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Desenvolvimento cognitivo: Pode a escola ultrapassar o impacto das variáveis sociofamiliares?

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Resumo:Frequentemente o desenvolvimento cognitivo da criança aparece na investigação como variável independente explicando o seu desempenho escolar. Sendo importante esta análise numa lógica de compreensão e intervenção em prol do sucesso escolar, esta tese, redigida na base de compilação de artigos, enfatiza o desenvolvimento cognitivo como variável dependente, ou seja, influenciado por fatores sociofamiliares e escolares descritivos dos contextos educativos da criança. Sublinha ainda, o papel da família no desenvolvimento cognitivo e rendimento escolar à medida que a criança avança na escolaridade, especificamente numa faixa etária precoce (préescola e primeiro ciclo do ensino básico). Por último, avalia-se o respetivo impacto das variáveis sociofamiliares e escolares, e do quociente de inteligência no desempenho escolar das crianças. Neste estudo, tomando uma amostra constituída por 597 crianças, equilibrada quanto ao género e com idades compreendidas entre os 4 e os 10 anos (M = 6.89; DP = 1.61), da pré-escola e do 1º ao 4º ano do 1º Ciclo do Ensino Básico (CEB), provenientes de escolas em meio rural e em meio urbano, de estabelecimentos de ensino público e privado, aplicou-se a Escala de Competências Cognitivas para Crianças dos 4 aos 10 anos (ECCOs 4/10; Brito & Almeida, 2009), para a avaliação do desempenho cognitivo das crianças. Os resultados obtidos apontam que os valores de quociente de inteligência que as crianças obtiveram na escala se apresentaram como a variável com maior impacto no desempenho académico, em linha com resultados de outras pesquisas na área. Porém, variáveis sociofamiliares também manifestaram (direta ou indiretamente) valor preditivo quer no desempenho cognitivo, quer no desempenho académico das crianças nesta faixa etária. Estes resultados reforçam, assim, a tradicional influência do quociente de inteligência no (in)sucesso escolar, contudo a variância do desempenho cognitivo e dos resultados académicos pode ser melhor explicada combinando também variáveis sociofamiliares. Da articulação dos resultados obtidos nos trabalhos apresentados nesta tese, apresentam-se conclusões gerais e implicações sobre o processo educativo da criança no ambiente familiar e escolar.
Autores principais:Alves, Ana Filipa Guilhoto
Assunto:Inteligência desenvolvimento cognitivo sucesso escolar infância família escola intelligence cognitive development academic success childhood family school
Ano:2017
País:Portugal
Tipo de documento:tese de doutoramento
Tipo de acesso:acesso aberto
Instituição associada:Universidade do Minho
Idioma:português
Origem:RepositóriUM - Universidade do Minho
Descrição
Resumo:Frequentemente o desenvolvimento cognitivo da criança aparece na investigação como variável independente explicando o seu desempenho escolar. Sendo importante esta análise numa lógica de compreensão e intervenção em prol do sucesso escolar, esta tese, redigida na base de compilação de artigos, enfatiza o desenvolvimento cognitivo como variável dependente, ou seja, influenciado por fatores sociofamiliares e escolares descritivos dos contextos educativos da criança. Sublinha ainda, o papel da família no desenvolvimento cognitivo e rendimento escolar à medida que a criança avança na escolaridade, especificamente numa faixa etária precoce (préescola e primeiro ciclo do ensino básico). Por último, avalia-se o respetivo impacto das variáveis sociofamiliares e escolares, e do quociente de inteligência no desempenho escolar das crianças. Neste estudo, tomando uma amostra constituída por 597 crianças, equilibrada quanto ao género e com idades compreendidas entre os 4 e os 10 anos (M = 6.89; DP = 1.61), da pré-escola e do 1º ao 4º ano do 1º Ciclo do Ensino Básico (CEB), provenientes de escolas em meio rural e em meio urbano, de estabelecimentos de ensino público e privado, aplicou-se a Escala de Competências Cognitivas para Crianças dos 4 aos 10 anos (ECCOs 4/10; Brito & Almeida, 2009), para a avaliação do desempenho cognitivo das crianças. Os resultados obtidos apontam que os valores de quociente de inteligência que as crianças obtiveram na escala se apresentaram como a variável com maior impacto no desempenho académico, em linha com resultados de outras pesquisas na área. Porém, variáveis sociofamiliares também manifestaram (direta ou indiretamente) valor preditivo quer no desempenho cognitivo, quer no desempenho académico das crianças nesta faixa etária. Estes resultados reforçam, assim, a tradicional influência do quociente de inteligência no (in)sucesso escolar, contudo a variância do desempenho cognitivo e dos resultados académicos pode ser melhor explicada combinando também variáveis sociofamiliares. Da articulação dos resultados obtidos nos trabalhos apresentados nesta tese, apresentam-se conclusões gerais e implicações sobre o processo educativo da criança no ambiente familiar e escolar.