Publicação
A sintaxe das orações relativas em Cinyanja
| Resumo: | A presente pesquisa enquadra-se no âmbito da gramática generativa e tem como objeto de estudo a sintaxe das orações relativas em Cinyanja, uma língua do grupo Bantu falada em Moçambique. O estudo assenta nos pressupostos teóricos da teoria de Princípios e Parâmetros (Chomsky; 1981, 1986a, 1986b, 1995). Discutem-se os diferentes modelos de análise da relativização no âmbito desta teoria: o modelo do núcleo externo (Chomsky, 1977), o modelo de elevação do núcleo (Kayne, 1994) e o modelo Matching (Sauerland, 1998, 2003). Com base na descrição desses modelos, as suas vantagens e limitações, adota-se o modelo clássico, segundo o qual a relativização encerra um processo de adjunção a um núcleo nominal externo. Partindo do princípio de que existem universais linguísticos no domínio empírico particular das orações relativas, descrevem-se as estratégias de relativização do Cinyanja integrando-as no quadro mais geral das estratégias de relativização das línguas Bantu. Em Cinyanja, as orações relativas podem ser formadas através de recursos segmentais (o marcador –mene e o sufixo relativo –o, colocado à direita da última palavra da oração) ou simplesmente com recurso ao tom alto (com ou sem o sufixo relativo -o). Nas relativas de -mene, a ordem de palavras na oração relativa é REL (S) V; nas relativas tonais, o sujeito aparece obrigatoriamente em posição pós-verbal. De um modo geral, as orações relativas apresentam marcas de concordância tanto com o sujeito lógico como com o antecedente. Propõe-se que as orações relativas segmentais sejam analisadas como estruturas em que o marcador relativo –mene (aqui considerado um pronome relativo) é movido da sua posição de base para Spec-CP. Deste movimento resulta a ordem Rel (S) V. Adotando uma proposta original de Zeller (2004), sugere-se que o morfema -o é um sufixo de concordância relativa que marca a concordância de CP com o núcleo nominal, colocando-se numa posição de adjunção à direita de CP. As relativas não segmentais são analisadas como estruturas em que C+wh tem um estatuto idêntico ao dos marcadores relativos clíticos que aparecem incorporados na estrutura do complexo verbal em outras línguas Bantu (Demuth e Harford,1999; Zeller, 2004), que tipicamente desencadeiam a inversão do sujeito. Como o marcador relativo é um elemento sem matriz fonológica, comporta-se como uma forma clítica e deve afixar-se a T. O processo de afixação de C a T, porém, não se dá mediante a subida do verbo de T para C (contra Demuth e Harford, 1999) visto que a ordem de palavras VSO não é admitida neste tipo de oração relativa (a menos que a marca de objeto esteja presente). Assumindo o modelo da Morfologia Distribuída (Halle e Marantz, 1993), defende-se que a afixação de C a T se dá no nível pós-sintático da gramática, sob adjacência. O sujeito permanece in situ, em Spec-VP, obtendo-se os mesmos padrões de ordem de palavras das frases simples com sujeito em posição pós-verbal, nomeadamente VOS ou, na presença da marca de concordância com o objeto, VSO. |
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| Autores principais: | Biriate, Mário |
| Assunto: | Cinyanja Relativização Sintaxe Relativization Syntax |
| Ano: | 2023 |
| País: | Portugal |
| Tipo de documento: | tese de doutoramento |
| Tipo de acesso: | acesso aberto |
| Instituição associada: | Universidade do Minho |
| Idioma: | português |
| Origem: | RepositóriUM - Universidade do Minho |
| Resumo: | A presente pesquisa enquadra-se no âmbito da gramática generativa e tem como objeto de estudo a sintaxe das orações relativas em Cinyanja, uma língua do grupo Bantu falada em Moçambique. O estudo assenta nos pressupostos teóricos da teoria de Princípios e Parâmetros (Chomsky; 1981, 1986a, 1986b, 1995). Discutem-se os diferentes modelos de análise da relativização no âmbito desta teoria: o modelo do núcleo externo (Chomsky, 1977), o modelo de elevação do núcleo (Kayne, 1994) e o modelo Matching (Sauerland, 1998, 2003). Com base na descrição desses modelos, as suas vantagens e limitações, adota-se o modelo clássico, segundo o qual a relativização encerra um processo de adjunção a um núcleo nominal externo. Partindo do princípio de que existem universais linguísticos no domínio empírico particular das orações relativas, descrevem-se as estratégias de relativização do Cinyanja integrando-as no quadro mais geral das estratégias de relativização das línguas Bantu. Em Cinyanja, as orações relativas podem ser formadas através de recursos segmentais (o marcador –mene e o sufixo relativo –o, colocado à direita da última palavra da oração) ou simplesmente com recurso ao tom alto (com ou sem o sufixo relativo -o). Nas relativas de -mene, a ordem de palavras na oração relativa é REL (S) V; nas relativas tonais, o sujeito aparece obrigatoriamente em posição pós-verbal. De um modo geral, as orações relativas apresentam marcas de concordância tanto com o sujeito lógico como com o antecedente. Propõe-se que as orações relativas segmentais sejam analisadas como estruturas em que o marcador relativo –mene (aqui considerado um pronome relativo) é movido da sua posição de base para Spec-CP. Deste movimento resulta a ordem Rel (S) V. Adotando uma proposta original de Zeller (2004), sugere-se que o morfema -o é um sufixo de concordância relativa que marca a concordância de CP com o núcleo nominal, colocando-se numa posição de adjunção à direita de CP. As relativas não segmentais são analisadas como estruturas em que C+wh tem um estatuto idêntico ao dos marcadores relativos clíticos que aparecem incorporados na estrutura do complexo verbal em outras línguas Bantu (Demuth e Harford,1999; Zeller, 2004), que tipicamente desencadeiam a inversão do sujeito. Como o marcador relativo é um elemento sem matriz fonológica, comporta-se como uma forma clítica e deve afixar-se a T. O processo de afixação de C a T, porém, não se dá mediante a subida do verbo de T para C (contra Demuth e Harford, 1999) visto que a ordem de palavras VSO não é admitida neste tipo de oração relativa (a menos que a marca de objeto esteja presente). Assumindo o modelo da Morfologia Distribuída (Halle e Marantz, 1993), defende-se que a afixação de C a T se dá no nível pós-sintático da gramática, sob adjacência. O sujeito permanece in situ, em Spec-VP, obtendo-se os mesmos padrões de ordem de palavras das frases simples com sujeito em posição pós-verbal, nomeadamente VOS ou, na presença da marca de concordância com o objeto, VSO. |
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