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Prefácio [a “Verdes são os campos”. A questão ambiental nas empresas]

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Detalhes bibliográficos
Resumo:Uma das maiores revoluções produzida pelo iluminismo foi a de ter criado, desde então, um imenso intelecto contingente dominado pela racionalização. Entendimentos, opiniões e ações ficaram irremediavelmente condicionadas por um espírito de cálculo, ou de “geómetra” utilizando a expressão de Blaise Pascal, de modo a coagir irremediavelmente o pensar, o sentir e o agir. Ainda hoje subsiste. A lógica, o cálculo e a matemática aplicada à organização humana e social apresentam inúmeras vantagens. É inegável. Porém, organizadas em torno de fins meramente racionalistas, estas lógicas de pensamento tendem a fazer esquecer a importância dos fatores não humanos na dinâmica social, retirando-os constantemente do pensamento. Não é por acaso que só mais recentemente as teorias sociais, sobretudo com perspetivas construtivistas e conectivistas, começaram a colocar na análise a conjugação de fatores humanos e não humanos em perspetiva e em análise, com forte aceitação científica. O intelecto contingente racionalista emperrou, durante quase cem anos, as possibilidades de investigação-ação tendo como entendimento primordial a consideração de que fatores humanos e não humanos estão em planos de importância semelhantes na explicação da vida social. Ainda assim, apesar dos esforços recentes, não existe racionalização sem que o humano seja figura central, quer dizer, que a sua posição não supere a posição da natureza na reconfiguração do mundo, seja na organização do espaço ou do tempo, seja na organização da rede de relações e de imitações, seja na dinâmica entre sujeitos e objetos.
Autores principais:Costa, Pedro Rodrigues
Assunto:Ecologia Ambientalismo
Ano:2020
País:Portugal
Tipo de documento:outro
Tipo de acesso:acesso aberto
Instituição associada:Universidade do Minho
Idioma:português
Origem:RepositóriUM - Universidade do Minho
Descrição
Resumo:Uma das maiores revoluções produzida pelo iluminismo foi a de ter criado, desde então, um imenso intelecto contingente dominado pela racionalização. Entendimentos, opiniões e ações ficaram irremediavelmente condicionadas por um espírito de cálculo, ou de “geómetra” utilizando a expressão de Blaise Pascal, de modo a coagir irremediavelmente o pensar, o sentir e o agir. Ainda hoje subsiste. A lógica, o cálculo e a matemática aplicada à organização humana e social apresentam inúmeras vantagens. É inegável. Porém, organizadas em torno de fins meramente racionalistas, estas lógicas de pensamento tendem a fazer esquecer a importância dos fatores não humanos na dinâmica social, retirando-os constantemente do pensamento. Não é por acaso que só mais recentemente as teorias sociais, sobretudo com perspetivas construtivistas e conectivistas, começaram a colocar na análise a conjugação de fatores humanos e não humanos em perspetiva e em análise, com forte aceitação científica. O intelecto contingente racionalista emperrou, durante quase cem anos, as possibilidades de investigação-ação tendo como entendimento primordial a consideração de que fatores humanos e não humanos estão em planos de importância semelhantes na explicação da vida social. Ainda assim, apesar dos esforços recentes, não existe racionalização sem que o humano seja figura central, quer dizer, que a sua posição não supere a posição da natureza na reconfiguração do mundo, seja na organização do espaço ou do tempo, seja na organização da rede de relações e de imitações, seja na dinâmica entre sujeitos e objetos.