Publicação
Tradução, adaptação e validação do conteúdo do instrumento Assessment of Peer Relations tendo em conta a realidade cultural portuguesa
| Resumo: | As situações de interação da criança com os seus pares são entendidas como fulcrais para o desenvolvimento na área social e em todas as outras áreas como sejam, a comunicação, a linguagem, a cognição, a emoção. Esta relação é bidirecional já que o desempenho da criança nas mais diversas áreas do desenvolvimento também se repercute no seu funcionamento social. Compreende-se, portanto, que qualquer dificuldade a este nível poderá afetar o desenvolvimento da criança pelo que se salienta a importância de se especificarem, tão cedo, quanto possível, eventuais dificuldades na interação social para se possa proceder à intervenção necessária no sentido de potenciar ao máximo as competências, tentando minimizar qualquer tipo de consequências. No entanto, em Portugal é reduzido o número de instrumentos validados que possam ser utilizados para a avaliação de competências específicas como são as de interação social. É neste âmbito que surge o presente trabalho com o objetivo de traduzir, adaptar e validar o conteúdo das secções do instrumento de avaliação – “Assessment of Peer Relations” - “Avaliação da Relação com Pares”, tendo em conta a realidade cultural portuguesa. Este instrumento é construído com base nos parâmetros do desenvolvimento interacional e valoriza, tal com os modelos teóricos preconizam hoje em dia, a avaliação contextual que se aproxime o mais possível do desempenho espontâneo da criança. Este instrumento foca-se, pois, nas competências da criança entre os três e os cinco anos de idade observada nos contextos naturais de interação, solicitando-se o preenchimento após alguns dias de observação e enfatizando a importância de recolher informação junto de todos os que conhecem e lidam diariamente com a criança. A metodologia utilizada neste estudo é de base qualitativa. Neste sentido, para a tradução e retro tradução do instrumento recorreu-se a uma equipa de tradutores. O instrumento traduzido foi utilizado em três estudos piloto que contribuíram para um melhoramento linguístico constante da Avaliação das Relações com Pares e permitiram aferir acerca da importância de prosseguir com o estudo. Para a adaptação e a validação do conteúdo constituiu-se um painel de peritos com uma extensa experiência profissional na área da intervenção precoce. Deste processo resultou a adaptação e validação da secção I e da secção II do referido instrumento considerando-se que a secção III seria difícil de operacionalizar nos jardins – de- infância portugueses pela exigência de análise requerida por esta secção, pela sua complexidade e pela menor aplicabilidade/funcionalidade prática. Da necessidade de compreender a perspetiva dos profissionais que poderão ser os potenciais utilizadores do instrumento surgiu um outro objetivo desta investigação- Compreender a pertinência, utilidade e a aplicabilidade/funcionalidade do instrumento tendo em conta a perspetiva dos profissionais. Neste sentido, foi possível contar com a participação de oito profissionais das áreas da educação de infância e da terapia da fala. Estas profissionais aplicaram a versão já validada a crianças que acompanhavam e que identificaram como tendo dificuldades de interação e, num momento posterior, partilharam as suas perspetivas acerca do instrumento numa entrevista semi-estruturada. A análise das entrevistas permitiu perceber que todas as participantes veicularam perceções positivas acerca do instrumento. Consideram poder utilizá-lo na prática profissional e referem que ajuda a estabelecer a ponte com a intervenção. Indicam a necessidade de encontrar estratégias que permitam contornar a sua extensão, principalmente no que diz respeito aos textos de suporte teórico que complementam o instrumento. Indicam também que o instrumento as conduziu a um processo de reflexão acerca das atitudes, atividades e dinâmica que implementam e aludiram ao facto do instrumento lhes ter permitido não só relembrar informação, como também aceder a novos conhecimentos e consideram, por isso, que o instrumento pode vir a ter um impacto positivo no desempenho dos diversos profissionais. Todo este percurso e os dados que foram sendo recolhidos proporcionaram, também, a emergência de diversas reflexões e a consequente necessidade de investigações futuras que incidam sobre o estudo de quais as perceções dos profissionais, nomeadamente os educadores de infância, sobre as interações sociais e quais os tipos de dinâmicas adotadas nos jardins- de- infância tendo em conta a potenciação das interações sociais e a concomitante fomentação do desenvolvimento em todas as outras áreas. |
|---|---|
| Autores principais: | Soares, Elsa Marta Pereira |
| Assunto: | Interação social Pares Avaliação no contexto Social interaction Peers Assessment in the context |
