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Perspetivas sobre a diversidade cultural: vivências, discursos e representações da interculturalidade

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Detalhes bibliográficos
Resumo:Este trabalho tem como objetivo analisar discursos e representações da Interculturalidade e da Diversidade Cultural no contexto do ensino superior português. O percurso de pesquisa compreendeu as seguintes fases: (i) deslindar os conceitos oficiais destes termos e (ii) entrevistar estudantes portugueses e estrangeiros oriundos de países de língua oficial portuguesa a frequentar o ensino universitário em Portugal. A escolha pelos estudantes provenientes de diferentes países, mas a partilhar um espaço comum (ensino superior português), possibilitou obter um público-alvo com vivências e referenciais culturais, ora distintos, ora coincidentes. A primeira fase delineou um mapeamento dos discursos oficiais sobre o tema da Diversidade Cultural e da Interculturalidade, com foco na realização de uma breve caracterização da documentação da UNESCO sobre a cultura. A segunda fase, partindo da definição dos referidos conceitos, procura perceber como, na prática, são vivenciados. Para tal, propõe-se uma análise dos discursos dos entrevistados a fim de se compreender, através dos seus relatos, como percecionam as interações culturais. O estudo procura ainda perceber se esses estudantes consideram haver, nas suas relações com pessoas de diferentes culturas, uma “interculturalidade”. Pretende-se analisar, a partir das interações culturais que os estudantes relataram ter tido no âmbito estudantil e nas relações sociais quotidianas, como compreendem o tema da diversidade cultural. Para tal, a partir de guiões semiestruturados, foram utilizadas as técnicas de Entrevistas Individuais em Profundidade e Grupos Focais. Essa fase, realizada em universidades públicas e privadas em Lisboa, Coimbra e Braga, teve em conta que estas são regiões com importante presença universitária e onde habita um número significativo de estudantes advindos, inclusive, de programas de intercâmbio ou de protocolos entre países de língua oficial portuguesa. Na fase da análise, procurou-se verificar quais eram as conceções dos entrevistados sobre as interações entre grupos de diferentes nacionalidades e analisar os seus discursos sobre a Diversidade Cultural e a Interculturalidade. Efetuou-se uma Análise Temática (Braun & Clarke, 2006; 2012; 2013) dos dados recolhidos nas entrevistas. Para a composição do corpo teórico e compreensão das categorias temáticas despontadas nos discursos dos entrevistados, alicerçamo-nos em teorias sobre as representações sociais (Moscovici, 1961), aculturação (Berry, 1997b; 1997a; Berry et al., 2012), identidade social (Tajfel, 1974; 1982), auto-categorização (Turner, 1987), sem desconsiderar os desenvolvimentos mais recentes dessas teorias no âmbito das relações intergrupais (e.g. Chryssochoou, 2004; Hogg & Vaughan, 2010), assim como os estudos sobre os estereótipos sociais (e.g. Fiske, Cuddy, Glick & Xu, 2002). Foi constatado que, para falar de interculturalidade, os entrevistados recorriam regularmente a um certo padrão de construção do discurso sobre o “eu”, o “nós” e os “outros”, enquanto as relações culturais não recebiam o devido destaque, ficando em segundo plano nas discussões. Apurou-se, ainda que, para além da imagem sobre “si próprio” e sobre “o outro”, eram valorizadas questões acerca do país de origem dos entrevistados. A conclusão a que se chegou foi que a noção de cultura é dissemelhante para os diferentes grupos-alvo entrevistados. Os resultados revelam ainda haver dificuldades, por parte dos entrevistados, em compreender e estabelecer uma troca ou partilha cultural. A considerar os conceitos oficiais que definem as terminologias “diversidade cultural” e “interculturalidade” e a pensar nos discursos dos entrevistados acerca das relações intergrupais, na prática, parece não haver a “inter”-cultura, nem a interculturalidade. Observou-se que as construções das auto-imagens e hetero-imagens refletiram posicionamentos em relação ao(s) outro(s) e estariam no cerne da razão para os desentendimentos sobre o(s) outro(s) e, consequentemente acerca do que se perceciona sobre a cultura do outro. Propusemo-nos a construir um modelo que indicasse como se dava o processo de perceção dos discursos (orais) acerca das temáticas que envolvem as relações interculturais, tendo em consideração as relações intergrupais, ao qual denominámos como “Modelo das Relações Interculturais”. Analisando os discursos dos estudantes, constatou-se que o encontro de pessoas de diferentes culturas não gera necessariamente interação e não pressupõe, à partida, que haja, um processo de interculturalidade de alguma das partes. Considerou-se que as imagens – a auto-imagem e a hetero-imagem – são um ponto de partida central para a construção dos discursos acerca do outro. Verificou-se que, da mesma forma, são decisivas para a construção das perceções acerca da diversidade cultural e da interculturalidade.
