Publicação
O peso da estrutura acionista na redação: o caso do Porto Canal
| Resumo: | Enquanto os jornalistas se esforçavam por garantir a verdadeira autonomização do ofício, através da profissionalização, o jornalismo conheceu aquele que se pode considerar o seu verdadeiro momento áureo. Muitos acreditavam então que a força do profissionalismo e o respeito pela atividade eram suficientes para tornar os jornalistas imunes às pressões e ditames do poder económico. Não obstante, o certo é que as entradas em bolsa das empresas de comunicação e, mais tarde, a concentração dos grandes grupos de média animaram outros entendimentos. Assim, o presente relatório, centrado na minha experiência de estágio de três meses no Porto Canal, procura entender como conseguem os jornalistas exercer a sua autonomia, entre outros princípios fundamentais, mesmo sendo funcionários de uma empresa com capital privado, deste caso do FC Porto. No fim de contas, a questão fundamental consiste em saber até que ponto são os jornalistas, e os valores por eles defendidos desde a autonomização do ofício, ou as empresas mediáticas, com uma política editorial própria, que definem as regras e os critérios de seleção e produção de informação. Para isso, foram realizadas entrevistas a cinco jornalistas do Canal. Os resultados mostram que, embora os profissionais se esforcem por observar com rigor a cada normativo ético, as regras da empresa para o tratamento de informações que envolvam o clube portista e a precariedade da profissão no Porto Canal não favorecem o exercício da autonomia. O Canal está, deveras, apostado em atender aos interesses do FC Porto, uma vez que toda e qualquer notícia negativa sobre a formação e/ou os seus dirigentes não é sequer tida em conta, a menos que seja para divulgar a posição do clube. |
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| Autores principais: | Leite, Maria Beatriz Ribeiro |
| Assunto: | Autonomia Estrutura acionista Ética e deontologia FC Porto Ideologia profissional Porto Canal Autonomy Shareholder structure Ethics and deontology Professional ideology |
| Ano: | 2022 |
| País: | Portugal |
| Tipo de documento: | dissertação de mestrado |
| Tipo de acesso: | acesso aberto |
| Instituição associada: | Universidade do Minho |
| Idioma: | português |
| Origem: | RepositóriUM - Universidade do Minho |
| Resumo: | Enquanto os jornalistas se esforçavam por garantir a verdadeira autonomização do ofício, através da profissionalização, o jornalismo conheceu aquele que se pode considerar o seu verdadeiro momento áureo. Muitos acreditavam então que a força do profissionalismo e o respeito pela atividade eram suficientes para tornar os jornalistas imunes às pressões e ditames do poder económico. Não obstante, o certo é que as entradas em bolsa das empresas de comunicação e, mais tarde, a concentração dos grandes grupos de média animaram outros entendimentos. Assim, o presente relatório, centrado na minha experiência de estágio de três meses no Porto Canal, procura entender como conseguem os jornalistas exercer a sua autonomia, entre outros princípios fundamentais, mesmo sendo funcionários de uma empresa com capital privado, deste caso do FC Porto. No fim de contas, a questão fundamental consiste em saber até que ponto são os jornalistas, e os valores por eles defendidos desde a autonomização do ofício, ou as empresas mediáticas, com uma política editorial própria, que definem as regras e os critérios de seleção e produção de informação. Para isso, foram realizadas entrevistas a cinco jornalistas do Canal. Os resultados mostram que, embora os profissionais se esforcem por observar com rigor a cada normativo ético, as regras da empresa para o tratamento de informações que envolvam o clube portista e a precariedade da profissão no Porto Canal não favorecem o exercício da autonomia. O Canal está, deveras, apostado em atender aos interesses do FC Porto, uma vez que toda e qualquer notícia negativa sobre a formação e/ou os seus dirigentes não é sequer tida em conta, a menos que seja para divulgar a posição do clube. |
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