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A fronteira enquanto espaço de partilha identitária, cultural e linguística: um estudo interpretativo da zona raiana de Melgaço

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Resumo:A presente dissertação tem como propósito central empreender um estudo interpretativo da zona raiana de Melgaço, aos vários níveis que a compõem, nomeadamente social, cultural e linguístico. Assim, para uma melhor compreensão da identidade cultural da comunidade em estudo, tornou-se relevante atentar na especificidade da sua posição geográfica, particularmente, na influência que teve e tem a sua condição fronteiriça nos modos de ser, estar, viver e de falar dos seus habitantes. Neste sentido, a fronteira tornou-se um conceito teórico de importância capital, em torno do qual foram debatidos outros de equivalente relevância para a investigação, como os de memória, identidade, cultura, tradição e linguagem, privilegiando-se uma análise diacrónica dos mesmos. Aliando as perspetivas teóricas com o material empírico recolhido, no presente trabalho de investigação pretende-se: compreender de que forma a fronteira se constituiu como um espaço de oportunidades para a comunidade de Melgaço, analisando, para tal, o impacto social, cultural e demográfico dos fenómenos da emigração e do contrabando; aferir a importância da figura feminina e a evolução da sua posição social ao longo dos tempos e, também, averiguar a importância da fronteira enquanto espaço de partilha linguística, analisando as especificidades linguísticas e os traços caracterizadores ao nível fonético, fonológico, morfológico e lexical dos falares setentrionais, onde se insere a linguagem de Melgaço, tendo em conta, também, os elementos de afinidade com as línguas galega e castelhana. Para o cumprimento dos propósitos supracitados priorizou-se, no presente estudo, uma metodologia de tipo qualitativo, valorizando-se os percursos de vida e os testemunhos dos informantes envolvidos. A fronteira que separa a comunidade de Melgaço das comunidades raianas da vizinha Galiza sempre se constituiu como um espaço de permanente movimento e de troca, não só material e linguística, mas também simbólica e, apesar de ter perdido um lugar central nas vivências quotidianas dos melgacenses, constata-se que ainda hoje tem um lugar fundamental no seu imaginário.
Autores principais:Dias, Maria Salomé Alves
Assunto:Fronteira Memória e identidade Contrabando Emigração Posição social da mulher Partilha linguística Falares setentrionais Sociolinguística História da língua portuguesa Border Memory and identity Smuggling Emigration Women’s social position Linguistic share Northern language Sociolinguistics Portuguese language history
Ano:2017
País:Portugal
Tipo de documento:dissertação de mestrado
Tipo de acesso:acesso aberto
Instituição associada:Universidade do Minho
Idioma:português
Origem:RepositóriUM - Universidade do Minho
Descrição
Resumo:A presente dissertação tem como propósito central empreender um estudo interpretativo da zona raiana de Melgaço, aos vários níveis que a compõem, nomeadamente social, cultural e linguístico. Assim, para uma melhor compreensão da identidade cultural da comunidade em estudo, tornou-se relevante atentar na especificidade da sua posição geográfica, particularmente, na influência que teve e tem a sua condição fronteiriça nos modos de ser, estar, viver e de falar dos seus habitantes. Neste sentido, a fronteira tornou-se um conceito teórico de importância capital, em torno do qual foram debatidos outros de equivalente relevância para a investigação, como os de memória, identidade, cultura, tradição e linguagem, privilegiando-se uma análise diacrónica dos mesmos. Aliando as perspetivas teóricas com o material empírico recolhido, no presente trabalho de investigação pretende-se: compreender de que forma a fronteira se constituiu como um espaço de oportunidades para a comunidade de Melgaço, analisando, para tal, o impacto social, cultural e demográfico dos fenómenos da emigração e do contrabando; aferir a importância da figura feminina e a evolução da sua posição social ao longo dos tempos e, também, averiguar a importância da fronteira enquanto espaço de partilha linguística, analisando as especificidades linguísticas e os traços caracterizadores ao nível fonético, fonológico, morfológico e lexical dos falares setentrionais, onde se insere a linguagem de Melgaço, tendo em conta, também, os elementos de afinidade com as línguas galega e castelhana. Para o cumprimento dos propósitos supracitados priorizou-se, no presente estudo, uma metodologia de tipo qualitativo, valorizando-se os percursos de vida e os testemunhos dos informantes envolvidos. A fronteira que separa a comunidade de Melgaço das comunidades raianas da vizinha Galiza sempre se constituiu como um espaço de permanente movimento e de troca, não só material e linguística, mas também simbólica e, apesar de ter perdido um lugar central nas vivências quotidianas dos melgacenses, constata-se que ainda hoje tem um lugar fundamental no seu imaginário.