Publicação
Estudo do impacto da pandemia COVID-19 no bem-estar dos professores: os efeitos protetores do mindfulness e da compaixão
| Resumo: | Em dezembro de 2019, o aparecimento do novo Coronavírus desencadeou uma crise global sem precedentes. A rápida propagação do vírus levou a Organização Mundial de Saúde a declarar a COVID-19 como pandemia em março de 2020. As suas repercussões afetaram profundamente as dimensões psicossociais da população a nível mundial. Foi evidente o aumento nos sintomas de ansiedade, depressão e stress, como resposta direta ou indireta ao medo de contrair o vírus, tendo este impacto psicológico sido considerado uma das consequências mais frequentes na população em geral. A educação não foi exceção. Com o encerramento das escolas e universidades, a necessidade de adaptar rapidamente os formatos de ensino-aprendizagem tornou-se imperativa. O online apresentou-se como a solução viável, mas não isenta de dificuldades. As adaptações requeridas, nalguns casos exacerbaram, ainda mais, os indicadores de saúde mental e bem-estar dos professores, que já enfrentavam níveis elevados de stress e exaustão emocional em circunstâncias pré-pandémicas. Neste contexto desafiador, enquanto a educação lidava com estas mudanças, a comunidade científica explorava abordagens como o mindfulness e a compaixão, reconhecendo os seus benefícios na promoção da saúde mental e bem-estar das comunidades escolares. Este estudo, de caráter quantitativo, teve como objetivo primordial enriquecer o conhecimento sobre as repercussões da pandemia COVID-19 na saúde mental e bem-estar dos professores portugueses dos 2º e 3º ciclos do Ensino Básico e do Ensino secundário. Para alcançar este propósito foram considerados fatores sociodemográficos, socioprofissionais, indicadores psicossociais e a vivência pessoal ou experiência subjetiva da doença. Os resultados do estudo destacam uma relação significativa entre os níveis de ansiedade, stress e depressão dos professores relativamente às suas vivências no contexto da pandemia COVID-19, refletindo-se em baixos indicadores subjetivos de saúde e bem-estar e de satisfação com a vida. Embora as vivências associadas à COVID-19 tenham afetado a saúde mental e o bem-estar da população em geral, docentes do género feminino parecem ter sido mais afetadas por essas circunstâncias. Os professores demonstraram uma tendência para expressar níveis mais baixos de satisfação com a vida durante o ensino à distância. No entanto, fatores como stress, ansiedade e depressão não mostraram diferenciação clara em função de caraterísticas sociodemográficas e socioprofissionais dos professores. A compaixão recebida dos outros e o mindfulness destacaram-se pela função relevante na relação entre os efeitos adversos da pandemia e o bem-estar subjetivo dos inquiridos, atenuando o impacto psicológico negativo causado pela COVID-19. |
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| Autores principais: | Brandão, Sérgio Filipe de Azevedo Vieira |
| Assunto: | Bem-estar Compaixão COVID-19 Mindfulness Professores Compassion Teachers Well-being |
| Ano: | 2024 |
| País: | Portugal |
| Tipo de documento: | tese de doutoramento |
| Tipo de acesso: | acesso aberto |
| Instituição associada: | Universidade do Minho |
| Idioma: | português |
| Origem: | RepositóriUM - Universidade do Minho |
| Resumo: | Em dezembro de 2019, o aparecimento do novo Coronavírus desencadeou uma crise global sem precedentes. A rápida propagação do vírus levou a Organização Mundial de Saúde a declarar a COVID-19 como pandemia em março de 2020. As suas repercussões afetaram profundamente as dimensões psicossociais da população a nível mundial. Foi evidente o aumento nos sintomas de ansiedade, depressão e stress, como resposta direta ou indireta ao medo de contrair o vírus, tendo este impacto psicológico sido considerado uma das consequências mais frequentes na população em geral. A educação não foi exceção. Com o encerramento das escolas e universidades, a necessidade de adaptar rapidamente os formatos de ensino-aprendizagem tornou-se imperativa. O online apresentou-se como a solução viável, mas não isenta de dificuldades. As adaptações requeridas, nalguns casos exacerbaram, ainda mais, os indicadores de saúde mental e bem-estar dos professores, que já enfrentavam níveis elevados de stress e exaustão emocional em circunstâncias pré-pandémicas. Neste contexto desafiador, enquanto a educação lidava com estas mudanças, a comunidade científica explorava abordagens como o mindfulness e a compaixão, reconhecendo os seus benefícios na promoção da saúde mental e bem-estar das comunidades escolares. Este estudo, de caráter quantitativo, teve como objetivo primordial enriquecer o conhecimento sobre as repercussões da pandemia COVID-19 na saúde mental e bem-estar dos professores portugueses dos 2º e 3º ciclos do Ensino Básico e do Ensino secundário. Para alcançar este propósito foram considerados fatores sociodemográficos, socioprofissionais, indicadores psicossociais e a vivência pessoal ou experiência subjetiva da doença. Os resultados do estudo destacam uma relação significativa entre os níveis de ansiedade, stress e depressão dos professores relativamente às suas vivências no contexto da pandemia COVID-19, refletindo-se em baixos indicadores subjetivos de saúde e bem-estar e de satisfação com a vida. Embora as vivências associadas à COVID-19 tenham afetado a saúde mental e o bem-estar da população em geral, docentes do género feminino parecem ter sido mais afetadas por essas circunstâncias. Os professores demonstraram uma tendência para expressar níveis mais baixos de satisfação com a vida durante o ensino à distância. No entanto, fatores como stress, ansiedade e depressão não mostraram diferenciação clara em função de caraterísticas sociodemográficas e socioprofissionais dos professores. A compaixão recebida dos outros e o mindfulness destacaram-se pela função relevante na relação entre os efeitos adversos da pandemia e o bem-estar subjetivo dos inquiridos, atenuando o impacto psicológico negativo causado pela COVID-19. |
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