Publicação
Re-construindo Hiroshima 1964-2004: um ensaio projectual sobre um organismo na cidade
| Resumo: | Nas décadas de 1950 e 1960, num período posterior à segunda Guerra Mundial, impôs-se a reconstrução e reestruturação de muitas cidades afetadas pelos bombardeamentos. Cidades japonesas como Tóquio, Hiroshima e Nagasaki permaneciam parcialmente destruídas embora crescessem demográfica e tecnologicamente como nunca antes. Tal situação revelou-se, então, uma oportunidade para a construção das cidades destes territórios destruídos de uma forma adequada à época, e surgem inúmeros pensadores que se dedicam a defender, discutir e até ficcionar sobre soluções para o problema. Hiroshima é uma das cidades destruídas que na década de 1960 se encontra ainda a recuperar da destruição causada pela bomba nuclear lançada em 6 de Agosto de 1945. O primeiro passo foi dado com a construção do memorial da paz em 1955, desenhado pelo arquiteto Japonês Kenzo Tange, que marca o início de uma nova era para Hiroshima. Antes da Guerra o Japão vive à parte do modernismo sentido no Ocidente e, com o fim da mesma, a paz e a abertura ao mundo industrializado proporcionam a base necessária para a modernização daquele país. Pela influência de arquitetos europeus como Le Corbusier ou Mies van der Rohe, alguns arquitetos Japoneses começam por produzir uma arquitetura modernista que rapidamente se transforma em corrente única influenciada pela cultura local. Num novo movimento guiado pelos mestres locais lança, sobre a prática arquitetónica, novas preocupações como a capacidade de adaptação do objeto ao tempo ou a integração de novas tecnologias (como a prefabricação). Da mesma forma na Europa, nos anos imediatamente a seguir à segunda Guerra Mundial, iniciaram-se os trabalhos de reconstrução sob padrões do movimento moderno. É no entanto no fim dos anos 50 que começam a surgir as ideias mais radicais. Arquitetos como Yona Friedman ou Constant Nieuwenhuys propõem soluções arquitetónicas às correntes dominantes colocando em causa o modo de vida. Estas ideias encontram um paralelismo óbvio com a contestação social da época. É neste contexto que, em 1964, o grupo de arquitetos Ingleses Archigram, formado em 1961, desenvolve a Plug-in city, um conceito de cidade que se caracteriza pela constante transformação através do seu desenvolvimento e substituição dos seus constituintes, elementos que se tornam obsoletos em relação ao intervalo temporal em que se inserem. Este trabalho pretende então interpretar o projeto da Plug-in city, através de um ensaio hipotético sobre a cidade de Hiroshima (destruída em 1945) e partindo do princípio que a sua construção se inicia em 1964 (data do lançamento da ideia pelo grupo). Como consequência da principal característica desse conceito de cidade (Plug-in city), de transformação e adaptação ao tempo, torna-se pois necessária uma análise das várias fases da sua construção e consequente projeção das mesmas. De forma a apresentar esta proposta, é desenvolvido um projeto, Hiroshima 1964, sobre uma cidade inspirada nas ideias de Peter Cook e dos Archigram Plug-in city. Adaptada ao local e sob as orientações do grupo inglês, esta cidade começa a desenvolver-se a partir deste ano, e com vários pontos de situação que a ilustram no intervalo entre 1964 e 2004. À imagem dos métodos utilizados pelo grupo britânico, são também apresentadas publicações periódicas que pretendem defender e apresentar a ideia, caracterizando simultaneamente o contexto da época e a sua influência no desenvolvimento de uma megaestrutura. |
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| Autores principais: | Silva, Adriano José Peixoto |
| Ano: | 2014 |
| País: | Portugal |
| Tipo de documento: | dissertação de mestrado |
| Tipo de acesso: | acesso aberto |
| Instituição associada: | Universidade do Minho |
| Idioma: | português |
| Origem: | RepositóriUM - Universidade do Minho |
| Resumo: | Nas décadas de 1950 e 1960, num período posterior à segunda Guerra Mundial, impôs-se a reconstrução e reestruturação de muitas cidades afetadas pelos bombardeamentos. Cidades japonesas como Tóquio, Hiroshima e Nagasaki permaneciam parcialmente destruídas embora crescessem demográfica e tecnologicamente como nunca antes. Tal situação revelou-se, então, uma oportunidade para a construção das cidades destes territórios destruídos de uma forma adequada à época, e surgem inúmeros pensadores que se dedicam a defender, discutir e até ficcionar sobre soluções para o problema. Hiroshima é uma das cidades destruídas que na década de 1960 se encontra ainda a recuperar da destruição causada pela bomba nuclear lançada em 6 de Agosto de 1945. O primeiro passo foi dado com a construção do memorial da paz em 1955, desenhado pelo arquiteto Japonês Kenzo Tange, que marca o início de uma nova era para Hiroshima. Antes da Guerra o Japão vive à parte do modernismo sentido no Ocidente e, com o fim da mesma, a paz e a abertura ao mundo industrializado proporcionam a base necessária para a modernização daquele país. Pela influência de arquitetos europeus como Le Corbusier ou Mies van der Rohe, alguns arquitetos Japoneses começam por produzir uma arquitetura modernista que rapidamente se transforma em corrente única influenciada pela cultura local. Num novo movimento guiado pelos mestres locais lança, sobre a prática arquitetónica, novas preocupações como a capacidade de adaptação do objeto ao tempo ou a integração de novas tecnologias (como a prefabricação). Da mesma forma na Europa, nos anos imediatamente a seguir à segunda Guerra Mundial, iniciaram-se os trabalhos de reconstrução sob padrões do movimento moderno. É no entanto no fim dos anos 50 que começam a surgir as ideias mais radicais. Arquitetos como Yona Friedman ou Constant Nieuwenhuys propõem soluções arquitetónicas às correntes dominantes colocando em causa o modo de vida. Estas ideias encontram um paralelismo óbvio com a contestação social da época. É neste contexto que, em 1964, o grupo de arquitetos Ingleses Archigram, formado em 1961, desenvolve a Plug-in city, um conceito de cidade que se caracteriza pela constante transformação através do seu desenvolvimento e substituição dos seus constituintes, elementos que se tornam obsoletos em relação ao intervalo temporal em que se inserem. Este trabalho pretende então interpretar o projeto da Plug-in city, através de um ensaio hipotético sobre a cidade de Hiroshima (destruída em 1945) e partindo do princípio que a sua construção se inicia em 1964 (data do lançamento da ideia pelo grupo). Como consequência da principal característica desse conceito de cidade (Plug-in city), de transformação e adaptação ao tempo, torna-se pois necessária uma análise das várias fases da sua construção e consequente projeção das mesmas. De forma a apresentar esta proposta, é desenvolvido um projeto, Hiroshima 1964, sobre uma cidade inspirada nas ideias de Peter Cook e dos Archigram Plug-in city. Adaptada ao local e sob as orientações do grupo inglês, esta cidade começa a desenvolver-se a partir deste ano, e com vários pontos de situação que a ilustram no intervalo entre 1964 e 2004. À imagem dos métodos utilizados pelo grupo britânico, são também apresentadas publicações periódicas que pretendem defender e apresentar a ideia, caracterizando simultaneamente o contexto da época e a sua influência no desenvolvimento de uma megaestrutura. |
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