura; Kabengele Munanga; Nelson W. Sodré; Rafael S. A. dos Anjos - somos demandados a outros modos de ver, de ler e de reinterpretar o território de modo equânime, incluso a contribuição africana presente na cultura construtiva da região Sertão.
Autores principais:Lima, Darlan de
Outros Autores:Silva, Cidália F.; Bessa, Sofia
Assunto:Região Sertão do Nordeste do Brasil Tradições construtivas Contribuição africana Reinterpretações do território sertanejo
Ano:2023
País:Portugal
Tipo de documento:comunicação em conferência
Tipo de acesso:acesso aberto
Instituição associada:Universidade do Minho
Idioma:português
Origem:RepositóriUM - Universidade do Minho
Descrição
Resumo:O predomínio da investigação sobre as Fazendas do Gado celebra a uníssona herança portuguesa, tanto na territorialidade do espaço sertanejo bem como nas tradições construtivas. Assim, a literatura de referência subtrai a existência do contributo africano e dos povos originários na construção do Território do Sertão do nordeste do Brasil. Esta subtração apaga a evidência da cultura imanente, efeito da miscigenação da população originária com os povos africanos, os quais mesmo no contexto escravista consolidaram um patrimônio comum, enraizado na terra. Estas constatações baseiam-se na investigação de doutoramento em curso, a qual através da revisão bibliográfica transdisciplinar, verifica lacunas sérias a respeito das contribuições africanas na formação do espaço sertanejo. No Estado da Arte a respeito da formação do território sertanejo as tradições construtivas vindas de África aparecem irrisórias e pouco referenciadas, mesmo diante do lastro evidente desta contribuição cultural para a formação das técnicas construtivas, no que respeita os materiais e os métodos construtivos. Os povos originários da região em pauta utilizavam-se essencialmente dos materiais vegetais para a construção de suas habitações. Atendendo aos desígnios da coroa e seus prepostos, os métodos construtivos dos povos portugueses predominaram na zona litorânea e nos interiores com centros económicos de maior vulto. A urbanização do colonizador reproduzia a fisionomia portuguesa, tanto nos partidos arquitetônicos como nos materiais e métodos construtivos. Em contraposição, os Quilombos e os agrupamentos das populações evadidas do ambiente escravista, imposta pelo invasor, remontam a meados do século XVI, ocupando de modo efetivo e vasto desde então o território sertanejo. O uso da terra enquanto principal material construtivo aferido nas taipas e no abobe, os arquétipos construtivos símiles às tradições dos povos Bantu e a abrangência dos territórios das populações tradicionais deflagram a inquestionável presença dos artefatos arquitetônicos da cultura negra no espaço sertanejo. Ao incorporar outras referências equivalentes no estudo do território em análise como, por exemplo - Clóvis Moura; Kabengele Munanga; Nelson W. Sodré; Rafael S. A. dos Anjos - somos demandados a outros modos de ver, de ler e de reinterpretar o território de modo equânime, incluso a contribuição africana presente na cultura construtiva da região Sertão.