Publicação
A identidade de política externa do Brasil: potência ocidental na arena internacional?
| Resumo: | A presente dissertação se debruça sobre a interação entre a identidade internacional e as ações de política externa do Brasil. Seu objetivo central é examinar as transformações e continuidades da ‘ocidentalidade’ (‘Westerness’) da política externa brasileira no período entre 2003 e 2023. Para tanto, uma vez que analisa a relação entre identidade e política externa, o estudo adota como referencial teórico a Segurança Ontológica, enfatizando fatores como a narrativa biográfica e a capacidade reflexiva dos Estados na manutenção de sua segurança ontológica. O Brasil foi selecionado como estudo de caso devido ao seu complexo repertório de identidades sobrepostas, que o permite se identificar, ao mesmo tempo, como parte do Ocidente, do ‘Sul Global’ e como ‘potência emergente’. Nesse sentido, a pesquisa aponta que, durante os Governos Petistas (2003-2018), o Brasil foi retratado como uma potência emergente, mitigando a manifestação de sua identidade ocidental. Em contraste, o Governo de Jair Bolsonaro buscou enfatizar a identidade ocidental brasileira, alinhando-se com valores conservadores e com a Administração de Trump nos Estados Unidos. No primeiro ano do terceiro mandato de Lula da Silva, o Presidente preferiu, mais uma vez, retratar o Brasil como parte do Sul Global e da América do Sul, mantendo os valores ocidentais, mas sem aderir totalmente ao ‘Ocidente político-estratégico’.Com base nesses resultados de pesquisa, o estudo conclui que a forma como o Brasil manifestou sua identidade ocidental experimentou variações significativas nas últimas duas décadas, visto que, durante a maior parte do período analisado, o Brasil demonstrou ser um ator reflexivo, enfatizando diferentes identidades em sua narrativa biográfica, consoante ao contexto internacional do momento. O estudo constata que, embora o Brasil mantenha uma adesão constante aos valores ocidentais, seu apoio geopolítico ao Ocidente tem sido incerto, devido a clivagens ideológicas persistentes no Itamaraty e na Presidência da República. |
|---|---|
| Autores principais: | Ramos, Ana Lívia Vilhena |
| Assunto: | Brasil Identidade internacional Política externa Ocidentalidade Segurança Ontológica Brazil Foreign policy International identity Ontological security Westerness |
| Ano: | 2024 |
| País: | Portugal |
| Tipo de documento: | dissertação de mestrado |
| Tipo de acesso: | acesso aberto |
| Instituição associada: | Universidade do Minho |
| Idioma: | português |
| Origem: | RepositóriUM - Universidade do Minho |
| Resumo: | A presente dissertação se debruça sobre a interação entre a identidade internacional e as ações de política externa do Brasil. Seu objetivo central é examinar as transformações e continuidades da ‘ocidentalidade’ (‘Westerness’) da política externa brasileira no período entre 2003 e 2023. Para tanto, uma vez que analisa a relação entre identidade e política externa, o estudo adota como referencial teórico a Segurança Ontológica, enfatizando fatores como a narrativa biográfica e a capacidade reflexiva dos Estados na manutenção de sua segurança ontológica. O Brasil foi selecionado como estudo de caso devido ao seu complexo repertório de identidades sobrepostas, que o permite se identificar, ao mesmo tempo, como parte do Ocidente, do ‘Sul Global’ e como ‘potência emergente’. Nesse sentido, a pesquisa aponta que, durante os Governos Petistas (2003-2018), o Brasil foi retratado como uma potência emergente, mitigando a manifestação de sua identidade ocidental. Em contraste, o Governo de Jair Bolsonaro buscou enfatizar a identidade ocidental brasileira, alinhando-se com valores conservadores e com a Administração de Trump nos Estados Unidos. No primeiro ano do terceiro mandato de Lula da Silva, o Presidente preferiu, mais uma vez, retratar o Brasil como parte do Sul Global e da América do Sul, mantendo os valores ocidentais, mas sem aderir totalmente ao ‘Ocidente político-estratégico’.Com base nesses resultados de pesquisa, o estudo conclui que a forma como o Brasil manifestou sua identidade ocidental experimentou variações significativas nas últimas duas décadas, visto que, durante a maior parte do período analisado, o Brasil demonstrou ser um ator reflexivo, enfatizando diferentes identidades em sua narrativa biográfica, consoante ao contexto internacional do momento. O estudo constata que, embora o Brasil mantenha uma adesão constante aos valores ocidentais, seu apoio geopolítico ao Ocidente tem sido incerto, devido a clivagens ideológicas persistentes no Itamaraty e na Presidência da República. |
|---|