| Ano: | 2013 |
| País: | Portugal |
| Tipo de documento: | tese de doutoramento |
| Tipo de acesso: | acesso aberto |
| Instituição associada: | Universidade do Minho |
| Idioma: | português |
| Origem: | RepositóriUM - Universidade do Minho |
| Resumo: | As situações de interação da criança com os seus pares são entendidas como fulcrais para o desenvolvimento na área social e em todas as outras áreas como sejam, a comunicação, a linguagem, a cognição, a emoção. Esta relação é bidirecional já que o desempenho da criança nas mais diversas áreas do desenvolvimento também se repercute no seu funcionamento social. Compreende-se, portanto, que qualquer dificuldade a este nível poderá afetar o desenvolvimento da criança pelo que se salienta a importância de se especificarem, tão cedo, quanto possível, eventuais dificuldades na interação social para se possa proceder à intervenção necessária no sentido de potenciar ao máximo as competências, tentando minimizar qualquer tipo de consequências. No entanto, em Portugal é reduzido o número de instrumentos validados que possam ser utilizados para a avaliação de competências específicas como são as de interação social. É neste âmbito que surge o presente trabalho com o objetivo de traduzir, adaptar e validar o conteúdo das secções do instrumento de avaliação – “Assessment of Peer Relations” - “Avaliação da Relação com Pares”, tendo em conta a realidade cultural portuguesa. Este instrumento é construído com base nos parâmetros do desenvolvimento interacional e valoriza, tal com os modelos teóricos preconizam hoje em dia, a avaliação contextual que se aproxime o mais possível do desempenho espontâneo da criança. Este instrumento foca-se, pois, nas competências da criança entre os três e os cinco anos de idade observada nos contextos naturais de interação, solicitando-se o preenchimento após alguns dias de observação e enfatizando a importância de recolher informação junto de todos os que conhecem e lidam diariamente com a criança. A metodologia utilizada neste estudo é de base qualitativa. Neste sentido, para a tradução e retro tradução do instrumento recorreu-se a uma equipa de tradutores. O instrumento traduzido foi utilizado em três estudos piloto que contribuíram para um melhoramento linguístico constante da Avaliação das Relações com Pares e permitiram aferir acerca da importância de prosseguir com o estudo. Para a adaptação e a validação do conteúdo constituiu-se um painel de peritos com uma extensa experiência profissional na área da intervenção precoce. Deste processo resultou a adaptação e validação da secção I e da secção II do referido instrumento considerando-se que a secção III seria difícil de operacionalizar nos jardins – de- infância portugueses pela exigência de análise requerida por esta secção, pela sua complexidade e pela menor aplicabilidade/funcionalidade prática. Da necessidade de compreender a perspetiva dos profissionais que poderão ser os potenciais utilizadores do instrumento surgiu um outro objetivo desta investigação- Compreender a pertinência, utilidade e a aplicabilidade/funcionalidade do instrumento tendo em conta a perspetiva dos profissionais. Neste sentido, foi possível contar com a participação de oito profissionais das áreas da educação de infância e da terapia da fala. Estas profissionais aplicaram a versão já validada a crianças que acompanhavam e que identificaram como tendo dificuldades de interação e, num momento posterior, partilharam as suas perspetivas acerca do instrumento numa entrevista semi-estruturada. A análise das entrevistas permitiu perceber que todas as participantes veicularam perceções positivas acerca do instrumento. Consideram poder utilizá-lo na prática profissional e referem que ajuda a estabelecer a ponte com a intervenção. Indicam a necessidade de encontrar estratégias que permitam contornar a sua extensão, principalmente no que diz respeito aos textos de suporte teórico que complementam o instrumento. Indicam também que o instrumento as conduziu a um processo de reflexão acerca das atitudes, atividades e dinâmica que implementam e aludiram ao facto do instrumento lhes ter permitido não só relembrar informação, como também aceder a novos conhecimentos e consideram, por isso, que o instrumento pode vir a ter um impacto positivo no desempenho dos diversos profissionais. Todo este percurso e os dados que foram sendo recolhidos proporcionaram, também, a emergência de diversas reflexões e a consequente necessidade de investigações futuras que incidam sobre o estudo de quais as perceções dos profissionais, nomeadamente os educadores de infância, sobre as interações sociais e quais os tipos de dinâmicas adotadas nos jardins- de- infância tendo em conta a potenciação das interações sociais e a concomitante fomentação do desenvolvimento em todas as outras áreas. |
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