Publicação
Risco nutricional na pessoa em situação crítica numa unidade de neurocríticos
| Resumo: | A intervenção nutricional precoce e intensiva fornece resultados benéficos para a pessoa internada em cuidados diferenciados de saúde. A precisão na identificação e na gestão da desnutrição é essencial para que os resultados dos doentes críticos possam ser melhorados e os recursos utilizados com eficácia. Em doentes críticos as respostas metabólicas graves estão ainda mais presentes, pelo que estes doentes estão mais suscetíveis à desnutrição, sendo necessária uma avaliação precoce do seu estado nutricional. Objetivos: Determinar a concordância das escalas de avaliação do risco nutricional: Nutritional Risk Screening 2002 (NRS 2002) e Patient-Generated Subjective Global Assessment (PG-SGA); determinar a sensibilidade e a especificidade das escalas de avaliação do risco nutricional NRS 2002 e PG-SGA (estudo I); e determinar as associações entre o risco nutricional do doente crítico e os marcadores bioquímicos e hematológicos (estudo II). Método: Estudo transversal, de natureza quantitativa, que incluiu 120 doentes críticos, com idade média (DP) de 54.4 (17.1) anos, admitidos numa Unidade de Cuidados Intermédios Neurocríticos (UCIN), no período de 11 de abril a 14 de agosto de 2019. Em todos estes doentes aplicaram-se as duas escalas de rastreio nutricional, NRS 2002 e PG-SGA. Foram efetuadas colheitas de sangue para hemoglobina, linfócitos e leucócitos. Resultados: A escala NRS 2002 identificou 75.0% (n=90) doentes críticos com risco nutricional e a PG-SGA 67.5% (n=81). Os resultados sugeriram uma concordância fraca e significativa entre a NRS 2002 e a PG-SGA para todas as faixas etárias (k=0.333, 95% intervalo de confiança (IC), 0.1 a 0.5), p<0.0001. A sensibilidade da NRS 2002 quando comparada com a PG-SGA foi alta (85.1%), mas apresentou menor especificidade (46.1%). Os doentes críticos que apresentaram risco de desnutrição de acordo com a NRS 2002 apresentaram significativamente níveis mais baixos de hemoglobina (B=-1.2, 95% IC, (-2.0; 0.5), p=0.008) do que os que não apresentaram risco de desnutrição. De acordo com a PG-SGA verificámos a mesma tendência (B= -1.1, 95% IC, (-1.7; -0.4), p=0.002). Os doentes críticos que apresentaram risco de desnutrição evidenciaram significativamente mais leucócitos, em comparação com aqueles sem risco de desnutrição, em ambas as ferramentas de rastreio do risco nutricional. Por fim, e no que diz respeito aos linfócitos, os doentes críticos que apresentaram risco de desnutrição apresentaram significativamente menos linfócitos do que os que estavam sem risco de desnutrição, no caso da NRS 2002 (B= -1.3, 95% IC (-2.2; - 0.4), p=0.005) e no caso da PG-SGA (B= -1.1, 95% IC (-2.0; -0.2), p=0.011). Conclusões: Globalmente a PG-SGA é mais complexa ao nível da sua aplicação do que a NRS 2002. Esta última, quando comparada com a PG-SGA, apresenta elevada sensibilidade, mas baixa especificidade. Concomitantemente, foram encontradas associações entre a classificação do estado nutricional com recurso às escalas NRS 2002 e PG-SGA, e a hemoglobina, os linfócitos e os leucócitos dos doentes críticos, pelo que estes marcadores bioquímicos podem ser bons indicadores para o diagnóstico da desnutrição. |
|---|---|
| Autores principais: | Macedo, Eduardo Semanas |
| Assunto: | Avaliação nutricional Desnutrição Marcadores bioquímicos NRS 2002 PG-SGA Rastreio nutricional Risco nutricional Biochemical markers Malnutrition Nutritional assessment Nutritional risk Nutritional screening |
