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Os professores: percursos, práticas e concepções de literacia

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Resumo:Os discursos sobre as baixas competências de literacia dos alunos levou-nos a realizar o presente estudo, no intuito de compreender a forma como um grupo de professores se posiciona face à prática da leitura e da escrita, uma vez que é a eles (e às suas características não só pedagógicas como pessoais) que muitas vezes se atribuem os desempenhos negativos dos jovens escolares. Concebendo-se a literacia como uma prática socialmente construída e culturalmente situada, partimos do pressuposto de que, do envolvimento dos professores em práticas e eventos de literacia ao longo das suas trajectórias de vida, podem ter resultado práticas e concepções particulares de leitura e escrita e da sua promoção. Assim, neste estudo, procura-se conhecer os percursos de leitura e escrita de cinquenta e dois professores desde a infância e juventude até ao presente, comparar os hábitos de leitura e escrita nestas fases das suas vidas, identificar os factores que determinaram a sua relação actual com a leitura e a escrita, caracterizar as suas práticas actuais, bem como articular práticas e concepções de promoção da leitura e de construção de leitores. Da análise sai reforçada a valorização da leitura, quer no contexto escolar, quer na vida pessoal dos professores. Essa valorização emerge do estatuto privilegiado que a leitura tem no quadro de ocupação dos tempos livres, tanto na infância e juventude como na fase actual das suas vidas, na sua auto-avaliação de leitor e da prática da leitura no presente. Os factores que mais determinaram a relação actual dos professores com a leitura são os gostos pessoais, as exigências da profissão, a escola e a família. Aliás, os familiares parecem ter sido as pessoas que mais influenciaram os professores na sua relação actual com a leitura. No presente, a prática da leitura, fortemente condicionada por finalidades profissionais, parece sofrer um ligeiro decréscimo relativamente ao passado devido a razões como a falta de tempo, a vida familiar, o cansaço e as exigências da profissão. A escrita parece ser, como na infância e juventude, uma prática presente no quotidiano dos professores, embora naquele momento fosse mais “recreativa” e de carácter intimista e, no presente, mais marcada por finalidades profissionais (correcção de escritos pedagógicos, relatórios, actas). Ainda assim, os professores parecem possuir concepções redutoras de leitura e escrita, valorizando quase exclusivamente o suporte livro, o que os leva a não considerar como práticas de leitura e escrita as de natureza digital e funcional. A maior parte dos professores considera a escola determinante na construção de leitores e parece assumir-se como protagonista na promoção da leitura em contexto escolar.
Autores principais:Eusébio, Maria Helena de Azevedo
Assunto:Leitura Escrita Professor(es)-leitor(es) Hábitos Práticas Reading Writing Teachers Readers Habits Practices
Ano:2009
País:Portugal
Tipo de documento:dissertação de mestrado
Tipo de acesso:acesso restrito
Instituição associada:Universidade do Minho
Idioma:português
Origem:RepositóriUM - Universidade do Minho
Descrição
Resumo:Os discursos sobre as baixas competências de literacia dos alunos levou-nos a realizar o presente estudo, no intuito de compreender a forma como um grupo de professores se posiciona face à prática da leitura e da escrita, uma vez que é a eles (e às suas características não só pedagógicas como pessoais) que muitas vezes se atribuem os desempenhos negativos dos jovens escolares. Concebendo-se a literacia como uma prática socialmente construída e culturalmente situada, partimos do pressuposto de que, do envolvimento dos professores em práticas e eventos de literacia ao longo das suas trajectórias de vida, podem ter resultado práticas e concepções particulares de leitura e escrita e da sua promoção. Assim, neste estudo, procura-se conhecer os percursos de leitura e escrita de cinquenta e dois professores desde a infância e juventude até ao presente, comparar os hábitos de leitura e escrita nestas fases das suas vidas, identificar os factores que determinaram a sua relação actual com a leitura e a escrita, caracterizar as suas práticas actuais, bem como articular práticas e concepções de promoção da leitura e de construção de leitores. Da análise sai reforçada a valorização da leitura, quer no contexto escolar, quer na vida pessoal dos professores. Essa valorização emerge do estatuto privilegiado que a leitura tem no quadro de ocupação dos tempos livres, tanto na infância e juventude como na fase actual das suas vidas, na sua auto-avaliação de leitor e da prática da leitura no presente. Os factores que mais determinaram a relação actual dos professores com a leitura são os gostos pessoais, as exigências da profissão, a escola e a família. Aliás, os familiares parecem ter sido as pessoas que mais influenciaram os professores na sua relação actual com a leitura. No presente, a prática da leitura, fortemente condicionada por finalidades profissionais, parece sofrer um ligeiro decréscimo relativamente ao passado devido a razões como a falta de tempo, a vida familiar, o cansaço e as exigências da profissão. A escrita parece ser, como na infância e juventude, uma prática presente no quotidiano dos professores, embora naquele momento fosse mais “recreativa” e de carácter intimista e, no presente, mais marcada por finalidades profissionais (correcção de escritos pedagógicos, relatórios, actas). Ainda assim, os professores parecem possuir concepções redutoras de leitura e escrita, valorizando quase exclusivamente o suporte livro, o que os leva a não considerar como práticas de leitura e escrita as de natureza digital e funcional. A maior parte dos professores considera a escola determinante na construção de leitores e parece assumir-se como protagonista na promoção da leitura em contexto escolar.