Publicação
O (Melo)drama da melancolia em Mary Shelley: Mathilda (1819) ou a confissão traumática de incesto e suicídio no feminino
| Resumo: | Embora formalmente uma novela, a segunda ficção narrativa de Mary Shelley, publicada somente em 1959, mas escrita logo após Frankenstein (em 1819), com o qual se assemelha em muitos aspetos, não é apenas ousada pela escolha transgressiva dos seus principais temas (incesto entre pai e filha e suicídio), mas também incomum, pois os seus doze curtos capítulos descrevem um monólogo angustiante, uma enunciação não apenas elegíaca, mas profundamente melodramática. A voz póstuma que é ouvida ao longo da epístola funciona como uma mensagem irada ou amaldiçoada que é enviada da sepultura e significativamente dirigida a um poeta. O tom excessivamente sombrio e mórbido da jovem falante e os muitos aspetos autobiográficos, em conjunção com o estilo ao mesmo tempo lírico e dramático do texto gótico de Mary Shelley, sugerem que, através desta memória trágica, a autora estaria a ilustrar o seu próprio conceito de melancolia feminina; deste modo, competindo com a tradição romântica masculina de figuras como Byron e P.B. Shelley. Apesar de sugerir que uma sensibilidade debilitante pode ser perniciosa, o texto longamente censurado de Mathilda celebra não apenas a coragem, mas também a habilidade da sua falante em abordar temas proibidos ou polémicos, como os do incesto e do suicídio. |
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| Autores principais: | Guimarães, Paula Alexandra |
| Assunto: | Mary Shelley Mathilda Melancolia Incesto Suicídio Humanidades::Línguas e Literaturas |
| Ano: | 2020 |
| País: | Portugal |
| Tipo de documento: | comunicação em conferência |
| Tipo de acesso: | acesso aberto |
| Instituição associada: | Universidade do Minho |
| Idioma: | português |
| Origem: | RepositóriUM - Universidade do Minho |
| Resumo: | Embora formalmente uma novela, a segunda ficção narrativa de Mary Shelley, publicada somente em 1959, mas escrita logo após Frankenstein (em 1819), com o qual se assemelha em muitos aspetos, não é apenas ousada pela escolha transgressiva dos seus principais temas (incesto entre pai e filha e suicídio), mas também incomum, pois os seus doze curtos capítulos descrevem um monólogo angustiante, uma enunciação não apenas elegíaca, mas profundamente melodramática. A voz póstuma que é ouvida ao longo da epístola funciona como uma mensagem irada ou amaldiçoada que é enviada da sepultura e significativamente dirigida a um poeta. O tom excessivamente sombrio e mórbido da jovem falante e os muitos aspetos autobiográficos, em conjunção com o estilo ao mesmo tempo lírico e dramático do texto gótico de Mary Shelley, sugerem que, através desta memória trágica, a autora estaria a ilustrar o seu próprio conceito de melancolia feminina; deste modo, competindo com a tradição romântica masculina de figuras como Byron e P.B. Shelley. Apesar de sugerir que uma sensibilidade debilitante pode ser perniciosa, o texto longamente censurado de Mathilda celebra não apenas a coragem, mas também a habilidade da sua falante em abordar temas proibidos ou polémicos, como os do incesto e do suicídio. |
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