Publicação
Caracterização ecológica de duas espécies de peixes exóticas predadoras no Rio Minho: perca-sol (Lepomis gibbosus) e achigã (Micropterus salmoides)
| Resumo: | A perca-sol (Lepomis gibbosus) e o achigã (Micropterus salmoides), duas espécies exóticas invasoras, foram introduzidas para promoção da pesca desportiva. Apesar da presença do achigã datar dos anos 50 no Rio Minho, existe pouca informação relativa à ecologia desta espécie acontecendo o mesmo para a perca-sol. Assim, este estudo pretendeu analisar a distribuição e abundância, a condição física, a idade, a alimentação, e a reprodução de ambas as espécies, averiguando o tipo de impactos que possam provocar no ecossistema no Rio Minho. As amostragens realizaram-se Julho de 2014 a Outubro de 2015, em três locais distintos, Marina da Lenta, Lagoa da Lapela e na Lagoa do Cervo. Ambas as espécies estão estabelecidas no Rio Minho, no entanto, a população do achigã já se encontra estabilizada, enquanto a população da perca-sol ainda se encontra em adaptação, com possível desenvolvimento. Os indivíduos surgem com uma boa condição física (b>3), mas com índices de performances de crescimento (Ф) inferiores a estudos anteriores. Em ambos os casos, as fêmeas apresentam um investimento gonadossómico superior ao dos machos. A época reprodutiva dos achigãs situa-se entre Abril/Maio e no caso da perca-sol entre Julho/Agosto. A maturidade sexual é atingida aos 2 e 1 anos, respetivamente. O exemplar mais velho de achigã tinha 5 anos e no caso da perca-sol 3 anos. Quanto à alimentação na Marina da Lenta tem como base principal insetos e crustáceos, e no caso do achigã, a partir dos 2 anos de idade alguns teleósteos como peixe-rei, carpa e verdemã, passam a fazer parte da dieta. Na perca-sol verifica-se o consumo de gastrópodes, a partir do primeiro ano de vida, e registo do consumo de larvas de peixe e ovos foi mínimo. Os principais impactos destas duas espécies são criados pela sobreposição de guildas tróficas com espécies nativas de água doce, como por exemplo o escalo, e pela alimentação direta de espécies nativas como o peixe-rei. Os impactos no ecossistema do Rio Minho são mais evidentes nos habitats característicos dos exóticos, no entanto, deve-se continuar a monitorização e os estudos ecológicos, acompanhando a evolução das populações, em especial da perca-sol. |
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| Autores principais: | Lages, Ana Cristina Fernandes |
| Assunto: | Lepomis gibbosus Micropterus salmoides Rio Minho Caracterização ecológica Espécies exóticas invasoras Lepomis gibbosus, Micropterus salmoides, river Minho, native species, ecological caracterization, invasive exotic species River Minho Native species Ecological caracterization Invasive exotic species |
| Ano: | 2016 |
| País: | Portugal |
| Tipo de documento: | dissertação de mestrado |
| Tipo de acesso: | acesso aberto |
| Instituição associada: | Universidade do Minho |
| Idioma: | português |
| Origem: | RepositóriUM - Universidade do Minho |
| Resumo: | A perca-sol (Lepomis gibbosus) e o achigã (Micropterus salmoides), duas espécies exóticas invasoras, foram introduzidas para promoção da pesca desportiva. Apesar da presença do achigã datar dos anos 50 no Rio Minho, existe pouca informação relativa à ecologia desta espécie acontecendo o mesmo para a perca-sol. Assim, este estudo pretendeu analisar a distribuição e abundância, a condição física, a idade, a alimentação, e a reprodução de ambas as espécies, averiguando o tipo de impactos que possam provocar no ecossistema no Rio Minho. As amostragens realizaram-se Julho de 2014 a Outubro de 2015, em três locais distintos, Marina da Lenta, Lagoa da Lapela e na Lagoa do Cervo. Ambas as espécies estão estabelecidas no Rio Minho, no entanto, a população do achigã já se encontra estabilizada, enquanto a população da perca-sol ainda se encontra em adaptação, com possível desenvolvimento. Os indivíduos surgem com uma boa condição física (b>3), mas com índices de performances de crescimento (Ф) inferiores a estudos anteriores. Em ambos os casos, as fêmeas apresentam um investimento gonadossómico superior ao dos machos. A época reprodutiva dos achigãs situa-se entre Abril/Maio e no caso da perca-sol entre Julho/Agosto. A maturidade sexual é atingida aos 2 e 1 anos, respetivamente. O exemplar mais velho de achigã tinha 5 anos e no caso da perca-sol 3 anos. Quanto à alimentação na Marina da Lenta tem como base principal insetos e crustáceos, e no caso do achigã, a partir dos 2 anos de idade alguns teleósteos como peixe-rei, carpa e verdemã, passam a fazer parte da dieta. Na perca-sol verifica-se o consumo de gastrópodes, a partir do primeiro ano de vida, e registo do consumo de larvas de peixe e ovos foi mínimo. Os principais impactos destas duas espécies são criados pela sobreposição de guildas tróficas com espécies nativas de água doce, como por exemplo o escalo, e pela alimentação direta de espécies nativas como o peixe-rei. Os impactos no ecossistema do Rio Minho são mais evidentes nos habitats característicos dos exóticos, no entanto, deve-se continuar a monitorização e os estudos ecológicos, acompanhando a evolução das populações, em especial da perca-sol. |
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