Publicação
Direito a brincar: efeitos de um programa de intervenção em espaços de brincar e da pandemia COVID-19 na atividade lúdica de crianças
| Resumo: | O presente trabalho consistiu na criação e implementação de um programa de promoção do direito a brincar em escolas do 1.º Ciclo do Ensino Básico. Envolveu os diferentes stakeholders, abrangendo um universo de 1650 crianças de 5 agrupamentos de escolas de Lisboa. A construção do programa baseou-se quer em estratégias de índole quantitativa (inquéritos), quer de índole qualitativa (observação e grupos focais). A sua implementação concretizou-se através da melhoria dos espaços de brincar exteriores das escolas, com a marcação de jogos de chão e a disponibilização de um kit lúdico para utilização livre das crianças. Do trabalho realizado no âmbito do programa de intervenção derivam três estudos. O primeiro, envolvendo 357 crianças, diz respeito ao impacto do programa na satisfação das crianças com os espaços de brincar na escola e na atividade lúdica que aí ocorre. Verificámos que o programa foi eficaz apenas em parte da intervenção já que existem diferenças significativas quanto às pinturas dos jogos, mas não em relação aos materiais. Foi igualmente notória a prevalência de atividades ligadas ao movimento em detrimento de outras modalidades lúdicas. Os resultados encontrados neste primeiro estudo devem ser vistos à luz da pandemia que, entretanto, assolou o mundo e que trabalhamos nos outros dois estudos que constituem esta tese. Assim, os restantes estudos espelham o que a pandemia COVID-19 trouxe para o usufruto do direito a brincar das crianças na escola. No primeiro, considerando uma amostra de 370 crianças, os resultados demonstram que as crianças continuam a percecionar o recreio como algo de extrema importância, contudo a pandemia COVID-19 impactou a vivência lúdica no contexto escolar, as relações entre pares e pode mesmo ter chegado a diminuir a qualidade de vida em saúde na esfera da saúde emocional. No último estudo investigamos duas amostras independentes de crianças (num total de 612 crianças), uma antes e a outra em pandemia. Verificámos que as restrições ao brincar em contexto escolar já eram elevadas antes da pandemia e que pode ter existido uma melhoria nas relações entre pares, ainda que em grupos mais pequenos de interação. Os profissionais de educação estiveram muito mais presentes nos espaços de brincar exteriores das escolas em contexto pandémico, mas mantendo sobretudo uma postura de supervisão e não de envolvimento. Foi notória a relevância do Brincar no bem-estar na escola, pelo que ações que o promovam devem ser uma prioridade para todos os agentes envolvidos na comunidade escolar. |
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| Autores principais: | Lourenço, Ana Margarida Real |
| Assunto: | 1.º Ciclo do Ensino Básico Brincar Crianças COVID-19 Saúde Primary education Play Children Health |
| Ano: | 2024 |
| País: | Portugal |
| Tipo de documento: | tese de doutoramento |
| Tipo de acesso: | acesso aberto |
| Instituição associada: | Universidade do Minho |
| Idioma: | português |
| Origem: | RepositóriUM - Universidade do Minho |
| Resumo: | O presente trabalho consistiu na criação e implementação de um programa de promoção do direito a brincar em escolas do 1.º Ciclo do Ensino Básico. Envolveu os diferentes stakeholders, abrangendo um universo de 1650 crianças de 5 agrupamentos de escolas de Lisboa. A construção do programa baseou-se quer em estratégias de índole quantitativa (inquéritos), quer de índole qualitativa (observação e grupos focais). A sua implementação concretizou-se através da melhoria dos espaços de brincar exteriores das escolas, com a marcação de jogos de chão e a disponibilização de um kit lúdico para utilização livre das crianças. Do trabalho realizado no âmbito do programa de intervenção derivam três estudos. O primeiro, envolvendo 357 crianças, diz respeito ao impacto do programa na satisfação das crianças com os espaços de brincar na escola e na atividade lúdica que aí ocorre. Verificámos que o programa foi eficaz apenas em parte da intervenção já que existem diferenças significativas quanto às pinturas dos jogos, mas não em relação aos materiais. Foi igualmente notória a prevalência de atividades ligadas ao movimento em detrimento de outras modalidades lúdicas. Os resultados encontrados neste primeiro estudo devem ser vistos à luz da pandemia que, entretanto, assolou o mundo e que trabalhamos nos outros dois estudos que constituem esta tese. Assim, os restantes estudos espelham o que a pandemia COVID-19 trouxe para o usufruto do direito a brincar das crianças na escola. No primeiro, considerando uma amostra de 370 crianças, os resultados demonstram que as crianças continuam a percecionar o recreio como algo de extrema importância, contudo a pandemia COVID-19 impactou a vivência lúdica no contexto escolar, as relações entre pares e pode mesmo ter chegado a diminuir a qualidade de vida em saúde na esfera da saúde emocional. No último estudo investigamos duas amostras independentes de crianças (num total de 612 crianças), uma antes e a outra em pandemia. Verificámos que as restrições ao brincar em contexto escolar já eram elevadas antes da pandemia e que pode ter existido uma melhoria nas relações entre pares, ainda que em grupos mais pequenos de interação. Os profissionais de educação estiveram muito mais presentes nos espaços de brincar exteriores das escolas em contexto pandémico, mas mantendo sobretudo uma postura de supervisão e não de envolvimento. Foi notória a relevância do Brincar no bem-estar na escola, pelo que ações que o promovam devem ser uma prioridade para todos os agentes envolvidos na comunidade escolar. |
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