Publicação
Dentro e fora do cânone: alguns exemplos relevantes da História da Literatura Portuguesa para a Infância
| Resumo: | Na literatura portuguesa para a infância, concretamente na sua História e/ou evolução, existe um período histórico, o do Estado Novo (1926-1974), no qual proliferam textos ideologizados, marcados por um pendor moralista, a servirem um regime político “vigilante”, com Serviços de Censura Literária. O corpus textual deste estudo comporta três obras de autoria e datas diferentes, uma publicada num momento muito próximo da instauração da ditadura militar e as outras já em plena vigência salazarista: Mariazinha em África (1925), de Fernanda de Castro (1900-1994); Joanito Africanista (1932), de Emília de Sousa Costa (1877-1959); e Histórias de Pretos e de Brancos (1960), de Maria Cecília Correia (1919-1993). Substantivando concepções tradicionalistas, estas reflectem pretensos valores nacionais e testemunham uma selecção à época legítima, ou seja, canónica. Factores de ordem histórico-política determinaram a sua descanonização, ou seja, a sua transferência do centro para a periferia. Pretendemos, por um lado, evidenciar os traços ideotemáticos que filiam estes textos no universo de uma específica doutrinação ideológica e, por outro, ainda que cientes da sua descanonização e da sua moldura histórico-política, revelar certas qualidades estético-estilísticas que possibilitam, no presente, a sua integração num especial cânone que, aliás, a historiografia literária, produzida até à data justamente não ignorou. |
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| Autores principais: | Silva, Sara Raquel Reis da |
| Assunto: | Literatura portuguesa para a infância História Literária Ditadura Salazarista Cânone Portuguese children’s literature Literary History Salazar’s dictatorship Canon |
| Ano: | 2019 |
| País: | Portugal |
| Tipo de documento: | artigo |
| Tipo de acesso: | acesso aberto |
| Instituição associada: | Universidade do Minho |
| Idioma: | português |
| Origem: | RepositóriUM - Universidade do Minho |
| Resumo: | Na literatura portuguesa para a infância, concretamente na sua História e/ou evolução, existe um período histórico, o do Estado Novo (1926-1974), no qual proliferam textos ideologizados, marcados por um pendor moralista, a servirem um regime político “vigilante”, com Serviços de Censura Literária. O corpus textual deste estudo comporta três obras de autoria e datas diferentes, uma publicada num momento muito próximo da instauração da ditadura militar e as outras já em plena vigência salazarista: Mariazinha em África (1925), de Fernanda de Castro (1900-1994); Joanito Africanista (1932), de Emília de Sousa Costa (1877-1959); e Histórias de Pretos e de Brancos (1960), de Maria Cecília Correia (1919-1993). Substantivando concepções tradicionalistas, estas reflectem pretensos valores nacionais e testemunham uma selecção à época legítima, ou seja, canónica. Factores de ordem histórico-política determinaram a sua descanonização, ou seja, a sua transferência do centro para a periferia. Pretendemos, por um lado, evidenciar os traços ideotemáticos que filiam estes textos no universo de uma específica doutrinação ideológica e, por outro, ainda que cientes da sua descanonização e da sua moldura histórico-política, revelar certas qualidades estético-estilísticas que possibilitam, no presente, a sua integração num especial cânone que, aliás, a historiografia literária, produzida até à data justamente não ignorou. |
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