| Ano: | 2021 |
| País: | Portugal |
| Tipo de documento: | dissertação de mestrado |
| Tipo de acesso: | acesso aberto |
| Instituição associada: | Universidade do Minho |
| Idioma: | português |
| Origem: | RepositóriUM - Universidade do Minho |
| Resumo: | A intervenção nutricional precoce e intensiva fornece resultados benéficos para a pessoa internada em cuidados diferenciados de saúde. A precisão na identificação e na gestão da desnutrição é essencial para que os resultados dos doentes críticos possam ser melhorados e os recursos utilizados com eficácia. Em doentes críticos as respostas metabólicas graves estão ainda mais presentes, pelo que estes doentes estão mais suscetíveis à desnutrição, sendo necessária uma avaliação precoce do seu estado nutricional. Objetivos: Determinar a concordância das escalas de avaliação do risco nutricional: Nutritional Risk Screening 2002 (NRS 2002) e Patient-Generated Subjective Global Assessment (PG-SGA); determinar a sensibilidade e a especificidade das escalas de avaliação do risco nutricional NRS 2002 e PG-SGA (estudo I); e determinar as associações entre o risco nutricional do doente crítico e os marcadores bioquímicos e hematológicos (estudo II). Método: Estudo transversal, de natureza quantitativa, que incluiu 120 doentes críticos, com idade média (DP) de 54.4 (17.1) anos, admitidos numa Unidade de Cuidados Intermédios Neurocríticos (UCIN), no período de 11 de abril a 14 de agosto de 2019. Em todos estes doentes aplicaram-se as duas escalas de rastreio nutricional, NRS 2002 e PG-SGA. Foram efetuadas colheitas de sangue para hemoglobina, linfócitos e leucócitos. Resultados: A escala NRS 2002 identificou 75.0% (n=90) doentes críticos com risco nutricional e a PG-SGA 67.5% (n=81). Os resultados sugeriram uma concordância fraca e significativa entre a NRS 2002 e a PG-SGA para todas as faixas etárias (k=0.333, 95% intervalo de confiança (IC), 0.1 a 0.5), p<0.0001. A sensibilidade da NRS 2002 quando comparada com a PG-SGA foi alta (85.1%), mas apresentou menor especificidade (46.1%). Os doentes críticos que apresentaram risco de desnutrição de acordo com a NRS 2002 apresentaram significativamente níveis mais baixos de hemoglobina (B=-1.2, 95% IC, (-2.0; 0.5), p=0.008) do que os que não apresentaram risco de desnutrição. De acordo com a PG-SGA verificámos a mesma tendência (B= -1.1, 95% IC, (-1.7; -0.4), p=0.002). Os doentes críticos que apresentaram risco de desnutrição evidenciaram significativamente mais leucócitos, em comparação com aqueles sem risco de desnutrição, em ambas as ferramentas de rastreio do risco nutricional. Por fim, e no que diz respeito aos linfócitos, os doentes críticos que apresentaram risco de desnutrição apresentaram significativamente menos linfócitos do que os que estavam sem risco de desnutrição, no caso da NRS 2002 (B= -1.3, 95% IC (-2.2; - 0.4), p=0.005) e no caso da PG-SGA (B= -1.1, 95% IC (-2.0; -0.2), p=0.011). Conclusões: Globalmente a PG-SGA é mais complexa ao nível da sua aplicação do que a NRS 2002. Esta última, quando comparada com a PG-SGA, apresenta elevada sensibilidade, mas baixa especificidade. Concomitantemente, foram encontradas associações entre a classificação do estado nutricional com recurso às escalas NRS 2002 e PG-SGA, e a hemoglobina, os linfócitos e os leucócitos dos doentes críticos, pelo que estes marcadores bioquímicos podem ser bons indicadores para o diagnóstico da desnutrição. |
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