Autores principais:Oliveira, Francine
Assunto:Diversidade cultural Interculturalidade Relações intergrupais Auto e hetero imagens Cultural diversity Interculturality Intergroup relations Self-image and hetero-image Ciências Sociais::Ciências da Comunicação
Ano:2016
País:Portugal
Tipo de documento:tese de doutoramento
Tipo de acesso:acesso aberto
Instituição associada:Universidade do Minho
Idioma:português
Origem:RepositóriUM - Universidade do Minho
Descrição
Resumo:Este trabalho tem como objetivo analisar discursos e representações da Interculturalidade e da Diversidade Cultural no contexto do ensino superior português. O percurso de pesquisa compreendeu as seguintes fases: (i) deslindar os conceitos oficiais destes termos e (ii) entrevistar estudantes portugueses e estrangeiros oriundos de países de língua oficial portuguesa a frequentar o ensino universitário em Portugal. A escolha pelos estudantes provenientes de diferentes países, mas a partilhar um espaço comum (ensino superior português), possibilitou obter um público-alvo com vivências e referenciais culturais, ora distintos, ora coincidentes. A primeira fase delineou um mapeamento dos discursos oficiais sobre o tema da Diversidade Cultural e da Interculturalidade, com foco na realização de uma breve caracterização da documentação da UNESCO sobre a cultura. A segunda fase, partindo da definição dos referidos conceitos, procura perceber como, na prática, são vivenciados. Para tal, propõe-se uma análise dos discursos dos entrevistados a fim de se compreender, através dos seus relatos, como percecionam as interações culturais. O estudo procura ainda perceber se esses estudantes consideram haver, nas suas relações com pessoas de diferentes culturas, uma “interculturalidade”. Pretende-se analisar, a partir das interações culturais que os estudantes relataram ter tido no âmbito estudantil e nas relações sociais quotidianas, como compreendem o tema da diversidade cultural. Para tal, a partir de guiões semiestruturados, foram utilizadas as técnicas de Entrevistas Individuais em Profundidade e Grupos Focais. Essa fase, realizada em universidades públicas e privadas em Lisboa, Coimbra e Braga, teve em conta que estas são regiões com importante presença universitária e onde habita um número significativo de estudantes advindos, inclusive, de programas de intercâmbio ou de protocolos entre países de língua oficial portuguesa. Na fase da análise, procurou-se verificar quais eram as conceções dos entrevistados sobre as interações entre grupos de diferentes nacionalidades e analisar os seus discursos sobre a Diversidade Cultural e a Interculturalidade. Efetuou-se uma Análise Temática (Braun & Clarke, 2006; 2012; 2013) dos dados recolhidos nas entrevistas. Para a composição do corpo teórico e compreensão das categorias temáticas despontadas nos discursos dos entrevistados, alicerçamo-nos em teorias sobre as representações sociais (Moscovici, 1961), aculturação (Berry, 1997b; 1997a; Berry et al., 2012), identidade social (Tajfel, 1974; 1982), auto-categorização (Turner, 1987), sem desconsiderar os desenvolvimentos mais recentes dessas teorias no âmbito das relações intergrupais (e.g. Chryssochoou, 2004; Hogg & Vaughan, 2010), assim como os estudos sobre os estereótipos sociais (e.g. Fiske, Cuddy, Glick & Xu, 2002). Foi constatado que, para falar de interculturalidade, os entrevistados recorriam regularmente a um certo padrão de construção do discurso sobre o “eu”, o “nós” e os “outros”, enquanto as relações culturais não recebiam o devido destaque, ficando em segundo plano nas discussões. Apurou-se, ainda que, para além da imagem sobre “si próprio” e sobre “o outro”, eram valorizadas questões acerca do país de origem dos entrevistados. A conclusão a que se chegou foi que a noção de cultura é dissemelhante para os diferentes grupos-alvo entrevistados. Os resultados revelam ainda haver dificuldades, por parte dos entrevistados, em compreender e estabelecer uma troca ou partilha cultural. A considerar os conceitos oficiais que definem as terminologias “diversidade cultural” e “interculturalidade” e a pensar nos discursos dos entrevistados acerca das relações intergrupais, na prática, parece não haver a “inter”-cultura, nem a interculturalidade. Observou-se que as construções das auto-imagens e hetero-imagens refletiram posicionamentos em relação ao(s) outro(s) e estariam no cerne da razão para os desentendimentos sobre o(s) outro(s) e, consequentemente acerca do que se perceciona sobre a cultura do outro. Propusemo-nos a construir um modelo que indicasse como se dava o processo de perceção dos discursos (orais) acerca das temáticas que envolvem as relações interculturais, tendo em consideração as relações intergrupais, ao qual denominámos como “Modelo das Relações Interculturais”. Analisando os discursos dos estudantes, constatou-se que o encontro de pessoas de diferentes culturas não gera necessariamente interação e não pressupõe, à partida, que haja, um processo de interculturalidade de alguma das partes. Considerou-se que as imagens – a auto-imagem e a hetero-imagem – são um ponto de partida central para a construção dos discursos acerca do outro. Verificou-se que, da mesma forma, são decisivas para a construção das perceções acerca da diversidade cultural e da interculturalidade.