Publicação
Aquisição e erosão no desenvolvimento linguístico de falantes bilingues em Angola
| Resumo: | Neste estudo, analisamos os efeitos da exposição linguística sobre a competência bilingue (português – umbundu) de crianças angolanas em idade escolar. Na pesquisa, avaliamos a capacidade de falantes bilingues, que se encontram em diferentes estádios de desenvolvimento linguístico, formarem o plural dos nomes, de modo a perceber se (i) o desenvolvimento linguístico ocorre de forma proporcional nas duas línguas, ou (ii) se há erosão numa das línguas (em particular, na língua da família) resultante do desequilíbrio do grau de exposição linguística, após a entrada na escola, onde se fala unicamente o português. Através de um questionário adaptado do Bilingual Language Profile (Birdsong et al, 2012) selecionamos uma amostra de 28 alunos bilingues, sendo 14 da 3ª classe (7,6 anos de idade, em média) e 14 da 9ª classe (16 aos de idade, em média) e outros 28 alunos monolingues das mesmas classes, que serviram de grupo de controlo. Os participantes foram submetidos a uma tarefa lúdica de produção oral induzida por imagens, “O Jogo da Memória”. Os resultados mostram diferenças significativas entre os alunos que se encontram na 3ª classe e os que frequentam a 9ª classe no que respeita à formação do plural em ambas as línguas. Os alunos mais novos (3ª classe) têm mais dificuldades em formar o plural em português, sobretudo em situações em que têm de aplicar regras particulares (por exemplo, substituir -ão por -ões), comparativamente ao umbundu, língua que forma o plural pela mudança de classes nominais. No grupo de alunos mais velhos (9ª classe), há uma tendência deste quadro se inverter, isto é, os alunos apresentam mais dificuldades na formação do plural em umbundu. Apesar de não se tratar de um estudo longitudinal, os dados sugerem que a alteração do grau de exposição linguística, como consequência da escolarização em português, pode ter contribuído para esta inversão de competências, o que nos leva a inferir que a língua da família é vulnerável a efeitos de erosão. |
|---|---|
| Autores principais: | Calossa, Bernardino Valente |
| Assunto: | Aquisição linguística Bilinguismo Erosão Formação do plural Português Umbundu Bilingualism Erosion Linguistic acquisition Plural formation Portuguese |
| Ano: | 2019 |
| País: | Portugal |
| Tipo de documento: | dissertação de mestrado |
| Tipo de acesso: | acesso aberto |
| Instituição associada: | Universidade do Minho |
| Idioma: | português |
| Origem: | RepositóriUM - Universidade do Minho |
| Resumo: | Neste estudo, analisamos os efeitos da exposição linguística sobre a competência bilingue (português – umbundu) de crianças angolanas em idade escolar. Na pesquisa, avaliamos a capacidade de falantes bilingues, que se encontram em diferentes estádios de desenvolvimento linguístico, formarem o plural dos nomes, de modo a perceber se (i) o desenvolvimento linguístico ocorre de forma proporcional nas duas línguas, ou (ii) se há erosão numa das línguas (em particular, na língua da família) resultante do desequilíbrio do grau de exposição linguística, após a entrada na escola, onde se fala unicamente o português. Através de um questionário adaptado do Bilingual Language Profile (Birdsong et al, 2012) selecionamos uma amostra de 28 alunos bilingues, sendo 14 da 3ª classe (7,6 anos de idade, em média) e 14 da 9ª classe (16 aos de idade, em média) e outros 28 alunos monolingues das mesmas classes, que serviram de grupo de controlo. Os participantes foram submetidos a uma tarefa lúdica de produção oral induzida por imagens, “O Jogo da Memória”. Os resultados mostram diferenças significativas entre os alunos que se encontram na 3ª classe e os que frequentam a 9ª classe no que respeita à formação do plural em ambas as línguas. Os alunos mais novos (3ª classe) têm mais dificuldades em formar o plural em português, sobretudo em situações em que têm de aplicar regras particulares (por exemplo, substituir -ão por -ões), comparativamente ao umbundu, língua que forma o plural pela mudança de classes nominais. No grupo de alunos mais velhos (9ª classe), há uma tendência deste quadro se inverter, isto é, os alunos apresentam mais dificuldades na formação do plural em umbundu. Apesar de não se tratar de um estudo longitudinal, os dados sugerem que a alteração do grau de exposição linguística, como consequência da escolarização em português, pode ter contribuído para esta inversão de competências, o que nos leva a inferir que a língua da família é vulnerável a efeitos de erosão. |
|---|