Publicação
O modus operandi da Federação Russa e da República Popular da China como reflexo da competição estratégica no Ártico: um estudo comparado à luz do novo regionalismo
| Resumo: | A presente dissertação analisa o modus operandi da Federação Russa e da República Popular da China como expressão da intensificação da competição estratégica no Ártico, no período compreendido entre 2007 e 2022. A pertinência do estudo decorre da crescente centralidade geopolítica, económica e ambiental da região, impulsionada pela abertura progressiva de novas rotas marítimas, pela valorização dos recursos naturais e pela afirmação de atores extrarregionais que desafiam os equilíbrios tradicionais da governação ártica. Identifica-se, contudo, uma lacuna significativa na literatura especializada: a ausência de análises comparativas sistemáticas que examinem, sob um enquadramento teórico unificado, a atuação simultânea da Rússia e da China, articulando as suas dimensões económicas, securitárias, científicas e diplomáticas. Neste contexto, a investigação é orientada pela Pergunta de Investigação “De que forma se tem materializado o modus operandi da Federação Russa e da República Popular da China no Ártico como reflexo da intensificação da competição estratégica?”. Assim, o objetivo central consiste em compreender de que modo estes dois atores moldam a dinâmica regional através das respetivas estratégias políticas, económicas, securitárias e científicas. O estudo adota como quadro teórico o Novo Regionalismo, o qual possibilita uma interpretação abrangente dos processos de regionalização do Ártico enquanto resultado da interação entre fatores estatais, económicos, ambientais, identitários e transnacionais. A Federação Russa, enquanto Estado ártico de jure, tem reforçado a sua presença mediante políticas energéticas, infraestruturais e militares, procurando consolidar o Ártico como elemento estruturante da sua identidade estratégica e da sua projeção internacional. A República Popular da China, embora não sendo um Estado ártico de jure, autodeclara-se “quase-Estado ártico”, legitimando a sua inserção na região através de narrativas de cooperação multilateral, diplomacia científica e integração do espaço ártico através da Rota da Seda Polar. A análise comparativa demonstra que, apesar de convergirem no interesse por recursos naturais, rotas marítimas e prestígio internacional, os dois atores seguem lógicas de atuação distintas, a Rússia privilegia uma abordagem securitária e identitária, enquanto a China aposta predominantemente em instrumentos económicos, científicos e diplomáticos. Conclui-se que a atuação russa e chinesa não apenas reflete dinâmicas de competição estratégica, como também contribui para reconfigurar a regionalidade do Ártico, influenciando os seus processos de regionalização de forma profunda e multifacetada. A mais-valia científica deste trabalho reside, assim, na integração comparada das estratégias russa e chinesa num modelo interpretativo único, demonstrando que a coexistência entre cooperação e rivalidade constitui um elemento estruturante da evolução da região, mas também como este processo não é linear, mas sim vulnerável a fatores externos. |
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| Autores principais: | Costa, Tomás Morim Mendes Pinho |
| Assunto: | Ártico Rússia China Novo Regionalismo Competição estratégica Iniciativa Faixa e Rota Arctic Russia New Regionalism Strategic competition Belt and Road Initiative |
| Ano: | 2026 |
| País: | Portugal |
| Tipo de documento: | dissertação de mestrado |
| Tipo de acesso: | acesso aberto |
| Instituição associada: | Universidade do Minho |
| Idioma: | português |
| Origem: | RepositóriUM - Universidade do Minho |
| Resumo: | A presente dissertação analisa o modus operandi da Federação Russa e da República Popular da China como expressão da intensificação da competição estratégica no Ártico, no período compreendido entre 2007 e 2022. A pertinência do estudo decorre da crescente centralidade geopolítica, económica e ambiental da região, impulsionada pela abertura progressiva de novas rotas marítimas, pela valorização dos recursos naturais e pela afirmação de atores extrarregionais que desafiam os equilíbrios tradicionais da governação ártica. Identifica-se, contudo, uma lacuna significativa na literatura especializada: a ausência de análises comparativas sistemáticas que examinem, sob um enquadramento teórico unificado, a atuação simultânea da Rússia e da China, articulando as suas dimensões económicas, securitárias, científicas e diplomáticas. Neste contexto, a investigação é orientada pela Pergunta de Investigação “De que forma se tem materializado o modus operandi da Federação Russa e da República Popular da China no Ártico como reflexo da intensificação da competição estratégica?”. Assim, o objetivo central consiste em compreender de que modo estes dois atores moldam a dinâmica regional através das respetivas estratégias políticas, económicas, securitárias e científicas. O estudo adota como quadro teórico o Novo Regionalismo, o qual possibilita uma interpretação abrangente dos processos de regionalização do Ártico enquanto resultado da interação entre fatores estatais, económicos, ambientais, identitários e transnacionais. A Federação Russa, enquanto Estado ártico de jure, tem reforçado a sua presença mediante políticas energéticas, infraestruturais e militares, procurando consolidar o Ártico como elemento estruturante da sua identidade estratégica e da sua projeção internacional. A República Popular da China, embora não sendo um Estado ártico de jure, autodeclara-se “quase-Estado ártico”, legitimando a sua inserção na região através de narrativas de cooperação multilateral, diplomacia científica e integração do espaço ártico através da Rota da Seda Polar. A análise comparativa demonstra que, apesar de convergirem no interesse por recursos naturais, rotas marítimas e prestígio internacional, os dois atores seguem lógicas de atuação distintas, a Rússia privilegia uma abordagem securitária e identitária, enquanto a China aposta predominantemente em instrumentos económicos, científicos e diplomáticos. Conclui-se que a atuação russa e chinesa não apenas reflete dinâmicas de competição estratégica, como também contribui para reconfigurar a regionalidade do Ártico, influenciando os seus processos de regionalização de forma profunda e multifacetada. A mais-valia científica deste trabalho reside, assim, na integração comparada das estratégias russa e chinesa num modelo interpretativo único, demonstrando que a coexistência entre cooperação e rivalidade constitui um elemento estruturante da evolução da região, mas também como este processo não é linear, mas sim vulnerável a fatores externos. |
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